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03 de setembro de 2015, 19:38

DINALDO ESTÁ DE VOLTA AO TRECHO


Como um vulcão adormecido que começa a soltar aquela fumacinha de quem quer entrar em erupção, Dinaldo Wanderley, após a justiça tê-lo liberado dos processos a que, há anos, vinha respondendo e ter, por conseguinte, readquirido a sua elegibilidade, já começa, como quem finge que não quer, a aparecer nas redes sociais, dando bom dia, boa tarde e boa noite todos os dias, com aquele sorriso aberto de quem, por assim dizer, quer anunciar que continua vivo  na política patoenses e pode, a qualquer momento, anunciar a sua pretensão de retorno à vida pública.

Ninguém, por mais adversário que seja, pode desmerecer o poderio e a densidade eleitoral de Dinaldo. Mesmo tendo perdido duas eleições para o seu maior adversário Nabor Wanderley – a primeira com o ex-apadrinhado Dineudes Possidônio – hoje secretário da Prefeitura - e a segunda com ele próprio, mostrou forças ao eleger, ano passado, o filho Dinaldinho, para a Assembleia Legislativa, num combate direto com o próprio Nabor.

Não há porque negar que hoje, numa disputada pela prefeitura, qualquer adversário candidato, por forte que seja, topará uma barra pesada, já que o PMDB, aboletado nas poltronas do Palácio Clóves Sátyro, há quase doze anos, está, sem sombra de dúvidas, alicerçado e preparado para enfrentar a batalha com mais bala na agulha.

Mas, mesmo assim, com a velha estratégia de acordar cedo e andar a pés, pedindo votos de casa em casa, choramingando e fazendo-se passar por vítima, culpando os adversários pelos processos que carregou nas costas, quem sabe, pode até amolecer a consciência de velhos eleitores que, em virtude do seu afastamento inesperado e, por falta de um comando firme de quem ocupou seu lugar durante este tempo, se bandearam para o lado contrário, como por exemplo todos os vereadores, sem exceção, que foram eleitos usando o seu prestígio e hoje dormem sob o manto, pra eles abençoado, da prefeita Francisca Mota.

Vai encontrar, se quiser topar a parada, uma casa desarrumada, de portas arreganhadas, por onde fugiram alguns amigos que antes lhes manifestavam fidelidade canina, aqueles que, como gatos, gostam mais da casa do que do dono.

Não quero aqui dizer, e que isso fique bem claro, que Dinaldo será candidato ano vindouro, absolutamente. Aqui estou somente desenhando um quadro que é real. Até porque, como dizem os analistas de plantão, o candidato será o deputado estadual Dinaldinho, que, a bem da verdade, já demonstrou, em duas eleições que disputou, não ter a foça eleitoral do pai, de quem é dependente política e eleitoralmente. Se o candidato for Dinaldo, ferido e choroso, o resultado poderá ser um; se for Dinaldinho, naturalmente, será outro, totalmente diferente, pois, em campanhas políticas, já se provou sobejamente, que uma coisa é pedir votos para si, outra é pedir para os outros, mesmo que esse outro seja amigo, parente ou aderente.

Livre da Justiça como foi noticiado, o “Cabeção”, como gosta de ser chamado, candidato ou não, voltará ao nosso cenário político. Foi prefeito duas vezes, deixou algumas marcas positivas de sua administra, e assim como o adversário Nabor Wanderley, exerceu o mandato por duas ocasiões, tendo, como o adversário, feito destacada administração apenas no primeiro, numa prova cabal de que têm ampla razão, os que querem derrubar a maldita reeleição. Tivesse exercido apenas um mandato, quem sabe, não teria enfrentado a barra que enfrentou, perdendo compulsoriamente um mandato de deputado estadual e sofrendo na pele a pecha de fixa suja, somente agora livre dela. Por causa desse segundo mandato é que mais gente, num futuro talvez nem muito remoto, poderá amargar as mesmas agruras em municípios Paraíba a fora. Os exemplos estão aí e todos sabemos disso.

Com a liberação de Dinaldo, já se comenta à boca pequena pelas esquinas, que o PMDB, mesmo tendo a prefeita Francisca Mota direito a tentar uma reeleição, poderá ela ser trocada pelo atual deputado e ex-prefeito Nabor Wanderley que, sem sombra de dúvidas tem grande penetração política em Patos, principalmente diante dos habitantes das periferias. Mesmo sendo reconhecida, inegavelmente, como pessoa honrada, proba e de bons propósitos, contra a atual prefeita, conta alguns itens que pesarão diante de um candidato mais robusto. As obras inacabadas; as demissões de contratados às escâncaras por ordem judicial; aquela doação de terreno às pressas - que dizem não ter sido dela a iniciativa da doação -, em período eleitoral ainda envolta em sombria realidade; as denúncias por falta de medicamentos nos postos médicos que vem construindo às dezenas, sem que para isso sejam tais postos dotados de condições para o atendimento ao público, que sofre pelo péssimo atendimento médico/odontológico pela ausência de profissionais e de materiais adequados; o fato de que, mesmo mantendo o centro limpo e com a coleta sistemática do lixo, permite que a cidade seja infestada de animais, sobretudo cães e gatos que carregam doenças transmissíveis aos humanos, como calazar, por exemplo, sem que a sua gestão interfira, com a construção de um centro de zoonose que, na certa acudiria o problema, além da má vontade em servir de alguns dos seus auxiliares mais diretos que remontam das duas administrações anteriores e que ela não quis ou não pode demitir por compromissos assumidos por outras pessoas. Por isso a preocupação dos seus familiares/correligionários.

No entanto, como adivinhar é proibido e como em política até boi pode voar, tudo pode acontecer, inclusive nada. Daqui para outubro de 2016, ainda tem muito tempo e, somente este tempo, poderá nos mostrar o que acontecerá na política de Patos.

Assim sendo, com Francisca ou Nabor; com Dinaldo ou Dinaldinho, apenas uma certeza em tenho: o cancão vai piar!

José Augusto Longo

Josaugusto09@gmail.com

 


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