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26 de novembro de 2011, 20:07

O TRÂNSITO DE PATOS


Acabo de chegar em casa depois de uma reunião, na nossa ONG ACEV Social, na Rua do Prado e voltei a pé. Que experiência! Normalmente caminho no mato, mas caminhar em Patos é loucura. Talvez os acostumados vão me achar exagerado, mas vou relatar o que foi para mim, que nunca faço isso: um pesadelo!

Para começar, você tem que ter muito cuidado para não pisar nos freqüentes buracos nas calçadas. Parecia uma espécie de corrida de obstáculos! Descendo mais na Rua do Prado, os obstáculos aumentaram quando uma família inteira estava sentada bloqueando por completo a calçada, e para ampliar mais o desafio eles haviam podado o pé de Algaroba em frente da sua casa e colocado os galhos no lado de fora no asfalto. Assim, este pedestre inexperiente se viu com opções limitadas. Para chegar em casa eu teria que escalar uma árvore, ou arriscar um desvio da calçada no meio do asfalto com motos, carros e caminhões descendo aquela rua de forma que faz jus ao seu nome. Optei pela segunda opção e escapei!

Senti-me aliviado e até quase um Rambo ou Super-Homem nestas alturas da caminhada! Consegui não ser atropelado por dois moto-taxis perto da Unidade Cultural e logo em frente vi dois pequenos homens iluminados facilitando as vidas de nós heróicos pedestres. Que maravilha esta modernidade dos homenzinhos, eu pensei, enquanto olhava com tristeza para o Cinema velho. Parecia que eu ainda conseguia ouvir a música da Banda Catedral e do Grupo Logos que levei para se apresentar lá anos atrás. O homenzinho vermelho se transformou em verde e eu sabia que eu podia atravessar a rua, mas o grande problema na maioria das passagens de pedestres em Patos é que enquanto sobram azuizinhos os verdinhos e vermelhos faltam. É cada um por si!

Dobrei a esquina da Praça da Babilônia / João Pessoa / Edvaldo Mota e a música já era outra. Pois o sol estava se pondo e as aves cantavam alegremente, se recolhendo nas árvores da Praça para a merecida dormida da noite. A espécie predominante era a Maria-Preta (Molothrus bonariensis) onde na realidade Maria é marrom e José é preto azulado. Os Pardais estavam juntos, é claro, numa espécie de coral de base ou apoio.

Prossegui a minha viagem animado pelos pássaros e cheguei ao Banco do Estado / Real / Santander e olhei pelo canto do olho para ver se o Foto Alarcon ainda estava aberto porque Alarcon sempre me oferece um cafezinho quando raramente passo por lá!  Infelizmente ele, com os pássaros, já havia se recolhido para a noite e eu teria que ir em frente sem o merecido cafezinho brasileiro. Avançando eu logo vi que a Colegial já vende eletro-domésticos! Quem já viu?

Entretanto, a maior prova da caminhada estava por vir. Pois, descendo a Avenida Solon de Lucena pela ilha central, decidi atravessar a rua pela passagem de pedestres mais ou menos em frente a Pão Quente. Para que eu fiz isso? Coloquei meu pé na passagem de pedestres e os carros e motos, em vez de parar, aceleraram! Retraí o pé ligeiro ao perceber que ali não era uma passagem de pedestres e sim uma espécie de tiro ao alvo! Olhei e vi que meu pé ainda estava inteiro, mas como chegar em casa deste jeito? Esperei e esperei e ninguém parava!

Pensei na minha esposa Betinha em casa, meus quatro filhos e sete netos. Pensei até na minha sogra! Até minha sogra era melhor do que isso! Aí um espaço apareceu no trânsito e percebi a minha janela de oportunidade. Apressei os passos e cheguei ao outro lado de uma espécie de Mar Vermelho, são e salvo. À altura da Catedral vi que uma missa estava em andamento e parecia que era o Padre Ronaldo celebrando a missa todo bonito na frente, de branco, com seus ajudantes de lado também de branco. Como ficou elegante a Catedral climatizada com portas de vidros. A 1ª Batista e a Igreja Congregacional são igrejas evangélicas em Patos que também seguiram esta tendência. Espero que a nossa igreja Ação Evangélica possa fazer isso um dia também.

Ao dobrar a esquina na Bossuet Wanderley a loucura do trânsito parou. Teve até gente fazendo caminhada profissional em redor do Cristo Rei e a paz reinava na Rio Branco. “Como foi a reunião”? perguntou a sogra ao chegar em casa. “A reunião foi sem complicações”, eu respondi. “O problema foi chegar aqui”!


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