WANDECY MEDEIROS - 18/01/2010 09:51 ( visualizações) - Imprimir ![]()
Quero deixar esse texto sem ponto final
Sabe quantas pessoas já morreram desde o surgimento do homem? Calcula-se, em números redondos, que cem bilhões de seres humanos já “partiram dessa para melhor” (ou pior). Como se vê, esse mundo é dos mortos, e não dos vivos. O próximo pode ser você que está lendo esse texto agora.
Atualmente o planeta tem seis bilhões e alguns milhões de seres humanos. Dizem que os recursos naturais da Terra podem sustentar até 25 bilhões de pessoas, ou seja, ainda faltam 19 bilhões de homens e mulheres para que alcancemos o número limite que o planeta suporta. O problema não é a quantidade de pessoas no mundo, é a cruel desigualdade que faz com que suíços atirem caviar no lixo e afegãos façam sopa todos os dias do mesmo osso só para beber o caldo.
Regimes de direita mataram tanta gente no mundo quanto os regimes de esquerda. Se o comunismo matou milhões de pessoas até hoje, e eu sei que matou mesmo, no entanto o regime mais assassino que tivemos na História não era de esquerda, mas de direita, extrema-direita: o Nazismo. Aquele pateta do Hitler tinha vários problemas de ordem sexual e foi por não conseguir levantar o pau que ele acabou provocando a mais sangrenta de todas as guerras. A Segunda Guerra Mundial foi provocada pela impotência sexual de Hitler. Se naquele tempo já existisse Viagra a guerra não teria acontecido.
Além do Nazismo, de direita também foram as ditaduras no Brasil e nos demais países da América Latina, mas, repensando melhor agora, apesar do Nazismo, talvez as esquerdas tenham matado um pouco mais do que a direita, mas só um pouquinho. É que me lembrei de Mao Tsé-Tung, Stalin, Pol Pot e Satanás. O Satanás, como todo mundo sabe, deixou de ser de direita há muito tempo.
Quem mais matou gente no mundo, no entanto, nem foi a esquerda nem a direita. Segundo um amigo meu o maior assassino da história, na realidade, foi Caim, pois ao matar Abel ele liquidou 25% da humanidade, já que naquela época só existiam quatro pessoas na Terra: Adão, Eva, Caim e Abel.
Dizem as estatísticas que a cada hora que passa morrem 6.178 seres humanos no mundo todo. Por dia isso dá um montante de 148.272 defuntos, e somando tudo, no prazo de um ano, teremos um pouco mais de 54 milhões de “botas batidas”. Só que enquanto morrem 148. 272 mil pessoas por dia, nascem 270 mil bebês no mesmo espaço de tempo. Como se vê, a gente morre, mas pelo menos sabe se divertir direitinho.
Outro dia contei quantos conhecidos meus morreram nos últimos cinco anos. Entre familiares, amigos e conhecidos mais próximos, consegui me lembrar de 33 pessoas falecidas no período. Eu não sou sentimental, mas me bateu uma nostalgia de lascar ao me lembrar de algumas dessas pessoas.
Antes, quando morria uma pessoa que eu não gostava me batia uma sensação de alívio, embora eu não demonstrasse esse alívio para não ferir sensibilidades. Depois matutei que essa satisfação sentida com a morte de desafetos é doentia e imbecil, pois mais cedo ou mais tarde será a minha vez de servir também de alimento para os vermes. De qualquer forma não tem nada demais servir de angu para os vermes. É a natureza te purificando.
É muito chato a gente ver os rostos mais belos se deteriorando com a velhice, a doença, até a inevitabilidade da morte. Quando eu morava no bairro do Jatobá faleceu uma mulher lá que era a mais desejada do bairro, uma morena de uma beleza estonteante que causava inveja às outras mulheres e provocava os olhares da rapaziada. Todos os homens do Jatobá tocavam punhetas pensando naquele monumento.
Vou evitar dizer o nome dela, mas sei que qualquer homem que viveu no Jatobá em meados dos anos 90 sabe de quem estou falando. A família dela é pobre e numerosa, e as irmãs dela, embora sejam bonitas, nem de longe podem (ou podiam) ser comparadas à senhorita “P”. A imagem dela ainda permanece muito viva em todos que a conheceram.
Pois bem, essa mulher morreu misteriosamente e a explicação oficial é que ela tenha se envenenado, embora a possibilidade de assassinato nunca estivesse descartada, pois algum homem pode ter dado fim à vida dela com aquela filosofia de botequim: “já que não é minha, não será de mais ninguém” ou “a terra há de te comer, já que eu não comi”.
