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20 de novembro de 2015, 18:19

FRANCISCA EM CÉU DE BRIGADEIRO


Nunca, em tempo algum, um prefeito administrou o município de Patos com tanta liberdade, quanto Francisca Mota. Nem mesmo o médico Edmilson Mota, como todo o seu jeito diplomático de tratar as pessoas e até mesmo a Câmara Municipal, encontrou tanta facilidade para governar. Porque, até então, todos tiveram que ouvir críticas e acusações as maias diversas, fossem ou não fundamentadas. Até o jeitoso e conveniente Nabor, teve contra a sua administração denúncias e mais denúncias verbais partidas de oposicionistas radicais e xiitas, como por exemplo o vereador Ivanes Lacerda, que usou a tribuna da Câmara por oito anos para combate-lo. O carisma de Francisca é tão grande e tão contaminador, que até o radical vereador amainou o coração, ficou bonzinho e, há mais de três anos não abre a boca para fazer qualquer menção contrária a atual gestora. A bem da verdade há, atualmente, dois parlamentares – Jefferson Melquíades e Sales Júnior -, que têm se manifestado até com certa veemência contra os atos da prefeita, sem que, no entanto, seus inflamados discursos, talvez por que até bem pouco tempo gozassem das benesses do Palácio Clóves Sátiro, não encontram ressonância, nem lá, nem muito menos na sociedade que julga estarem eles, que foram eleitos graças a benevolência do PMDB, raivosos com o antigo esquema, por motivos até então não divulgados. A não ser que julguem que, por motivo da proximidade das eleições, os eleitores os façam merecedores do voto, mesmo sabendo terem eles, até bem pouco tempo, compactuado decisivamente, na Casa Juvenal Lúcio de Sousa, com todos os atos, benéficos ou não, provenientes da gestão com a qual agora divergem.

Não há porque negar que a prefeita tem acertado em muitas de suas decisões, mas, como não poderia deixar de ser, também tem cometido erros. No entanto, como não conta com nenhuma voz credenciada discrepante de sua atuação, segue, acertando ou errando, fazendo e acontecendo, como se assim estivesse procedendo com a plena unanimidade da população, fato este que não acontece nem com ela nem com outra qualquer administração.

Confesso que não consigo aquilatar se o fato da prefeita Francisca Mota governar sem uma oposição qualificada e acreditada – neste caso os dois vereadores acima citados não servem de parâmetro, já que até bem pouquinho tempo eram situação declarada e conivente -  termina sendo benéfico para ela e para a cidade. Estar totalmente de “melé” solto, quem sabe, pode ensejar a pratica de ações pouco pensadas ou realizadas sem o devido estudo. Como conta com a  maioria esmagadora da Câmara, pouco importa, penso eu, que as matérias pra lá enviadas para debates, estejam de conformidade com as práticas legais ou não. A Câmara, muitas vezes sem nenhum debate, aprova cegamente todos os projetos que lá chegam, desde que sejam chancelados pela prefeita.

Por ou outro lado, se a Câmara é comprometida com a administração, também a chamada oposição partidária procede como se ela própria não existisse, como se já não estivéssemos há menos de um ano para as eleições municipais.

Enquanto o deputado e ex-prefeito Nabor Wanderley está semanalmente na cidade, dando entrevistas, visitando os amigos, ouvindo suas reivindicações e se credenciado mais ainda para outros voos políticos futuros, o deputado Dinaldo Filho, candidato natural das oposições se isola, permanece na capital do Estado, preocupado, apenas, em fazer vingar uma CPI contra o governador Ricardo Coutinho, intento praticamente impossível de ser alcançado, face a esmagadora maioria com que o governador conta na Assembleia, bem como proceder reuniões com  a Universidade Estadual, que até o presente, não apresentaram nenhum resultado positivo. De resta, somente aparições esporádicas e descomprometidas com uma cidade que muito dele esperava.

Quando surgiu a notícia da anistia dada ao ex-prefeito Dinaldo Wanderley, eu ouvi de correligionários seus, palavras esperançosas de que o quadro poderia se modificar; mas, tirando os “bom dia” e os “boa tarde” em sua rede social, nenhuma palavra se ouviu dele, se posicionando a favor ou contra quem quer que seja. Certeza se tem de que, quando a campanha se deflagrar, todos aparecerão com os velhos discursos de sempre, criticando fatos e criando factoides, na doce ilusão de convencer a cidade de que são oposição. E, como tal, reaparecerão por aí a fazer denúncias e mais denúncias; se prometendo como salvadores da Pátria, uma “pátria” a quem deram as costas, deixando correr frouxo uma “situação” que a cada dia mais se consolida e que, com erros ou acertos – não precisa se ser profeta -, caminha célere para mais uma vitória nas urnas, a não ser que fatos novos e definitivos venham a surgir, baseados na apuração de denúncias e investigações ora em curso. Do contrário, paciência! A prefeita Francisca Mota, que tem direito legal a uma reeleição - pelo desleixo e omissão de quem deveria estar na cidade a lhe fazer oposição -, voará em céu de brigadeiro, rumo a sua permanência à frente da gestão municipal e, pelo “cari$ma” e competência em arregimenta admiradores, certamente logrará êxito.

Quem viver verá.

José Augusto Longo

(josaugusto09@gmail.com)

 


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