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18 de setembro de 2011, 09:41

“Minha memória anda fraca...”


Primeiramente descrita por Alois Alzheimer, a conhecida Doença de Alzheimer (DA) diz respeito a uma patologia neurodegenerativa, progressiva, caracterizada por alterações de memória associada a outros déficits cognitivos.

Não existe um fator isolado causador da DA, mas um conjunto de fatores de risco próprios do indivíduo e ambientais. Afirma-se que a DA é idade-dependente, quanto maior a idade, maior a chance de desenvolver a doença. Além disso, as mulheres e os pacientes com menor nível de escolaridade são mais comumente afetados; há fortes indícios de que as formas precoces da doença têm estreita relação familiar.

Segundo dados do IBGE 2010, são claras as mudanças na pirâmide etária brasileira, com crescimento expressivo do número de idosos no país. Logo, novos casos da doença tendem a surgir ao longo dos anos. Daí a necessidade de conhecer tal patologia, despertando maior interesse em aprofundar os estudos.

Quando se trata da análise neuropatológica da DA, constata-se a presença de placas neuríticas (acumulação da proteína beta amilóide A/4), distribuídas por todo o córtex cerebral e de novelos neurofibrilares (formados pela proteína Tau hiperfosforilada) no interior dos neurônios.

Bioquimicamente, verifica-se na DA, alteração na transmissão interneuronal, principalmente, no sistema colinérgico, resultando em diminuição dos níveis de acetilcolina (importante neurotransmissor que propaga impulsos nervosos nas fendas sinápticas). O componente genético parece variar de família para família, algumas fortemente relacionadas e outras sem grande relevância.

De acordo com informações do Ministério da Saúde, para se chegar ao diagnóstico correto da afecção descrita anteriormente, é importante realizar: anamnese detalhada, exame físico geral, exame neurológico, testes para avaliação cognitiva (testes neuropsicológicos, Mini Mental) e exames complementares (laboratoriais e de imagem). Para auxiliar no diagnóstico da DA, são utilizados critérios do National Institute of Neurologic and Communicative Disorders and Stroke and the Alzheimer Disease and Related Disorders Association (NINCDS-ADRDA).  Os sintomas mais comuns incluem: alterações na memória, mudanças comportamentais, dificuldade de comunicação, desorientação tempo-espaço, alterações posturais, de marcha e movimentos.

É valioso destacar que o diagnóstico da DA é de exclusão e, portanto, deve ser diferenciado de demências potencialmente reversíveis causadas por: depressão, intoxicação por drogas, alterações metabólicas e hidroeletrolíticas, infecções, alterações cardiovasculares, deficiências nutricionais, comprometimento dos órgãos dos sentidos, demência por múltiplos infartos, entre outros.

Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer, a DA se processa em fases evolutivas, as quais nem sempre são possíveis de identificar isoladamente. No início, o paciente apresenta comprometimento da memória recente, de forma esporádica; surgem episódios de desorientação tempo-espaço, alterações comportamentais e dificuldade de comunicação; sintomas depressivos estão geralmente associados.

Com o passar dos anos, os sintomas desenvolvidos inicialmente se agravam. O paciente apresenta alterações da fala, com vocabulário restrito, dificuldades motoras (tremores, movimentos involuntários), iniciativa abolida, agitação ou apatia, aumento da dependência, necessitando de cuidadores em tempo integral.

Na fase mais avançada da doença, a memória antiga fica também prejudicada. O paciente fica indiferente, não reconhece familiares, amigos e a si mesmo; fica confinado ao leito; surgem as incontinências urinária e fecal e a dependência se torna completa. O paciente acamado fica sujeito a uma variedade de complicações, principalmente infecções respiratórias e urinárias, levando o paciente a óbito mais rapidamente.

O diagnóstico precoce é decisivo para o tratamento. Este é baseado nas terapêuticas medicamentosa e não medicamentosa, objetivando: melhorar a cognição do paciente, retardar a evolução da doença e tratar os sintomas presentes. A primeira se baseia, principalmente, no uso de drogas inibidoras da acetilcolinesterase, aumentando a atividade colinérgica. A segunda envolve reabilitação do paciente, através de: terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, musicoterapia, terapia ambiental, exercício físico e outras atividades.

 

 

 

Procure um neurologista e/ou geriatra. Esses são os especialistas mais capacitados para diagnosticar e conduzir a terapêutica dos pacientes portadores de Doença de Alzheimer.

 

Referências:

 

1. http://www.aan.com/

2. http://www.abneuro.org/

3. http://www.abraz.com.br/

4. http://www.alzheimermed.com.br/

5. http://portal.saude.gov.br/

6. http://www.ibge.gov.br/

 

 

¹ ² ³Maria do Bom Sucesso Lacerda Fernandes Neta

E-mail para contato: sucessomed@hotmail.com

 

¹Patoense, 23 anos, mais conhecida como “Cessinha”, poetisa, escritora.

²Acadêmica do 11º período de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande.

³Membro Efetivo da Academia Patoense de Artes e Letras.


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