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22 de outubro de 2015, 10:48

E OS LADRÕES NÃO SE EMENDAM


Há uma máxima que diz que “a política é dinâmica”. Eu prefiro acha-la desavergonhadamente dinâmica. Na política brasileira, os seus militantes, mudam de partido, de atitudes e de modo de agir, como se muda de roupa. Os políticos brasileiros em sua quase totalidade, fazem da política a oportunidade de subirem, não em conceito, mas em oportunidade, sempre que seus interesses particulares falem mais alto.

Os exemplos estão aí, todos os dias, a mostrar-nos esta triste realidade. Os partidos são meras escadas por onde os salafrários galgam seus postos; a grande maioria dos detentores de mandatos eletivos nem ao menos sabem, ou se sabem fazem questão de esquecer, das metas estabelecidas em seus estatutos que, pensados por eles próprios em magistrais convenções, viram letras mortas. Não há partido algum, no Brasil, que cumpra o que rezam seus estatutos.  O Partido dos Trabalhadores é um exemplo claro disso. Quando foi pensado, o PT estabeleceu uma linha de conduta em defesa dos trabalhadores. Seus líderes, à frente o ex-presidente Lula, lutaram ardentemente pela retomada das liberdades tolhidas durante anos, pela chamada Revolução de Março. O PT recém-nascido, brigava por uma Constituição que fosse puramente nacionalista, que mostrasse ao mundo um Brasil democrático, que lutasse pelos interesses dos menos afortunados, que fizesse uma divisão equitativa de renda e, que sobretudo, zelasse pelas instituições nacionais, com denodo e probidade. Certa vez, entrevistando o reacionário da estrema direita, Ernane Sátyro, ele chegou a preconizar o PT como o partido do futuro, dado os seus estatutos nascidos na base da pirâmide, e que pensava de baixo para cima. Coitado do velho Ernane; fosse ele ainda vivo, estaria lamentando tal pronunciamento. Seria triste para um homem de convicções inabaláveis, um exemplo de coerência com os seus próprios entendimentos e honradez a toda prova, estar testemunhando a incrível mudança porque passaram aqueles homens antes imbuídos na melhor das intenções, justamente a ele, Ernane, um dos líderes maiores da própria Revolução, direitista sacramentado e que tinha no nascente e elogiado PT, um dos principais inimigos de suas ideias.

O que não chegou a antever o nosso ex-governador, é que o que os petistas esperavam, era a chance de abocanhar o Poder, nele se perpetuar e cometer os mesmos absurdos cometidos pelas outras agremiações tidas e havidas como tradicionalmente oportunistas.

Foi só chegarem ao Palácio do Planalto, depois de três tentativas, que mostraram as garras, garras estas afiadas durante a estafante espera. Líderes nacionalistas como Zé Dirceu, Zé Genuino e tantos outros, com a conivência do próprio Lula – que morre afirmando que não sabia de nada – meteram a mão no erário, sem dó nem piedade, transformando a cúpula do partido em verdadeira gang, roubalheira já demonstrada quando do Processo do Mensalão, e agora, com a famosa Operação LavaJato.

Claro que não somente o PT participa ou participou da roubalheira descoberta pelo Ministério Público e que está sendo levada a fundo, pelo juiz Sérgio Moro e sua equipe. Muitos outros partidos – PMDB, PSDB, PP e afins -, através de seus desonestos membros, se incluem nesse rol de bandidos. Mas, se citamos prioritariamente o Partido dos Trabalhadores, é justamente por ter sido ele, em seu nascedouro, um arauto da decência, onde todos os seus adeptos, como se tomados por um patriotismo digno de ser louvado até por adversários ferrenhos, como o direitista Ernane Sátyro, tivessem aparecido para salvar a Pátria da ladroagem há muito aqui estabelecida, desde aquele histórico grito de “terra à vista”, nos idos de 1500.

No PT, assim como nos demais partidos, ontem e hoje arrolados em escândalos que surpreendem o Mundo, têm homens de bem, homens dignos e de vergonha na cara. O problema é que todos estes brasileiros ficha-limpa, não estão no topo, estão na base. E daqui de baixo, não têm instrumentos para tomar medidas partidárias para acabar com a esculhambação estabelecida na torre.

Em verdade, o Brasil, pelo sentimento de impunida que ainda impera, no que pesem as iniciativas de combate-lo, notadamente pelo Ministério Público, transformou-se no País da corrução, onde o dinheiro público, a exemplo da atual Petrobrás, voa, sem passaporte para os paraísos fiscais, em detrimento das suas necessidades mais prementes, como educação, transporte, saúde e segurança. E quando surge, por parte do Congresso Nacional, diga-se de passagem, infestado de picaretas - como disse o próprio Lula -, uma CPI dando-nos a esperança de que alguma coisa seja feita, eis que esta CPI, montada com estardalhaços e presidida pelo nosso jovem deputado Hugo Mota, é encerrada, melancólica e vergonhosamente, sem apontar rumos, sem indiciar, sequer, um único parlamentar, dentre as muitas dezenas já denunciados por corrupção e desvio de dinheiro público e que já respondem por estes e outros delitos, prante o Supremo Tribunal Federal, a exemplo de Collor, Renan, Delcídio, Cunha e  muitos outros. E é por esta e por outras razões nada republicanas e, no que pesem algumas medidas punitivas de curto alcance, que os ladrões que infestam os palácios, as assembleias, as câmaras e as prefeituras, Brasil afora, não se emendam e continuam roubando.

José Augusto Longo

(josaugusto09@gmail.com)

 


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