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11 de abril de 2013, 12:07

CEM DIAS DA PREFEITA


A coletiva dada pela prefeita Francisca Mota, pelos seus cem (poderia ser escrito com S) dias de governo, não trouxe nenhuma surpresa. Foram cem dias de projetos, de desculpas, de evasivas e de espera. Foram cem dias que, para o menos entendedor, apenas serviram para que a prefeitura procurasse uma fórmula que pudesse levar ao eleitor  uma justificativa que convencesse aos que esperavam, e ainda esperam,  que a nossa gestora, de fato, cumpra o que prometeu em seu ambicioso plano de governo.

Como se tivesse pisando em areia movediça, a nossa prefeita que, a bem da verdade, deixa transparecer  boa vontade, passou esses primeiros cem dias apenas dando desculpas, tentando se equilibrar sobre uma amarga realidade que, infelizmente, e por motivos óbvios, não veio ao conhecimento público.

Ora, se o mandato atual e uma continuação dos últimos oito anos; se a equipe de governo conta apenas com uma única cara nova – a engenheiro Assunção –; se a chamada equipe econômica, aí incluindo a contadora Clair Leitão, permaneceu na atual gestão, tudo igualzinho ao governo de Nabor, por que então a dificuldade, ao ponto de esperar que o Tribunal de Contas venha determinar quais os investimentos poderão ser feitos nesse início de administração?

Ora, atitude desse tipo se vê, quando quem ganha a eleição é um adversário que, desconhecendo a real situação do Município, teme pisar em falso e levar a culpa por eventuais desmandos do antecessor. Para correligionário esta atitude da prefeita Francisca é   francamente inusitada, nunca vista. Esperar o que do TCE, se lá tudo que existe foi graças aos documentos e às informações prestadas pela equipe que continua mandando? Se alguma dúvida existe, por que então não perguntar aos auxiliares remanescentes em sua quase totalidade, que geraram toda a documentação, cujas cópias devem estar arquivadas na prefeitura?

Apelar para o Tribunal de Contas ou é coisa de adversário desconfiado ou de correligionário que não deseja arcar com possíveis erros existentes. Caso houvesse, de fato, uma certeza, se de fato a nossa prefeita tivesse pisando em terreno sólido, já teria mandado ver, na execução de seu plano de governo, e nunca esperando pelo sinal verde do TCE.

Cem dias já se passaram sem que nenhuma obra de vulto fosse iniciada. O que se viu na prestação de contas feita durante a entrevista coletiva, foram projeções, a maioria delas focada no excelente trabalho, diga-se de passagem, do deputado Hugo Mota que, ao que deixou transparecer, será o responsável por todas as obras estruturantes que por ventura venham ser realizadas no futuro. É o caso de ser perguntar: será que todos os prefeitos que passaram anteriormente, somente realizaram importantes obras graças ao trabalho de deputados? Será que Rivaldo, Dinaldo e o próprio Nabor até a metade do seu segundo mandato contaram com  a exclusividade de um deputado Federal? Será que todos eles tiveram, na plenitude de suas gestões, o respaldo do governo do Estado?

O Orçamento da Prefeitura para este ano, está projetado em cima de R$ 224 milhões, dinheiro este que já poderia estar sendo usado para investimentos. A prefeita prometeu, para citar apenas um item de seu Plano de Governo, a construção de 1000 casas populares a cada ano, ou seja, quatro mil casas durante os quatro anos, o que daria uma média de 2,73 moradias por dia,  aproximadamente 80 por mês. Cem dias já se passaram e nenhuma delas foi edificada.

Mas, como seria possível construir mil casas, se para a Secretaria de Habitação, apenas um orçamento de R$940.000 foi projetado, segundo nos garante o jornalista e pesquisador Adilton Dias? Será que o nosso mestre de obras Hugo, terá que também arcar com  a responsabilidade de construí-las?

