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29 de abril de 2016, 22:54

HOJE TEM ESPETÁCULO? TEM, SIM SENHOR!


Todo meu respeito e admiração aos Circos e seus palhaços profissionais. Esses verdadeiros trabalhadores ganham seu dinheirinho com trabalho, suor e sacrifício. Os palhaços do Circo são profissionais do mundo artístico-cultural. Afinal, o Circo faz parte inerente da nossa verdadeira cultura.  

Quero falar de um circo (com c minúsculo) diferente, de palhaços diferentes. Falo sobre o atual Congresso Nacional. Ali, sim, há um circo oposto do supracitado. Um circo montado com os votos de milhares de eleitores que são desprovidos de consciência crítica, de visão crítica da realidade cotidiana.  

No domingo passado, dia da votação do impeachment de Dilma, o “circo” abriu suas portas para o Brasil e o mundo, através das emissoras de televisão. O povo viu, ao vivo e em cores, a verdadeira palhaçada. O picadeiro ficou pequeno para tanta gente hipócrita, traidora, falsa, demagógica, oportunista etc. O espetáculo da fala, do canto, dos gestos etc. fizeram os brasileiros e o mundo ficarem boquiabertos. Foi uma verdadeira chacota, um horror de malandragem, enganação, traição, falácia, emocionalíssimo. Eu ria para não chorar. Aliás, a nossa revolta ficou misturada com o riso da tamanha palhaçada. Chorávamos e ríamos ao mesmo tempo.  

Ao lado da tribuna, onde os deputados expressavam seu voto contra ou a favor, ficaram os “assistentes”. Uns com cara de raiva, de ódio, de desprezo, de vingança, outros com cara de bobão, outros com cara de abestados, outros rindo, outros com cara de militar em plena selva atrás dos inimigos etc. Todos pareciam mais múmia do que gente. Olhavam para a câmera, como a dizer: ó eu aqui, olha pra mim. Esses bonitões não arredavam o pé. Queriam ser visto pelo povo. E de fato, foram vistos com verdadeiros assistentes do picadeiro. Em síntese, seria cômico se não fosse trágico.  

Na mesa central estava o chefe maior, todo bem vestido, parecendo uma pamonha bem amarrada. De lá, dava as ordens. E com sua ordem, o circo trabalhava a todo vapor fazendo milhões de brasileiros rirem de tanta palhaçada: hoje tem espetáculo?  Tem, sim senhor!  

Na hora do circo, o povo ria, ria, ria e ria. Vi muita gargalhada. Os comentários no dia seguinte eram impressionantes. Nunca vi coisa igual. Eram comentários cômicos. Por trás desses risos, dessas conversas, estava toda uma revoltada, uma grande indignação, insatisfação, constrangimento. De fato, o Congresso Nacional tornou-se motivo de grandes chacotas.  

Vejam o que ouvi de muitas pessoas que presenciaram os horrores naquela casa dita do povo:  


-Pela minha vaca que vai dar cria, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pela minha vó que morreu há dez anos, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pela minha irmã que ganhou neném, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pela minha cabra amojada que vai dar cria, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pelos os asteroides que mataram, há milhões de anos, os dinossauros, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pela minha sogra, que inferniza a minha vida, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pela cirurgia plástica da minha nádega, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pela venta do meu papagaio, pela orelha do meu jumento, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pela minha bacorinha, que hoje amanheceu com dor de barriga, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pelo meu gato de estimação, que hoje tomou vacina, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pelas anáguas de minha bisavó, que a guardo como lembrança, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pelo pinico do meu bisavô, que o guardo como relíquia, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pelas minhas galinhas, pelo meu galo, pela minha égua de estimação, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pelas paredes da casa de minha sogra que estão caindo, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pelo jumento do meu tio, que ontem invadiu a roça do seu vizinho, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pelo o mandacaru da roça do meu eleitor que está florando, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pela minha mulher que adora perfume caro, sapato da moda, roupa estilo europeu, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pela minha filha que mora na França, num bairro nobre, chique, que vive passeando por toda a Europa, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pela minha mãe que chegou de Londres toda bonitona, charmosa, com muito euro e dólar na bolsa de sete mil reais, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pela minha viagem programada para vários países do mundo, eu digo sim, senhor  presidente.-  

 

-Pelos os abestalhados, ignorantes, alienados, que votaram em mim, eu digo, sim, senhor presidente.  

 

-Pelos os “coronéis” da minha região, que tão bem sabem controlar os meus votos, eu digo sim, senhor presidente.  

 

-Pelos meus eleitores ignorantes, abestados, bobos, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelos meus eleitores que em tempo de campanha eleitoral, levam poeira na cara quando ficam correndo atrás de mim, feito bando de abestados, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelas pessoas que venderam o seu voto, negociaram seu voto, para eu ganhar com muitos votos, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelos meus sagrados cabos eleitorais, que em tempo de campanha, recebe meu dinheiro para comprar votos, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelos meus currais eleitorais, com meus votos de cabresto, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelo meu dinheiro que compra os votos dos eleitores do sertão, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelas minhas palavras bonitas, enfeitadas, emocionantes, que levam os eleitores ignorantes a votarem em mim, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pela falta de merenda nas escolas de São Paulo, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelo rio tietê que morreu, coitadinho, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelo programa de Chacrinha que não existe mais, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelas escolas de samba do Rio de Janeiro, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelas praias de Ipanema, Leblon, no Rio de Janeiro, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelas minhas fazendas, minha boiada, meus escravos, lá pra banda de Goiás, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pela minha filhinha linda, charmosa, que estuda medicina para ser importante e ganhar muito dinheiro, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelas minhas empresas, meu capital, meu lucro, minhas mansões, meus carrões, meu dinheirão nos bancos da Suíça, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelo meu neto que vai ser juiz, vai ser muito importante, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelo meu lindo e luxuoso condomínio, onde pobre não entra, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelos caríssimos e elegantes restaurantes, onde eu e minha família fazemos gostosas refeições no final de semana, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelas cheias do rio Amazonas, pelos peixes, pelos barcos, pelo minha comida preferida chamada açaí, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelas flores, pelos gelos, pelas saborosas uvas do meu Rio Grande do Sul, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelas ruas lindas, iluminadas, do meu bairro rico, chique, onde a minha turma dos ricos andam com seus carrões elegantes, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelos fieis da minha igreja, que pagam bem direitinho o seu dízimo, digo sim, senhor presidente.

 

-Pela minha Igreja, onde os fiéis votam bem direitinho em mim, a pedido do  líder religioso, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pela Bíblia, pelas curas, pelos milagres, pelo sucesso econômico da minha Igreja, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Pelos movimentos da minha Igreja, que num gesto quase mágico,  me arrumaram milhares de votos dos fiéis seguidores, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Por Deus, que concede cura, bênçãos e mais bênçãos a mim, a minha mulher e aos meus filhos, eu digo sim, senhor presidente.

 

-Em nome da ditadura, dos ditadores, das armas, das atrocidades merecidas, eu digo sim, senhor presidente.

 

E o circo continua, só que desta vez será no Senado Federal.

 

Hoje tem espetáculo? Tem, sim senhor!

 

Padre Djacy Brasileiro, em 29 de abril de 2016.

E-mail: padredjacy@hotmail.com

Twitter:  @PadreDjacy

 


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