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01 de dezembro de 2010, 10:36

Eleições 2010: Uma perspectiva pastoral


Há 15 anos, desde que me naturalizei brasileiro, tenho o privilégio, direito e dever de votar nas eleições brasileiras. Faço isso com muita seriedade, reflito muito antes de votar e oro muito para Deus me orientar. Entretanto, como pastor evangélico procuro aconselhar os membros da minha igreja, ou qualquer outra pessoa que quer me escutar, a votar com a mesma consciência, seriedade, honestidade e responsabilidade diante de Deus. Há décadas, e não só agora, advirto a todos que vender e comprar votos é crime, é imoral e diabólico. Há décadas prego que o uso de chantagem ameaçando a perda de emprego do funcionário público que não vota em determinado candidato e o obrigando a participar em carreatas são igualmente antiéticos e contra os direitos humanos da democracia. O voto é livre, pessoal e secreto.

Primeiro Turno

À medida que a campanha eleitoral começou, eu fui avaliando diferentes candidatos e conversando com pessoas sobre as minhas dúvidas e questionamentos. Concordei com o teólogo católico Leonardo Boff que a melhor candidata à presidência era Marina Silva. Fiquei encantado com a sua postura calma, segura e coerente.
Fiquei preocupado com a candidatura do Bonifácio Rocha a Deputado Federal diante da inesperada candidatura de Hugo Mota, também patoense. Mesmo assim, recebemos os dois para falar para as reuniões da Associação dos Pastores Evangélicos da Cidade (OMEBE) e ouvimos ambos com o mesmo respeito e atenção juntamente com os candidatos estaduais, Dinaldo Wanderley e Francisca Mota. Dos quatro candidatos, três foram eleitos, mostrando que se reunir com a OMEBE dá resultado! Entretanto, foi uma pena, a meu ver, Bonifácio Rocha não entrar porque Patos perdeu com isso.


A maior surpresa, entretanto, do primeiro turno foi a vitória de Ricardo Coutinho, embora que ainda não definitiva. Muitos tiveram, diante da história das pesquisas eleitorais da Paraíba, uma pulga atrás da orelha sobre a disputa pelo governo do estado, pois fomos induzidos a acreditar que Ricardo ganhar seria impossível. Eu votei em Ricardo depois de analisar bastante a questão. Em síntese, optei por ele baseado na minha ótima impressão dele em reuniões do GIAASP quando ele ainda era deputado estadual, baseado na sua atuação competente como prefeito da capital, diante do seu programa proposto de governo, diante da sua competente participação em debates e a sua disponibilidade para isso, e diante da sua forma de conduzir a sua campanha sem uma política de compra de votos ou coisa parecida. Ricardo ganhou e fomos ao segundo turno.

Segundo Turno

À medida que eu observava o uso da máquina estatal no primeiro turno numa escala inédita, assim aumentava o meu repúdio dos praticantes deste grande mal contra o povo da Paraíba. Conforme Luis Torres afirmou em seu blog no dia do 2º turno: “Nunca se desafiou tanto a lei, a legislação e o Judiciário, como nesta campanha. A cultura da compra de votos se aperfeiçoa como um vírus que evolui para escapar da vacina.” Quando, porém, se lançou no desespero a tentativa de confundir o voto evangélico com mentiras, calúnias e pré-conceitos do inferno – aí não dava para tolerar e ficar calado.

Nestas eleições, o voto evangélico chegou à maior idade no Brasil com 25% do eleitorado reconhecidamente contribuindo fortemente para forçar o segundo turno presidencial. Este voto então passou a ser avidamente disputado na peleja pelo governo do estado da Paraíba. Isto seria perfeitamente normal e democrático se fosse feito de forma ética e moral, mas inventar uma peça teatral, tipo novela, insultando toda a população afro-brasileira com um racismo sem tamanho, com estátuas aparecendo em cada esquina e pactos com satanás – assim não dá! Calar-me diante desta gritante tentativa de manipular o voto evangélico era impensável. Fomos à luta, conseguimos com muitos pastores, padres e professores universitários, desmascarar a farsa, e todos viram como o tiro saiu pela culatra.

É impressionante como nesta hora, incomodado com a nossa posição ao lado da ética e moral, teve gente re-lançando a tese de que pastor e padre não devem opinar sobre assuntos políticos. Tal posição é o absurdo dos absurdos. Pois, enquanto é claro que estaríamos contra a venda de currais religiosos, não era esta a questão. A tentativa diante de nós era de nos calar porque a ética e moral incomodava os proponentes de mentiras e compra de votos. Pessoas que nos aplaudiram de pé em eleições passadas pelas mesmas posições éticas e a oposição à compra de votos agora diziam que não era para pastor falar! Por que tais pessoas mudaram de discurso?

A Bíblia está repleta de exemplos de líderes ungidos por Deus para denunciar a injustiça. Isaias e Amós são gigantes da fé Bíblica que viviam isso e o próprio Jesus Cristo disse que são “bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça”. Líderes religiosos são cidadãos com o direito de falar a verdade como qualquer outra pessoa, e o pecado de omissão é algo que Deus julgará um dia. Pessoalmente, me senti realizado quando soube de um rapaz na minha igreja que recebeu uma proposta indecente de R$5 mil para influenciar o grupo que ele lidera para votar num determinado candidato, mas ele, apesar de ser pobre, resistiu e ainda deu uma lição de moral naquela pessoa que tentou lhe corromper. “Isto não está certo”, disse o rapaz da igreja. “Sou Cristão e não aceito este tipo de coisa”.

O compromisso continua

Não sou membro de um partido político e não uso a igreja para fazer política. O meu compromisso sempre foi e continua sendo com a verdade, a ética e a moral. Sou contra a compra de votos e daqui a quatro anos se o Governador-eleito ou qualquer outro candidato for usar a máquina administrativa para se eleger eu estarei 100% contra. Continuarei sempre lutando pelo bem comum da população sem focar em algum assunto isolado. Nunca usarei a mentira ou preconceito racial ou religioso para prejudicar alguém. Pedimos a Deus que Patos possa se tornar um exemplo de democracia verdadeira e que a Paraíba siga o seu exemplo.

 

Pastor John Philip Medcraft


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