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28 de maio de 2011, 21:50

ARTESÃOS DA PAZ


Em todo o mundo ressoa o clamor por paz. Porém é preciso compreender o que de fato é a paz. Não podemos confundi-la com um estado psicológico de tranqüilidade nem somente com a ausência de guerra. Ela é muito mais, vai além. Obviamente o estado emocional de uma pessoa, a concórdia entre as nações, a liberdade de poder ir e vir com segurança e mais outras situações são fundamentais para que de fato possamos vislumbrar a paz.

No Evangelho de João, Jesus diz: “Eu vos deixo a paz, Eu vos dou a minha paz” (Jo 14. 27). É preciso compreender primeiramente que há sempre um ‘plus’, um ‘a mais’ nas afirmações de Jesus, ou seja, Ele é profundo naquilo que diz e o diz com autoridade porque o Seu modo de vida confirma a Sua pregação. As palavras ganham força quando são acompanhadas pela prática.

Desde a época do Seminário sempre admirei figuras como Dom Helder Câmara, Madre Tereza de Calcutá, Mahatma Gandhi e outros que encantaram o mundo com jeito próprio de suscitar a reflexão sobre uma forma harmoniosa de convivência dos seres humanos entre si e destes com a criação. O anúncio da paz feito com a vida não somente convence, mas converte uma mente fechada em si mesma. Abre horizontes e nos faz perceber que o sentido real de viver está no nível de abertura que damos para acolher o outro em nós. É a alteridade da qual nos fala o filósofo Emanuel Levinás. A autonomia só pode ser conquistada através da relação de equilíbrio entre o EU e o TU. Costumo dizer que quanto mais nós somos equilibrados mais sabemos nos relacionar com os outros. A paz é fruto de todo este contexto de encontros humanos que favorecem o amadurecimento da personalidade. Ela começa em nós e aos poucos se externaliza.

Jesus revela para nós como é necessário buscar a paz interior. Em muitos relatos bíblicos encontramos o Cristo mantendo contato com as pessoas. Questionando ou sendo questionado, Jesus mostra que todo encontro traz em si um aprendizado. Jesus também não se massifica, Ele reserva momentos para encontrar-se consigo mesmo através da oração quando sobe ao monte.  Aprendemos com o mestre que a introspecção faz bem ao ser humano porque em nosso caso, oferece a possibilidade de corrigir aquilo que está pendente e de continuar o que está dando certo. É a arte da autoconstrução.

De forma que é entre a palavra e a prática, o eu e o tu, o parar e o caminhar entre as idas e vindas que descobrimos o caminho tênue que nos levará ao ponto de integração do ser. E isto é PAZ.

 

Padre Jorge Luiz

28/05/11


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