Eu contemplei aquele rosto morto durante um tempão, esperando que ele sorrisse para mim e que a morte fosse vencida pela beleza, mais ou menos como o “Retrato de Dorian Gray”, romance do escritor gay Oscar Wilde. Como a senhorita “P” permaneceu imóvel, saí de lá muito revoltado com a burrice da morte em permitir que uma criatura exuberante daquela morresse. Desde esse dia me intriguei da morte e mandei Deus e o diabo pro inferno. O Sétimo Anjo tocou sua trombeta e o Jatobá inteiro teve que procurar outra mulher para tocar suas punhetas. Se fosse em algumas civilizações antigas a sepultura da senhorita “P” teria que ser vigiada até o começo da putrefação, pois em algumas culturas, quando morria uma mulher muito bonita , malucos violavam o túmulo para a prática da necrofilia. Prefiro comer o tribufu mais tribufu de todos os tribufus a fazer sexo com um cadáver, mesmo que esse cadáver fosse o de Brigitte Bardot nos seus anos de glória.
Já em relação à minha própria morte tenho um aviso para vocês: quando vocês ouvirem falar que eu morri, fiquem logo desconfiados, pois pode ser uma armadilha que estou preparando para driblar essa visitante indesejável. Vivo elaborando estratagemas, arapucas, para escapar da morte, para não morrer nunca (tenho tido aulas com Jason), mas parece que não tem jeito mesmo. Já estou achando que vou acabar morrendo.
A morte continua me provocando. Nesse exato momento em que escrevo esse texto pousou um inseto na tela do computador e tentei três vezes negociar amigavelmente com ele, espantando-o para longe. Como ele não aceitou minhas condições, eu o matei.
Quero deixar esse texto sem ponto final
Wandecy Medeiros –wandecymedeiros@gmail.com
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24/01/2010 14:12
Lino ()
acho que sei quem era a senhorita P, mulherão, mas vc apenas sugeriu que fosse assassinato, mas todos sabem que foi realmente assassinato
22/01/2010 12:57
Lou ()
interessante
19/01/2010 12:44
rAFAEL ()
VC PEGOU PESADO COM ESSA HISTÓRIA DE QUE A TERRA SUPORTARIA 25 BILHÕES DE PESSOAS, VAMOS BRINCAR DIREITINHO
O PLANETE AGUENTA NO MÁXIMO 9 BILHÕES DE PESSOAS E MESMO ASSIM AINDA HÁ QUEM DIGA QUE NÃO
19/01/2010 09:45
Cassandra ()
Wandecy não morra porque precisamos de vc bem vivo pra continuar publicando esses textos incríveis nesse portal. Publique um texto por dia.
18/01/2010 16:56
Observador ()
Falta pedir perdão a DEUS para os inocentes que não sabem o que diz, nem o que faz. Perdoai Senhor o Sr. Wandeci, pois, ele é carece de perdão, escreve sem saber o que diz.
18/01/2010 15:57
eriogenil alves de araujo (eriogenil@hotmail.com)
inteligente ,profundo,coerente e acima de tudo real.verdadeiro na sua plenitude e no seu contexto incomensuravel.demonstrando a sua capacidade intelectual na primazia da sua espiritualidade.raramente encontramos escritos tao sensatos e emotivos trazendo um pouco de nos e nos fazendo uma introspecçao harmoniosa e perfeita . parabens e que deus te ilumine nesse caminhar terrestre na evoluçao caracteristica de todo ser humano.abraços fraternos.
18/01/2010 15:34
Araújo ()
Vandeci realmente tenho que tirar o chapéu para vc e dizer que vc é o cara.Parabéns
18/01/2010 11:53
Também tô de olho ()
professor quem derrapou aqui foi vc, esse texto não tem intenção de debater política. o texto é engraçado mas me admiro da sinceridade de Wandecy em dizer coisas como sentir alívio pela morte de desafetos, coisa que todos sentem e poucos assumem
18/01/2010 11:01
Franco ()
Sabe o que isso quer dizer? que Wandecy age como um Josivan Antero ao não considerar os governos de Cuba e da Venezuela como ditaduras. Dois pesos e duas medidas
18/01/2010 10:36
Professor - estou de olho ()
Wandecy, alto lá, você só esqueceu de dizer que as ditaduras militares é que eram de direita no Brasil e na América Latina, pois várias outras ditaduras no nosso continente são de esquerda, ou você se esqueceu que a ditadura de Fidel Castro é de esquerda e a de Hugo Chávez também? Pela falta de uma única palavra, a palavra "militar" depois de ditadura, seu texto derrapa e acredito que foi uma derrapada mesmo porque o texto não parece ser tendencioso para o lado da esquerda que por sinal é o seu lado.
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