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08 de março de 2013, 09:21

Mulheres, o mundo ainda tem uma dívida muito grande com vocês!


O dia: 08 de março, o ano: 1917, na Rússia dezenas de mulheres de uma tecelagem resolveram entrar em greve, reclamando não por salários melhores, ou exigindo plano de saúde, queriam apenas comida. Trabalhavam em média 17 horas por dia, muitas auxiliadas pelos filhos pequenos, sem terem ao menos o direito de se alimentar. Esse grito de revolta foi o primeiro passo para queda do Czar Nicolau II cuja família governava aquela nação com mão de ferro há gerações. Foi à coragem daquelas mulheres que começou uma revolução, por isso, esse dia é lembrado é comemorado internacionalmente como a data em que o mundo ouviu a voz feminina falar mais alto e desafiar o sistema.

Foi o próprio Lenin, a pedido de Alexanadra Kollontai quem decretou na Rússia o primeiro feriado nacional dedicado as “heroicas mulheres trabalhadoras” como as chamava. Do outro lado do mundo, nos Estados Unidos, um incêndio na indústria Triangle mata 146 costureiras  que trabalhavam em condições desumanas fato que causou uma revolta popular tão grande que deu início ao surgimento das primeiros normas de segurança do trabalho. No começo, as coisas não foram fáceis para elas!

Passados esses anos as mulheres vêm conquistando espaço por suas qualidades de convencimento, observação e organização muitas delas em níveis incomuns entre nós homens, mas nem sempre foi assim. Nos tempos do império, D. Pedro I estabeleceu que somente quem tivesse rendimentos anuais superiores a $100 mil réis poderia ser eleitor e os que recebessem mais de $200 mil réis teriam o direito de se candidatar, a exceção das mulheres e negros colocados à margem do processo.

Mesmo a chegada da República em 1889, pregando ideais de igualdade e liberdade, não alterou a situação das mulheres que juntamente com os negros, analfabetos, militares e religiosos não poderiam sequer votar, direito que lhes foi dado apenas em 1932 – desde que provassem que tinham renda própria – Ou seja, se fosse uma simples dona de casa continuava sem vez. Anos depois o direito de voto facultativo foi concedido às mulheres que somente 12 anos à frente, na Carta de 1946, passariam a votar obrigatoriamente.

Nos anos 60, surgiu o Estatuto da Mulher Casada que regulava o comportamento das esposas e concedia alguns direitos, pois, o Código Civil de 1916, revogado completamente somente em 2003, trazia absurdos como, por exemplo: A mulher que se contraísse um segundo casamento perderia o poder sobre os filhos do primeiro matrimônio (art. 393), Que a vontade do homem prevalecia nas decisões do casal (art. 380), a mulher também era considerada relativamente incapaz até 1962 e poderia ser deserdada se perdesse a virgindade fato que também causaria anulação de casamento.

Enfim, nesse último século o mundo só evoluiu porque foi permitido às mulheres ocupar seu espaço no comando das famílias, de empresas, de governos. Sem essa liberdade o mundo não estaria usufruindo da criatividade feminina, ou você não sabia que invenções como: serra circular, a seringa, a geladeira, o controle da radioatividade, as lentes modernas de nossos óculos e segundo estudiosos até a mesmo a cerveja - produzida há mais de 6.000 anos - foram obra de mulheres.

Quem me responde o que seria da História sem Cleópatra, Helena de Tróia, Joana D´Arc, Elizabeth I, Princesa Isabel, Evita Perón ou a nossa Maria da Penha...  O que seria dos pobres sem Madre Tereza de Calcutá ou a na ausência de querida Irmã Dulce?

Por isso, amanhã é dia de comemorar e zelar por nossas esposas, mães, irmãs, filhas, avós... Enfim, por todas essas criaturas realmente superiores e lindas que não são apenas responsáveis por estarmos vivos, mas que estão presentes em muitos dos melhores momentos de nossas vidas. Parabéns Mulheres do Brasil!

 

 

Taciano Fontes

 


 


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