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14 de junho de 2016, 05:53

PMDB descarta Francisca e lança Nabor Wanderley como pré-candidato a prefeito de Patos


Até este domingo, 12 de junho, reinava expectativa sobre quem seria o candidato a prefeito do PMDB em Patos. Se a atual prefeita Francisca Motta, maior liderança do partido, se o ex-prefeito e ex-genro Nabor Wanderley. Reunida neste domingo a diretoria executiva do partido resolveu lançar o nome do deputado Nabor Wanderley como o pré-candidato do partido a prefeito nas próximas eleições. Participaram do evento, que aconteceu no auditório da ACIAP, lideranças políticas de Patos e região, bem como o senador, José Maranhão, o deputado federal, Hugo Motta, o tesoureiro do PMDB estadual, Antônio Souza, e o presidente do PMDB Jovem estadual. Francisca Motta foi quem fez o anuncio e justificou sua decisão de não concorrer à reeleição, dizendo que se antecipa a uma medida da reforma eleitoral onde os titulares de cargos do executivo só irão exercer seus mandatos uma vez, se direito a uma reeleição imediata. Ou seja, a desculpa usada pela prefeita foi uma reforma eleitoral que ninguém sabe nem se irá acontecer e que acaba com a reeleição para cargos executivos. Esta reforma certamente não a atingiria pois só teria aplicação um ano depois de sua aprovação pelo Congresso, o que ainda não aconteceu.

         O que aconteceu, na verdade, é que Francisca Motta enfrenta um grande desgaste, desde que assumiu a prefeitura de Patos, três anos e seis meses atrás. Por conta desse desgaste, as pesquisas feitas para controle interno, tanto pela situação como pela oposição, dão um gritante contraste entre a aceitação popular do nome de Francisca Motta e a do nome de Nabor Wanderley, quando se pesquisam os cenários em que os dois nomes do PMDB enfrentam o nome de Dinaldinho Wanderley, principal candidato da oposição. Francisca perderia para Dinaldinho com mais de trinta por cento de diferença, enquanto Nabor tem aceitação bem próxima a de Dinaldinho, nas pesquisas vazadas pelo PMDB e perde por menos de dez por cento para o candidato de oposição, segundo as pesquisas vazadas por setores oposicionistas. A pequena aceitação de Francisca é que teria influído no descarte do seu nome pelo PMDB e não  o seu desinteresse pela reeleição. Claro que os peemedebistas vão negar isso, mas quem está bem informado sobre os bastidores da política local, sabe desse fato, que me foi informado, inclusive, por um vereador da base da prefeita.

         O saudoso José Augusto Longo, um dos mais lúcidos analistas da política de Patos, já previa isso, três anos atrás. Em artigo publicado pelo portal Patos Online, em 22/08/2013, sob o título PREFEITURA EM PALPOS DE ARANHA, (reproduzido na Revista da Semana de 25 de agosto), ele já antecipava isso: “Às vezes fico a imaginar quanto arrependimento não sente a prefeita,  que tinha uma vida tranquila, cinco mandados de deputada estadual conseguidos graças ao trabalho eficiente que executou durante todos os anos em que serviu a Patos e região, na qualidade de nossa representante na Assembleia Legislativa. Exerceu Francisca Mota, um dos mais dignos mandatos, tornando-se assim, uma figura respeitável no cenário político paraibano e no seio da sociedade. Mulher íntegra, séria, de conduta ilibada.

Mas, como dizem os mais velhos, parece que o sangue falou mais alto. Assim sendo, ela preferiu sacrificar uma estabilidade cômoda, pelos atropelos de uma administração que está longe de ser comparada com a atuação que teve como deputada.

E, pelo andar da carruagem, parece que teremos de esperar mais algum tempo para vermos colocado em prática, o estilo Francisca Mota de ser”.

