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06 de setembro de 2012, 15:06

O papel das Utopias


      O temo utopia foi usado pela primeira vez como título de um pequeno livro do autor inglês Thomas More (ou Morus, em latim), publicado em 1516. More criou a palavra a partir da junção de dois termos gregos u (“não”) e topos (“lugar”), ou seja, utopia significa literalmente “nenhum lugar” ou “lugar nenhum”. Com o livro, uma ficção, o autor pretendeu retratar  uma cidade que abrigaria uma sociedade ideal para se viver . Um mundo diferente daquele em que ele vivia, mais aperfeiçoado. O estudo das condições ideais de uma sociedade realizada por More serviu de inspiração a outros pensadores ao longo da História e o termo criado por ele ainda é usado para fazer referência a todo projeto, plano ou descrição de uma sociedade ideal. Não é à toa, por exemplo, que um século depois da publicação de utopia, dois outros pensadores escreveram obras utópicas de grande importância no mundo ocidental: A cidade do Sol (1623),de Tomás de Campanella,e Nova Atlântida(1627),de Francis Bacon.

     Apesar de More ter criado o tempo utopia, influenciando grandes pensadores, ele não foi o primeiro a descrever e pensar uma sociedade ideal. Essa tendência filosófica tem uma grande tradição no Ocidente. O filósofo Platão, no século V a.C., embora não tinha utilizado o termo utopia, escreveu os livros A República e Leis, nos quais descreve um mundo ideal em que problemas e imperfeições da sociedade em que vivia seriam melhorados e superados . A República é uma obra utópica, pois na sociedade que ele prevê as relações sociais alcançariam a justiça, o governo seria o melhor possível, a paz reinaria entre as pessoas e a felicidade seria certa. Plantão exerceu grande influência nessa espécie de literatura, servindo de modelo para que outras utopias fossem escritas, inclusive a de More.

      Pode-se dizer que, no mundo ocidental, a partir da influência de Platão e da etimologia criada por More, o caráter utópico passou a ser usado e estudado em muitos setores do pensamento: político, sociológico, filosófico e até mesmo na linguagem cotidiana. Ele pode ter muito características, presentes em diferentes obras, e possuir sistemas muito diversificados entre si. Mas há fatores comuns em todas as utopias.

     O pensamento utópico, muitas vezes, é visto apenas como fruto da imaginação do pensador que o idealizou. No entanto, ele não é apenas fruto da fantasia, mas, sobretudo, de sua capacidade racional. A utopia, na verdade, está relacionada ao esforço de determinado pensador em utilizar a razão para romper com a sociedade estabelecida e reordená-la com uma nova organização mais adequada do que a existência. Trata-se de um conceito associado quase sempre a um sentido positivo de mudança, transformação e melhoria das condições de vida. Nesse sentido, é importante dizer que o termo utopia não significa necessariamente aquilo que não é alcançável ou realizável­­­­­­­­­­­­­­­­ ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­ -, mas pode designar aquilo que é desejável e, principalmente, aquilo que pode ser realizado.


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