A prefeitura, pela projeção do Orçamento para 2.013, tem dinheiro suficiente para que obras sejam tocadas.

 Claro que é necessário, se possível,  um reforço por parte de convênios ou emendas parlamentares, mas, o que não se pode é ficar na inércia, deixando para a reclamação diária do público, os maus serviços prestados pela saúde, pela coleta de lixo, pela existência de esgotos à céu aberto, pela infestação de animais, inclusive cachorros doentes e transmissores de carrapatos, que circulam livremente pelas nossas ruas,  pela colocação exagerada de quebra-molas sem a devida sinalização, dentre outros serviços clamados pela sociedade.

A prefeitura anuncia  constantemente que as verbas necessárias para a complementação das obras inacabadas deixadas pela administração Nabor, dentre estas a Alça Sudoeste, as UPAS – a do Campo da Liga, bem como a Alça, continuam paradas - , o Canal do Frango, além de inúmeras outras, está depositada no Caixa Econômica,  à disposição da prefeitura. Não nos cabe, absolutamente, desmentir tal afirmativa ou duvidar dela. O que nos causa espécie é que, se o dinheiro de fato esta depositado na Caixa, por que então não tocar os projetos adiante e por que, também, paralelamente, não investir com dinheiro próprio em realizações e serviços que não somente foram prometidos em campanha, mas, que de fato, fazem falta à população?

Rezemos, por tanto, para que o inusitado documento do Tribunal de Contas chegue antes dos próximos cem dias, pois, parafraseando o que se diz da galinha: de cem em cem dias o mandato acaba.

José Augusto Longo

(josaugusto09.@gmail.com)

A MORTE DA MENINA FERNANDA ELLEN

A respeito do trágico assassinato da menina Fernanda Ellen, fato que abalou profundamente todo o Estado da Paraíba, transcrevemos, abaixo, lúcido comentário do jornalista Helder Moura, em sua prestigiada coluna no Jornal da Paraíba, edição de 09.04.013.

QUANDO SE MATA O FUTURO: OS SINOS DOBRAM POR FERNANDA

Por que a menina Fernanda Ellen? Se não fosse Fernanda, seria uma Maria, uma Patrícia, ou outra menina qualquer? Provavelmente seria. Não estava na sina de Fernanda. Estava na maldade do assassino. São visíveis os sinais de sua bestialidade. Fernanda provavelmente foi a escolhida para a imolação por ter cruzado o seu caminho.

E quantos satanases como esse não estarão bem ao nosso lado, transvestidos de humanos? Quantos deles não cruzam, impavidamente, nossos caminhos todos os dias e nos olham com o instinto do mal? Então, o que fazer para evitar que outras Fernandas sucumbam sob o peso dessa monstruosidade? Difícil saber. Talvez ninguém tenha a resposta.

Por que a menina Fernanda? Onze anos apenas viveu, tempo talvez insuficiente para compreender a maldade humana em toda sua extensão. Apenas onze anos. Que infortúnio viver apenas onze anos. Quem não poderia ser Fernanda daqui a dez, vinte ou trinta anos? Poderia ser alguém que encontrou a saída para a miséria no mundo? Quem vai saber.

Que imensa dor para um pai descobrir que onde havia vida, parte de sua vida, restou apenas um corpo. Onde havia uma esperança, ficou apenas o retrato da impiedade. Como resistir ao ímpeto de uma vingança, com uma Justiça que muitas vezes devolve um monstro para as ruas onde voltará a agir, pois esse é seu desígnio mais íntimo?

Que lástima testemunhar uma atrocidade dessas, quando não há conforto possível para a alma, apenas desencanto e tristeza. Que lástima a impotência que se abate diante da brutalidade desse crime. São assassinos assim que matam o futuro. Por isso, por mais que os sinos dobrem para Fernanda, nada aplacará o  coração dos que ficaram para chorar o fim trágico de sua vida”.


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