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16 de agosto de 2011, 06:57

PATOS MUDOU


No próximo ano, completo 40 anos de residência em Patos, o que me leva a refletir sobre as mudanças que tenho observado nesta Cidade e região. Cheguei aqui em agosto de 1972 e Dr. Olavo Nóbrega era o prefeito e a nova estação rodoviária era a principal obra da sua administração.

Depois de chegar aqui, vindo de Londres, eu tentei telefonar para o meu pai para avisar que a viagem tinha sido em paz e fui para a TELPA, onde fica o IPEP hoje, mas depois de gritar por meia hora, sem ser ouvido, eu fui para os CORREIOS e mandei um telegrama! Correspondência naqueles tempos era toda feita à mão, ou com uma velha máquina datilógrafa, e enviada comprando selos nos CORREIOS. Lembro-me como, anos mais tarde, o FAX chegou por aqui e Hermano Régis sempre me deixava usar a sua máquina. Parecia inacreditável que eu colocava um documento em Patos e o mesmo documento saia na mesma hora no outro lado do mundo!

Naquela época, só tinha a Rádio Espinharas em Patos e pedi ao Padre Assis para colocar um programa evangélico na rádio, mas ele me negou, embora com muita educação daquele jeito dele, afirmando que “o povo não estaria preparado para isto”. A TV Tupi era o único canal de televisão e era em preto e branco. Lembro-me que os programas da época eram o programa do Chacrinha, Sítio do Pica-Pau Amarelo, debates sobre a legalização do divórcio, e mais adiante “Perdidos na Noite” que lançou Faustão na televisão. Lembro-me que assisti o jogo entre o Brasil e a Escócia, da Copa de 1974, na casa do Professor Dr. Messias.

Familia Medrcraft

Pr. John e família em Patos em 1988 (foto)

Quando cheguei em Patos, só havia cinco igrejas evangélicas: Ação Evangélica (que era na época chamada Igreja Evangélica Pentecostal) na Rua do Prado, e onde eu sou pastor até hoje; Igreja Batista, na Rua Felizardo Leite; Igreja Congregacional, na Avenida Pedro Firmino; Igreja Presbiteriana, na Rua Irineu Joffily e a Assembleia de Deus. As primeiras quatro igrejas permanecem nos mesmos locais até hoje, mas a Assembleia de Deus mudou-se do seu local, perto da atual Feira da Troca, para o Bairro da Maternidade. Formei a primeira associação evangélica em Patos, ao lado do Pr. Bonifácio da Gente Inocente, em 1984, era chamada a Associação de Pastores e Obreiros Evangélicos de Patos (APOEP).

Fui feliz em ter o Professor Manoel Clementino (Badu) como professor de português, combinamos que eu, em troca, o ensinaria inglês. As nossas aulas eram no Colégio Cristo Rei, onde a minha esposa havia estudado na adolescência. O Colégio acabou me convidando a ensinar inglês e acabei também ensinando aulas particulares aos filhos de diversos médicos. Toda esta caminhada acabou produzindo, eventualmente, a criação da Cultura Inglesa de Patos em 1995.

Amigos nos meus primeiros anos em Patos foram diversos porque nunca fui uma pessoa a me limitar a amizades somente no mundo evangélico. Eu sempre jogava futebol com Alarcon no campo por traz do CEPA. Alarcon batia na minha porta às cinco horas da manhã para me acordar! Dr. Pedro Firmino e Rebeca foram grandes amigos, amizade que começou por ele ser o pediatra dos nossos filhos. Sentimos muitas saudades deles. Maria Esther foi outra grande amiga. Que pessoa fina e maravilhosa! Dr. Rivaldo e Dra. Geralda sempre foram alunos de inglês e amigos. Uma vez uma viagem nossa à Inglaterra coincidiu com o turismo deles e foi divertido salvá-los de morrer de frio (porque eles não sabiam ligar o aquecimento no seu quarto de hotel!) e da fome (eles precisavam descobrir um bom restaurante!). Dra. Geralda sempre foi aquela doce e inesquecível pessoa. A lista de amigos foi maior do que esta e tem aumentado ao longo dos anos.

Outras coisas de que me lembro bem na antiga Patos eram as inúmeras ruas de barro onde nem se pensava em asfalto! Lembro-me da minha Rural Willys (eu gostaria de comprar a que era do meu sogro de volta!) que possuí e das estradas de barro até Princesa Isabel e Conceição. Viajar até Teixeira ou Catingueira pareciam mega viagens. Os meus grandes mecânicos eram Geraldo Alves e Toinho Lisboa.

O médico chique em Patos quando cheguei, em 1972, era Dr. Olavo. Um médico tão humano que era visto como uma espécie de semideus infalível. Pizzaria não existia e me lembro que no dia que Maria Esther nos levou para almoçar, ela nos levou para o Hotel JK, onde almoçamos ao lado da piscina. Ensinando Dra. Socorro Guedes inglês um dia, ela me falou que seu esposo Luiz Guedes estava pensando em abrir um supermercado em Patos. Um supermercado em Patos parecia loucura, mas observo em que se tornou o empreendimento.

A falta de opções de lazer em Patos nos anos 70 nos levou a comprar uma propriedade rural em São Mamede, onde realizamos o primeiro retiro evangélico de carnaval da região, em 1979, e o Prefeito Edmilson Mota nos ajudou. A realização de um retiro foi bastante questionada no mundo evangélico, mas hoje todo mundo faz. Hoje, a Fazenda Verdes Pastos é uma reserva ecológica e centro de eventos da Ação Evangélica.

Refletindo hoje, vejo como Patos mudou nestas quase quatro décadas. Atualmente, o sistema telefônico e a internet transformaram a comunicação e existem pizzarias, restaurantes chineses, farmácias e canais de TV para não acabar mais! Evidentemente, vieram muitos outros aspectos de progresso que não dá para relatar aqui, mas confesso que sinto saudades da vida mais pacata onde acidentes de trânsito eram raridades e drogas era coisa de outro mundo. Sim, Patos mudou, mas com o progresso vieram novos desafios para sempre vencermos o mal com o bem. Entretanto, como Dom Helder Câmara dizia, são os desafios da vida que fazem a vida interessante.

 

 

Pastor John Philip Medcraft

 

 

 


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