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06 de setembro de 2016, 10:46

Abacadabra !


Acabou o espetáculo. Fecha-se o pano. De repente, tudo voltou ao normal.

Palhaços, cômicos, ilusionistas e público expectador são a mesma coisa. Confundem-se. Misturam-se e comentam o espetáculo. Elogiam uns, enquanto a outros criticam.  Aqui e acolá surgem pontos de discórdia severos, mas todos foram iludidos e neste ponto há concordância geral. O espetáculo montado foi realmente genial. Cada um viu o que desejava ver. Cada um aplaudiu o que achava merecedor aplaudir.

               ABACADABRA! Exclama o Ilusionista - mor.

               Esvazia-se o Teatro. Todos saem confusos, desnorteados, sem rumo certo. Aquilo que viram foi inacreditável. Aonde foi a realidade? O que realmente foi verdade?

               Agora, todos tentam voltar á vida normal. Perdoem. Normal, não. Corriqueira, eu diria. Pior, diriam outros. Não importa. O espetáculo foi excelente e o ilusionista foi fantástico. Quem é ele?  Dizem que é um gênio do mal cujo poder de dominação e influencia é tão grande que ninguém pode afrontá-lo. Dizem que tem a capacidade de dominar qualquer poder, seja ele qual for. Apresenta-se qual demônio travestido em anjo. Ele sempre consegue o que quer. Tem os seus seguidores que são cegos, sem inteligência e o obedecem sem contestar.

                 Desta vez ele se superou e dominou tudo o quanto houvesse que lhe pudesse atrapalhar os seus planos minuciosamente arquitetados. Foi realmente genial, no final do espetáculo, no último ato, fulminar a heroína inocente e fazer parte do público acreditar que os seus algozes fossem  os verdadeiros heróis. 

                 ABACADABRA!

                  Todos olham para o céu que ele aponta. As nuvens ameaçadoras desapareceram – passe de mágica – misteriosamente. Na manhã seguinte percebe-se que parece não existir mais problemas... Tudo está as mil maravilhas ou tudo estará até que as ilusões  passem.

                  Passarão?

                  Sim, passarão quando sentirem que, iludidos, perderam muito e perderão muito mais. Perderam o líder verdadeiro.  Alguns que não se deixaram hipnotizar e resistiram à tentativa do controle coletivo são os que podem ainda trazer o bem para todos e felicidade geral para a Nação.

                  A maioria do povo é passarinho. Tem asas, mas seu vôo é curto e incerto sem o líder verdadeiro para lhe mostrar as fontes, as flores, os frutos e o rumo acertado. Sem um líder confiável, o seu vôo é suicida. Devorar-lhe-á, os abutres de plantão.

                 Voará sem norte e então sentirá saudades da Águia Coroada.

 

                 Onde estará ela?

                 Está no cimo da montanha, observando o movimento dos seus inimigos que acham que ela está morta.

                 Imperturbável, os observa.                                                                         

                 Os seus inimigos são aves de rapina. Não tem honra, nem moral. São mentirosos e enganadores. Ela sabe disso e sabe que eles sucumbirão inevitavelmente no mesmo abismo de onde ousaram sair. Abjetas criaturas.

                 Não há nada de novo...

                 Já assistimos outros carnavais, no passado.

                 No dia 13 de março de 1990, Fernando Collor de Melo era empossado e recebia a faixa presidencial, após derrotar Luis Inácio da Silva. Tinha como meta principal do seu governo combater a corrupção. Intitulou-se de ‘ O caçador de Marajás’ e saiu à caça de corruptos.

                 Cuidava bem da sua imagem e gostava de se apresentar para o público como um jovem destemido e impetuoso. Pilotava carros de fórmula 1 e aviões supersônicos da FAB. O povo de inicio admirava-lhe muito e confiava nele.

                 Ameaçou Deus e o Mundo e fez inimigos poderosos. Dois anos se passaram e então os índices de sua popularidade começaram a declinar drasticamente.

                 Combater a corrupção e dominar a inflação no nosso país é tarefa complicada, titânica, porque tudo está contaminado pelos ratos vorazes. Collor falhou. Sem apoio qualquer um falha.

                 Entraram em ação os mesmos inimigos da Democracia, ou parte deles, que hoje combatem Dilma e combatem Lula.

                 Os mesmos jornais, as mesmas revistas e as mesmas emissores de televisão com as suas idênticas técnicas usadas para enganar o povo, com o apoio do PT , de Sindicatos e outros partidos políticos iniciaram uma campanha fulminante e pediram seu Impeachment, baseados nos mesmos fatos e denuncias com os quais engendraram o impeachment de Dilma, atualmente consumado.

                 Collor, sabendo que iria fatalmente perder a presidência na votação do Senado, renuncia a ela. Dilma não renunciou. Foi até o fim e, se disse inocente, num discurso memorável diante dos seus algozes e para toda uma Nação. Para o Mundo Democrático ouvir e testemunhar.

                  Inocente e heróica!

                  Dilma, no Senado, perdeu o seu mandato, mas saiu de cabeça erguida, nos braços do povo. Não renunciou e  não se admitiu culpada, falou a verdade, desmoralizou o golpe, deixou o governo consciente de que sua força está no mandato que o povo lhe concedeu, nas urnas, democraticamente... Nas ruas e nas praças o povo democrático e consciente em concentrações monumentais pede sua volta.

                   A voz do povo é a voz de Deus.

                   No mês de abril do ano de 2014 o Supremo Tribunal Federal concluiu que Collor de Melo era inocente. Decisão tardia. O mal estava feito.

 

                   Acontecerá o mesmo com Dilma?

                   O futuro dirá. Se acontecer, será tarde demais. Não  remediará o golpe dado contra a Democracia. Nem valerá para nada o seu mea culpa . O tempo não volta atrás. Infelizmente.

                                C’est fini. Au revoir! ...

 

                                 Souza Irmão.  06-09-2016.


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