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02 de janeiro de 2013, 12:04

Zumbis da WEB


Bastou o sistema do patosonline passar a exigir que se tenha alguma conta numa rede social para que o leitor possa comentar as notícias, que o enxame de opiniões anônimas desapareceu. O que o patosonline fez não impede que alguém deixe de comentar anonimamente, mas dificulta o caminho. Quem quiser postar anonimamente agora terá de criar um perfil falso em algum site de relacionamento. E quem gosta de postar com vários nomes diferentes terá de criar várias contas diferentes também.

A única coisa que o patosonline calculou mal é que muita gente que não participa de rede social nenhuma ficou impedida de opinar no site. Ninguém pode só opinar no G1 se participar do Facebook nem só opinar no patosonline se tiver uma conta no Twitter. Isso é um erro e precisa ser resolvido.

O patosonline perdeu em interação, perdeu em jocosidade e polêmica, mas ganhou em honestidade e clareza, e desde que o novo sistema foi implantado o número de acessos continuou o mesmo, mas pouca gente tem comentado as notícias, e os que opinam o fazem com seus perfis verdadeiros, dando a cara à tapa, o que é realmente muito melhor do que aquele batalhão de covardes que usava o anonimato para esculachar com todo mundo.  

Tinha gente tão acostumada em opinar anonimamente nas notícias que possuía vários pseudônimos, gente que se auto-elogiava, gente que denegria os outros, e sabemos que muitas vezes eram pessoas que conviviam e convivem juntas, “amigas” até, mas protegidas pelos muros da WEB essas pessoas não se furtavam de atacar quem quer que fosse com todo tipo de golpes baixos e sórdidos.

Numa cidade como Patos, qualquer pessoa que faz a crítica anonimamente tem forte possibilidade de ser “amigo” ou próximo da pessoa criticada, pois tanto ranço não se pode justificar a não ser que o que critica tenha algo pessoal ou algum incômodo para com o criticado. Dava para se observar também que alguns elogios rasgados muitas vezes eram feitos pela própria pessoa a que se referia a notícia. Era um festival de boçalidades e trivialidades que dava a dimensão do que é o patoense em se tratando de intelecto. A inclusão digital deu ao sábio e ao jegue os mesmos direitos e os mesmos acessos e temos um longo caminho educacional ainda a ser percorrido no Brasil para que a média da população tenha pelo menos bons conhecimentos de português, de lógica, de ética, enfim, em resumo a Internet fez com que todo “zé mané” achasse que tem uma opinião sobre tudo, gerando uma montanha de irracionalismo e imbecilidades como nunca se viu em toda  a história. É como se aqueles zumbis dos filmes de terror passassem a escrever e a fazer parte das grandes discussões da vida e da política.       

Eu sou um defensor das liberdades, mas sou contra o anonimato. O anonimato só se justifica em caso de denúncia, quando o denunciante pode incorrer em perigo ou retaliação. Se quiser me atacar, me ataque, mas me ataque usando o seu nome e o seu rosto, para que eu tenha o direito de me defender e possa me dirigir a alguém de carne e osso, e não a uma “abstração”, pois quando eu publico os meus textos o faço de forma aberta, sem subterfúgios, dou a cara à tapa, e quem me agride o faz usando o subterfúgio medroso do anonimato, ou seja, não estamos em igualdade de condições.

Deixo com vocês uma frase do filósofo alemão Arthur Schopenhauer: "A liberdade de imprensa deverá ter por condição a mais rigorosa proibição do anonimato".

 

Wandecy Medeiros - wandecymedeiros@gmail.com

 


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