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13 de janeiro de 2012, 21:25

O REORDENAMENTO DAS ESCOLAS PÚBLICAS ESTADUAIS


Moro em Patos há 40 anos e desde que cheguei à capital do sertão paraibano escuto reclamações sobre a péssima qualidade do ensino público. Ninguém em perfeito juízo pode negar que o ensino público precisa de uma reforma radical. Estou sabendo de duas escolas que funcionavam no nosso estado numa garagem e de uma escola que tinha mais funcionários do que alunos. Isto é uma vergonha!

Já que este problema não é só da Paraíba, o MEC lançou o Plano Nacional de Educação (PNE), em 2001, que procura melhorar a qualidade de ensino público e evidentemente, cada estado precisa implementar este plano. Isto é vital para a Paraíba porque temos um dos piores índices de educação do país. Dentro do plano, na página 33, é dito que deve haver um reordenamento das escolas e eu entendo que 12 anos mais tarde, finalmente, o Governo do Estado da Paraíba está procurando reordenar, reorganizar e reajustar as nossas escolas e ensino estadual para tentar uma melhora real e significativa na área de acordo com o PNE. O que eu entendo que o Governador Ricardo Coutinho está tentando fazer é fugir dos discursos retóricos dos políticos e das reformas paliativas de prédios, como também diminuir a sobra de recursos humanos causadas pelos políticos irresponsáveis que tem dado empregos aos seus correligionários em troca de votos. Esta prática tem custado caro aos cofres públicos e à qualidade do ensino. Evidentemente, não falta qualidade a todos os professores e funcionários das escolas públicas. Conheço alguns que, no meio desta realidade desagradável, se esforçam e se dedicam como verdadeiros heróis nacionais.

Diante da deficiência do ensino público, o Ricardo Coutinho, como é de seu feitio, resolveu realmente tentar mudar a realidade do estudante pobre da Paraíba e pegou o boi pelos chifres. Graças a Deus! Eu entendo que, já que os recursos são limitados, o primeiro passo do governo é o de reordenar ou remanejar os recursos físicos, financeiros e humanos disponíveis. Por isso, prédios e funcionários anteriormente semi-ociosos estão sendo remanejados e reorganizados. Diante da triste realidade do ensino público na Paraíba é gritantemente óbvio que tais medidas podem ser impopulares, mas necessárias. Também é importante levar em conta que as situações mudam em cidades e comunidades, e isto requer adaptações apropriadas. Isto se chama de reordenamento e as reações tabloidianas de certos meios de comunicação só se explicam por politicagem ou vontade de ter audiência a qualquer custo.

Muitas críticas tem sido feitas quanto ao “fechamento” de escolas dizendo que se abrir uma escola fecha um presídio e vice-versa. É evidente que quando Victor Hugo falou “Quem abre escolas, fecha presídios" ele estava exaltando a importância da educação e não os prédios em si. Se não fosse, era só construir escolas em cada esquina e demolir os presídios! É claro, portanto, que reconhecemos a importância da boa educação e por isso as mudanças são indispensáveis para mudar o triste status quo.

Eu entendo que as mudanças sendo feitas na Paraíba em 2012 são os primeiros passos num melhor aproveitamento dos recursos disponíveis para que se possa melhorar o ensino público. Evidentemente, teremos que ter também professores e funcionários exclusivamente concursados e bem pagos com os recursos disponíveis, como também espaços físicos melhorados e modernizados, a disponibilidade de bastante computadores e acesso a internet, material didático de qualidade, áreas poliesportivas etc.

Focando especificamente em Patos, fui informado pelo Gerente da 6ª Região de Ensino, Kacio Rogério de Araújo, que haverá o seguinte reordenamento ou remanejamento e que “aos alunos remanejados são garantidos vagas em escolas alternativas”.

1.    Escola Estadual Dom Fernando Gomes será transformada na sede da 6ª região de ensino e treinamento de professores. Os ex-alunos serão remanejados para três escolas próximas. Este fechamento se tornou necessário devido aos poucos alunos e altas despesas com relativamente muitos professores e funcionários. Esta mudança também beneficia a Escola Estadual Mons. Vieira que terá seu auditório devolvido para atividades culturais, educacionais e sociais.

2.    Escola Estadual Alexandrino Rodrigues era outra escola com um baixo co-eficiente aluno/professor/funcionário e não será fechada e sim transformada numa escola do EJA com custos mais baixos de manutenção. Os ex-alunos serão remanejados para colégios próximos.

3.    Escola Normal vinha funcionando irregularmente com ensino fundamental e EJA, mas agora voltará à legalidade com atividades plenas de uma Escola Normal. Os alunos do ensino fundamental e EJA serão remanejados para colégios apropriados.

4.    Escola PREMEM será transformada numa Escola Técnica de Ensino Médio que é uma ótima notícia para Patos. Os cursos que esta escola técnica oferecerá serão definidos pelos patoenses. Os ex-alunos serão remanejados para colégios próximos. Alguns desses estudantes já foram encaminhados para o Instituto São José no Bairro do Sebastião, escola que funciona em parceria com o Estado.
Diante do exposto, vejo as mudanças em Patos como um saldo positivo. O bom uso de recursos públicos é do interesse de todos e a Escola Técnica é de grande valor para a cidade. Espero que o centro de treinamento seja muito bem aproveitado para elevar o nível de qualidade do ensino estadual e a auto-estima do corpo docente. Precisamos ver cada escola em Patos bem administrada com equipes motivadas e valorizadas para o bem do nosso alunado.

 


Pastor John Philip Medcraft (naturalizado brasileiro e cidadão paraibano e patoense)

 



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