         Mais recentemente, em 02/04/2014, em artigo intitulado EM DEFESA DE DONA FRANCISCA, no mesmo portal (reproduzido pela Revista da Semana em 06 de abril), Zé Augusto fazia outra análise das mais lúcidas sobre a situação: “Que culpa tem a nossa prefeita, por atos corretos ou não,  cometidos anteriormente à sua gestão? Quem, por exemplo, empurrou parte do nosso rico dinheirinho em direção ao Rio Grande do Norte, através do tão propalado e festejado “Canal da Redenção”, que terminou, trágica e vergonhosamente, no maior desastre administrativo da nossa história, foi ela? Quem empregou todo o dinheiro do projeto na construção de uma UPA, no Campo da Liga – e não a terminou - que deveria ter sido inaugurada em 2010, cuja placa, deitada no local, fala disso,  foi ela? Quem atrasou o início da outra UPA, do Bairro do Monte Castelo,  agora em fase de construção,  foi Francisca? Quem planejou e iniciou a  Alça Sudeste, ainda hoje inacabada e enfeando a cidade, naquela que, ao lado do Canal do Frango, se edificaria também uma administração que se dizia revolucionária, ética e progressista? Quem retardou por anos o inicio da construção do Teatro Ernane Sátyro, mesmo como se anunciava, com parte do dinheiro depositado à ordem da Prefeitura, será que foi a prefeita atual? E quem sepultou o projeto “Terceiro Tempo”, que prometia tirar os garotos da rua através dos esportes? Quem enterrou o projeto da chamada “Cidade Digital”, hoje, se não me engano, funcionando apenas na Praça Getúlio Vargas?  Quem atrasou a edificação de algumas academias nas ruas, a exemplo das Praças Perequeté e Nossa Senhora de Fátima, além de outras lambanças afins, será que foi Francisca Mota?  Não!  A ela cabe apenas o ônus por calar e admitir interferências indesejáveis na administração, como a ocorrida recentemente quando da doação de terreno valioso a uma firma que aqui pousou de paraquedas, cujo projeto era desconhecido até mesmo dela, segundo suas próprias declarações ao repórter Adilton Dias. Será que era ela a interessada nessa doação, ou foi induzida por alguém de sua inteira confiança que, ansioso pela doação, por motivos que desconfiamos quais sejam, a fez assinar sem ler um projeto que até mesmo a Câmara esqueceu-se de verificar e discuti-lo logo na primeira votação? 

É preciso que a prefeita tome  consciência da gravidade da repercussão que todos estes problemas acarretarão num futuro não muito distante. A  interferência de terceiros na administração, atua como bumerangue, que jogado por alguém que se esconde atrás de um biombo qualquer, voltará para suas mãos de gestora. 

Não vamos, absolutamente, nos arvorar de conselheiros, de donos da verdade. Apenas vamos, em nome do conhecimento que temos de sua conduta até hoje irretocável, adverti-la, antes que o pior aconteça.”

         Não me venham dizer que José Augusto Longo era profeta. Era apenas um observador lúcido da política de Patos que se manifestava sem “a$ amarra$” com que trabalham muitos dos nossos analistas. 

         O resultado está aí. Nabor é o candidato do partido. Resta ao PMDB rezar para que o Tribunal de Justiça não julgue antes das eleições, como segunda instância ou como instância original, um dos inúmeros processos existentes contra o ex-prefeito e atual deputado. Uma única condenação no Tribunal de Justiça tornará Nabor inelegível. E aí, que saída restaria ao PMDB? Convencer Francisca de que a reeleição para prefeito não é “bicho de sete cabeças” ou empinar o nome de Hugo Motta, Nadir Rodrigues ou outras lideranças periféricas do partido?

         Se Nabor conseguir escapar dos julgamentos do Tribunal de Justiça, por absolvição ou por não submissão ao julgamento tempestivo pela egrégia corte, teremos uma batalha muito disputada, entre dois Wanderley, Dinaldinho e Naborzinho, quando o eleitor decidirá o que acha melhor para Patos: continuar com a mesma administração dos últimos doze anos, ou apostar numa mudança com Dinaldinho. Ambos os candidatos, por sua parte, terão diante de si uma velha “escrita”. Dinaldinho a de que Patos sempre elege um derrotado em eleição anterior. Nabor a de que Patos nunca elege um antigo ocupante da prefeitura. É esperar para ver.

 

 

Luiz Gonzaga Lima de Morais

 

 

 


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