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07 de dezembro de 2015, 11:41

POR QUE DIABOS A PREFEITURA NÃO SE EXPLICA?


Já vem virando rotina, nos últimos meses, na Prefeitura Municipal de Patos, a visita inesperada de entidades federais de investigação, que fazem prisões coercitivas de secretários e funcionários, fuçam por horas, os arquivos da edilidade, apreendem muitos deles, levam computadores, enfim, fazem uma verdadeira varredura nos guardados do Palácio Clóves Sátyro. E, tudo isso, sob a enorme surpresa dos patoenses.

Claro, que virou costume, também, o chamado “segredo de Justiça”, o que aguça mais ainda, a expectativa popular. E, enquanto isso, enquanto os patoenses fazem conjecturas, as mais variadas, criando em seu imaginário motivos e mais motivos para tais investigações,  a Prefeitura, que tinha e tem a obrigação de se explicar, cala e transforma também para si um segredo que, se vale para a Justiça, por razões óbvias, dentre elas se evitar que documentos sejam escondidos ou que alguém possa prejudicar as provas que buscam, para ela, a Prefeitura, somente faz aumentar o suspense dando chance para que a boataria aconteça, com incriminações até de pessoas que, ao cabo das investigações, veremos nada ter com o problema, enquanto outras, que o imaginaria popular se abstêm de incluir em sua lista de suspeitos, poderão passar por verdadeiros culpados.

Nunca, em tempo algum, deve-se condenar alguém por antecipação; nunca, em tempo algum, deve-se incluir no rol dos culpados, pessoas inocentes, que, mesmo pertencendo a qualquer esquema sob investigação, são probos e honestos no trato com o erário.

O que não se concebe é que mais de vinte Promotores de Justiça, entidades como a CGU e o Gaeco, Agentes Federais, além de outros de igual importância, se abalem de suas sedes para virem a Patos tomar cafezinho, uma vez na Secretaria de Educação e duas vezes na seda da Prefeitura. Tais entidades não costumam fazer turismo, no entanto, se assim procedessem, naturalmente encontrariam neste imenso Brasil, climas e paisagens mais simpáticas e amenas, do que o Município de Emas e os nossos atuais 40 graus.

Tais visitas, levam-nos a crer que há algo de podre do reino da Dinamarca. Só pode haver algum ou alguns problemas que justifiquem a visita, com tanta frequência, dos agentes federais. O que não devemos fazer, e eu mesmo jamais farei, é arranjar culpados, ou citar nomes, pelo simples motivo de termos as nossas dúvidas quanto ao comportamento de A ou de B, no desempenho de funções públicas. O que sei e muita gente sabe é que, costumeiramente, aqui e alhures, muitos entram “Puxando uma cachorra e saem tangendo uma boiada”, conforme matéria que já publiquei neste espaço, meses passados. No entanto, nem todos esses sabichões pagam pela desonestidade cometida, uma vez que, vivaldinos como são, usam terceiros, idiotas e babões, em suas falcatruas, que terminam por pagarem o pato.

Eu continuo pregando a honestidade e a probidade da prefeita Francisca Mota que, caso se envolvesse em qualquer falcatrua, o que ainda não acredito, seria para mim a maior de todas as decepções. Sinceramente não creio que uma pessoa que assumiu a Prefeitura sendo detentora um passado político e pessoal dentro do mais alto conceito, vá encerrar sua vida pública, tentando, se for o caso, esconder safadeza alheia.

Por isso aguardo até com certa ansiedade, que a prefeita marque uma entrevista coletiva e venha, ela própria dar explicações por tantas visitas-surpresa, como a que aconteceu sexta feira, quatro do corrente.

A presidente Dilma Rousseff, logo soube que o presidente da Câmara Eduardo Cunha, havia dado entrada em seu pedido de impeachment, imediatamente reuniu os seus ministros mais próximos e, ela própria e de viva voz, em cadeia nacional, fez sua defesa. E olhe que lá, como quero crer, a coisa é mais preta e repercute muito mais, do que uma simples visita dos federais.

Não é soltando uma notinha assinada pela assessoria que nada explica e apenas volta-se contra o jornalista Josivan Antero, que exercendo um direito assegurado pela Constituição, divulga e comenta um fato acontecido às vistas do povo, que a coisa se esclarece. Se Josivan se excedeu, há um caminho por onde os ofendidos buscam reparação e os editores da notinha divulgada, sabem muito bem qual é, uma vez que dele já dispuseram e até perderam a viagem. Não adianta, simplesmente, se alegar que o processo corre em segredo de justiça. Isso a própria Justiça já declarou. Urge, isto sim, que o comando da administração fiscalizada dê sua versão, dê a sua versão de momento sobre o acontecido – deste e dos outros dois – para que a população tome conhecimento, pelo menos em parte, sobre o que vem acontecendo. Justificar um fato simplesmente atacante jornalistas, nada mais é do que querer desviar as atenções de um fato acontecido às vistas de todos. Usar também, de prepostos a repetirem nas páginas sociais o mesmo lenga-lenga de que o caso está em segredo de justiça, só irrita mais os leitores que sabem, de cor e salteado, o que a própria justiça federal, amplamente, já deu a conhecer. Esclarecer a estes que, por estar o processo em segredo de justiça, não aumenta ou diminui, a culpabilidade de quem quer que seja.

Sei que sou a pessoa menos indicada para dar conselhos, mas ousaria arriscar pelo menos este: venha dar explicações oficiais, dona Francisca. Muitos nesta cidade, por conhecer o seu passado, ainda confia na sua honestidade, na sua probidade e nas suas boas intenções. Venha a público, como fez a nossa presidente - esta sim, sabidamente acuada -, e faça a justificativa que todos, correligionários ou não – e principalmente estes – merecem ter.

Se for o caso, não assuma erros dos outros. Sua limpa biografia não merece ser manchada. Não seja zagueira de ninguém. Se alguém errou, se alguém meteu a mão - e eu não estou acusando absolutamente ninguém, pois para tanto não tenho provas – que componha a sua própria defesa e, se esta for igual a do meu Vasco, que encarem o rebaixamento sem culpar os juízes, nem muito menos à opinião pública que, torcendo contra ou a favor, aguada ansiosa um pronunciamento oficial, que, injustificavelmente, até agora não veio.

José Augusto Longo

(josaugusto09@gmail,com)

 


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