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16 de setembro de 2015, 11:40

DE NOVO A HISTÓRIA DA TERCEIRA VIA


Aqui em Patos, cidade politicamente dominadas pelas famílias Wanderley/Mota, sempre que se aproxima uma nova eleição, aparece a velha história da formação da tal de terceira via, que, na conversa de sempre, derrubará do trono os velhos e manjados inquilinos do Palácio Clóves Sátyro.

Costumeiramente, sem nenhuma liderança de destaque no cenário político local, vem a eleição e tudo volta a ser como antes. De novo as mesmas velhas caras contando os amontoados de votos e a antes pujante e falante “terceira via” fica a chupar os dedos, esperando outra eleição, quando tudo voltará a se repetir.

Ocorre que os idealistas da terceira via, somente começam a se articular, de fato, às vésperas do pleito e, sem nenhuma consistência plausível, não conseguem contabilizar, quando do resultado do pleito, votos que, pelo menos, arranhe o prestígio dos capitãs da gangorra que há anos disputam o Poder nesta que já foi a terceira cidade do Estado de que agora amarga um quinto ou sexto lugar, graças, verdade seja dita, a estes próprios gangorreiros que tudo prometem nas campanhas e que, após eleitos, aplicam aquela velha máxima do “Mateus, primeiro os teus”.

Mas, o que se pode fazer? Os eleitores de cabresto, que passam o tempo todo ligando para as emissoras de rádio criticando quem está no Poder, metendo o pau em reuniões nas esquinas, na hora da “onça beber água”, esquecem todas as agruras que passaram, esquecem da propalada “independência” e voltam a repetir o ato de quatro anos atrás, ou seja, dar o voto aos mandatários de plantão.

Para o pleito que se avizinha, a história se repete. Um grupo de eleitores, em sua maioria composto por jovens, vem de novo com o propósito de criar uma dissidência aos velhos políticos e até agora imbatíveis integrantes das duas tradicionais famílias. Mais uma vez, pelo andar da carruagem – feliz ou infelizmente -  vão dar com, os burros n’água.

Entendo que para que uma terceira via venha prevalecer, necessário se faz de que, também, um novo líder venha a se dispor a enfrentar a batalha, um novo líder que, de fato, represente o novo. Não adianta se querer combater velhos hábitos na política e na administração de Patos, com políticos idênticos ou, mais ou menos parecidos com os que aí estão a comandar os nossos destinos. O novo, naturalmente, precisa ser novo da cabeça aos pés.

Sem que se encontre um líder que venha com ideias novas, que tenha carisma e que possa envolver o eleitorado com propostas inovadoras, é malhar em ferro frio. Ir de Bonifácio Rocha, Lenildo Morais ou outro qualquer desse naipe, é perda de tempo. Não que Bonifácio ou Lenildo não sejam homens dignos, absolutamente. O problema é que nenhum dos dois representa o novo. Bonifácio que já foi vereador por duas vezes e que perdeu a última eleição a que disputou para a Casa de Juvenal Lúcio de Souza, todos sabemos, e eu faço questão de reafirmar, é um homem de bem, cheio de bons propósitos e que já conseguiu, inclusive, estrondosa votação na Região das Espinharas, quando se candidatou, anos passados, a deputado federal, obtendo, aqui, quase vinte mil votos. Recentemente se filiou ao PPS do vice-prefeito de João Pessoa, Nonato Bandeira, após abandonar a legenda do PSB. Como foi nomeado presidente do partido de Bandeira, ex-secretário do Governador Ricardo Coutinho, com quem rompeu e saiu atirando pra todo lado. Por isso, como o próprio Rocha ocupou a Secretaria Executiva da Fazenda estadual no primeiro mandato de Ricardo, caso candidato a prefeito, contará com duas barreiras consideradas intransponíveis: O combate que receberá dos dois concorrentes majoritários do PMDB e do PSDB, respectivamente, e terá ainda a combatê-lo, os aliados do governador, que, na certa, não pouparão críticas à sua atitude em abandonar Ricardo e aliar-se a um dos seus inimigos políticos mais azedos, sem, sequer, avaliarem os motivos de ordem pessoal que o levaram a se afastar da Secretaria das Finanças.

Mas, não resta nenhuma dúvida de que, como apoiador, Bonifácio Rocha, poderá ser de grande importância.

Quanto a Lenildo Morais, atualmente vice-prefeito e Secretário da pasta estadual da Agricultura Familiar, depende, para ser candidato à sucessão de Francisca Mota, de alguns fatores que precisa demandar. Primeiro, ele é do PT, que ainda está coligado, tanto com Ricardo Coutinho, em João pessoa, quanto com o PMDB, em Patos. Há ainda os outros impasses que encontrará pela frente, caso engrosse o cangote e queira lutar pela Prefeitura: de um lado o “casamento” administrativo e político de Coutinho com o grupo Mota, bem como a dívida contraída junto ao Governador, após assumir uma secretaria de Estado, isso na suposição de que seja grato ao Chefe do Executivo e, por tanto, submisso a qualquer posição política que Coutinho venha a tomar. Além disso, muita gente ainda se lembra de quando ele regressou a Patos, ocasião em que alto e bom som anunciava aos quatro ventos que seria candidato a Prefeito, nem que o prego entortasse a ponta. Teceu, na ocasião, inúmeras críticas ao Grupo Mota, na pessoa de Nabor Wanderley, então prefeito, e pouco depois, ao primeiro aceno, curvou-se ao grupo que combatia, deixou o prego enferrujar, e aceitou o posto que hoje ocupa, de vice dos Mota, muito embora, segundo se comenta, há muito tempo que a prefeita lhe deu as costas e não o convida nem para enterro de anão.

Voltando à terceira via, nada mais alvissareiro se tal processo vingasse, que tivéssemos em Patos um líder novo, de ideias novas. No entanto, um líder desta estirpe, não nasce da noite para o dia.

Se de fato há em Patos quem queira representar o novo, que este novo líder comece cedo a arrebanhar adeptos, apresentando propostas que impressionem à massa, arregimentando ao seu redor, pessoas dignas de crédito. Um líder não é fabricado pela vontade de quem quer que seja. Um líder é inato, um líder nasce líder, e não é possível que tal predicado, num universo de mais de cem mil pessoas, ainda não tenha nascido. O que precisamos é encontra-lo, dá-lhe condições para que desabroche.

Urge que Patos encontre a pessoa certa para encarnar a tal terceira via e isso não se faz de afogadilho.  No entanto, respeitamos e apoiamos todos aqueles que tentam apostar no novo.

E, enquanto isso não se concretiza, temos que aturar a gangorra que há algum tempo se verifica em Patos.

José Augusto Longo da Silva

(josaugusto09@gmail.com)

 


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