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15 de setembro de 2016, 09:26

O TRISTE FIM DE UM PODEROSO


               Acabou o poder do homem mais influente e temido da República, atualmente.

               Meus pêsames. Enfim, acabou a sua agonia. Que morte triste... Inglória. Nem mesmo o seu pedido de clemência foi levado em consideração e nem as suas lágrimas comoveram ninguém. Prejudicou a muitos, cometeu abusos, foi prepotente, agiu sem pensar nas conseqüências dos seus atos. Arrependimento tardio...

               A cena é chocante...

               Nos estertores finais da sua agonia mortal está ali parado entre os seus julgadores, sem acreditar no que vê... Encara a congregação que o cerca e os seus olhos procuram apoio nos amigos, outrora confidentes, que já não mais existe. Compreende então que está próximo o seu fim. Sabe disso. Os antigos aliados, a quem dominava e impunha a sua vontade estão acovardados. Prontos para traí-lo. Desgraça maior não existe.

                Está próximo o veredicto.

                Pensa talvez agora na sua família, no seu prestígio perdido, no seu mandato, no seu Deus... Examina a sua consciência, mas esta também lhe acusa. Seu Deus, outrora tão pródigo, agora o abandonou, no patíbulo. Tudo lhe foi dado para o bem, no entanto preferiu usar para o mal. Deus está fora disso.  

                Agora vai pagar por tudo. Que tempo perdido...

               Se pudesse, voltaria atrás e não cometeria tanta injustiça e nem agiria impulsionado pelo ódio ou talvez não desse nenhuma atenção aos que lhe trairão agora e vão agora condená-lo . Seres pusilânimes.

               As horas passam... A assembléia o acusa. Poucos o defendem. Lá fora, as vozes roucas das ruas pedem a sua condenação. Turba incontrolável. Ninguém pode  calar estas vozes que lhe atormentam... São as vozes do povo. É a voz de Deus.  

               Agora o seu pensamento se volta para a análise dos os últimos meses, dos últimos dias. Tanta riqueza acumulada, tantas informações preciosas guardadas. Em suas mãos e em sigilo absoluto, ainda existe esse trunfo. Guardá-lo-á na sua Tumba  e ninguém terá acesso a ela.

               Talvez as futuras gerações descubram o mistério das chaves mágicas e tenham acesso aos seus segredos. Agora não e talvez sim, se preciso for... Abrirá o seu perigoso cofre de informações, só no caso de servir para salvar a sua família e para livrar-se de coisa pior. Ali estão guardados segredos perigosos que podem destruir toda a credibilidade de um sistema, pode implodir os frágeis alicerces da política, pode por em risco a segurança de uma nação. Lá estão grafados os nomes dos corrompidos, dos corruptores, as suas artimanhas, as suas falcatruas, a origem e destino dos bens adquiridos ilegalmente por uma comandita infame e em todas as esferas do poder.

                   Sente agora, no próprio íntimo, a dor do abandono e a ignomínia da traição. Antigos aliados, falsos amigos, beneficiados tantas vezes por ele lhe dão as costas. Como é revoltante isso. Se pudesse cuspiria agora na cara de cada um deles e com prazer.

                   Agora tem que manter a calma. As aparências são importantes no jogo do poder. Mesmo na hora da morte é necessário manter-se sereno, não se humilhar e receber o golpe fatal com dignidade.

                    Espera, resignado... Afinal, se toda uma nação o condenou merecerá, sem dúvida, o castigo.  

                     Chegou a hora fatal...

                      Os seus olhos estão fixos no painel onde de assentam, um a um, os nomes dos seus juízes. Ele acompanha cada anotação, num silencio tumular. Agonia insuportável... Melhor que lhe cortassem a cabeça logo, impiedosamente, sem lhe mostrarem o gume doloroso da navalha.

                      Vota-se abertamente para todo um povo assistir e testemunhar. 450 a favor e 10 contra é o resultado não esperado por ele. Foi traído.  Sente um choque fulminante. Somente dez lhe apoiaram... Traidores!  Toda uma vida destruída, talvez.

                      Cortam-lhe a cabeça.              Arrancam-lhe o poder das mãos. Ele está morto, politicamente acabado,  mas ressuscitará. Daqui a oito anos ele voltará, talvez.

                        Agora ele deve agir na escuridão e agirá com certeza.

                       Aguardem a sua Vingança. Ela será maligna e cruel.

                       Antes da sua volta esperada ele, nos bastidores, longe das luzes e das câmeras, fará cair, um a um  e sem piedade, os que lhe foram infiéis.

                       O primeiro deles está na sua mira.

                       Quem será? 

                        Souza Irmão - 14-09-2014


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