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25 de outubro de 2016, 08:47

A ARRIBADA DOS CORRUPTOS


               A cena é deprimente, vergonhosa e até inimaginável que pudesse se dar um dia e o acontecimento inesperado, por si mesmo revelou tudo, abertamente. Revelou a que nível de corrupção chegaram os nossos parlamentares e o clima atual nas nossas casas legislativas.

               Uma vergonha para o Parlamento Brasileiro. Motivo de zombarias, críticas e risos ao redor do mundo. Coisa inusitada e indigna para um país que se afirma civilizado e que o reconhecem, como potencia continental, todas as nações que com ele mantêm interesses comerciais e relações diplomáticas.

                Com tantos escândalos escancarados ao público nos últimos anos envolvendo políticos da mais alta estirpe e divulgados pelo mundo afora pela Imprensa e pelas redes sociais, na maior falta de cerimônia, razões havia para se pensar que o Brasil não é um país sério. Agora, diante de tal cena, ridícula e vexatória, pode-se afirmar categoricamente que não é mesmo, indubitavelmente.

                 Tudo aconteceu assim...     

                 De repente, lá fora, um frenesi assustador. Viaturas da Polícia Federal fazendo um barulho ensurdecedor com as suas sirenes estridentes para chamar a atenção como, aliás, sempre acontece. Agentes armados até os dentes invadem o Senado, de supetão, requisitando documentos e prendendo funcionários graduados.   

                  Algumas pessoas sem nada compreenderem são abordadas, outras se escondem para não pagarem o pato, outros mais adiante, nervosos e em desabalada carreira, procuram um esconderijo seguro. Gritinhos nervosos partem das funcionárias mais sensíveis misturando-se aos de alguns afeminados também. No meio do tumulto acontece um desmaio aqui e outro acolá porque não se sabe bem o que está acontecendo. O pânico é geral e se espalha como um rastilho de pólvora.

                 Instala-se imediatamente o caos. Começa então a arribada incontrolável e perigosa dos apavorados. É a fuga desesperada da Gabiruzama imoral, indecente e larapia procurando escapar da abordagem policial inesperada...

                  Já, a certa altura do acontecimento, ninguém se entende mais no meio da bagunça generalizada e, dominados pelo pavor, entrechocam-se muitos, em desordem, na doida e cega carreira monumental.

                    É o Apocalipse, gritam alguns. É o Fim do Mundo, afirmam outros. É a Vingança da Múmia, dizem os mais bem informados.

                 Será?

                 Alguém, em visível estado de pânico, grita do corredor; É a Polícia Federal que está aqui e vai prender pelo menos cem GRAÚDOS e muitos funcionários... Cunha denunciou, entregou todo mundo em delação premiada. O Juiz Moro mandou buscar a primeira leva. Outro comboio está a caminho e sem demora virá buscar o resto.  Salvem-se os que puderem... Pernas prá que te quero senão é cana e das brabas.

                  A Gabiruzama estoura, apavorada... 

               Seria necessário o gênio de um Euclides da Cunha, que em Os Sertões descreve, minuciosamente, o perigo de um estouro da boiada, para narrar um momento tão incompreensível e absurdo, semelhante a este, que protagonizaram os nossos excelentíssimos representantes.

               Lá, em seus escritos, ele afirma que basta o vôo rasante de uma ave qualquer, o pio de uma coruja agoureira, o estalido de um galho seco quebrado sob as patas de uma novilha transviada, para que, de súbito, ela se espante transfundindo para todo o rebanho o ímpeto nervoso, dando motivo a que o pavoroso incidente se inicie. Há o choque e a boiada inteira parte num estouro formidável como uma onda destruidora e sem controle algum.

 Aqui, no Senado, bastou a sirene de uma viatura policial, o grito nervoso de um desvairado e o medo. O medo de todos sobre o que acontecerá, fatalmente, aos canalhas e corruptos, antes tão seguros da impunidade, se caírem nas garras do temido magistrado.

                    Dá para rir e revoltar o espetáculo grotesco. Rir da cena ridícula e revoltar, ao mesmo tempo, pela irresponsabilidade de termos nós, os eleitores, enviado indivíduos tão desqualificados e inescrupulosos para nos representar ali.

                    O momento mais cômico da truanice se dá no plenário, quando ouvem o grito de alguém avisando que a Federal está presente e prendendo a torto e a direito.

   - Valha-me Deus... Acuda-me, meu Padim Ciço Romão Batista do Juazeiro. É o clamor desesperado do nordestino, cabra-da-peste e senador ali presente. Não pode correr. Está gordo demais para isso, mas tenta. O esforço lhe é inútil.

       Desaba então, diante das câmeras – naturalmente censuradas depois – aquele conhecido senador gordo como um bacurim sevado, espumando e se contorcendo como se num ataque fulminante de epilepsia inesperado. Coisa de fazer dó.

         Foi vítima de um chilique bufo provocado pelo medo. Coitado. Tão brabo na tribuna, mas tão frouxo na hora da onça beber água. Não é possível que ele seja participante dessas falcatruas imorais denunciadas por aí, aos borbotões, nas redes sociais e na Imprensa, porque é tido como um Paladino da Moralidade,  pelo menos diante das câmeras.

                           Há, contra ele inclusive, algumas denuncias ainda não investigadas.

                           Não sei. Sei que ele desabou grotescamente machucando as suas banhas e ferindo a moral. Depois de passado o susto pode ser que ele arranje uma explicação convincente para a cena mais engraçada do espetáculo.

                     A comédia continuou por alguns minutos. A coisa só voltou ao normal quando um dos agentes da Polícia Federal afirmou, educadamente - Calma Senhores, ainda não é a vez de vocês.

                   Tranqüilizou-se então, a Gabiruzama ou a Gabirulítica, como queiram.

                     E, lá no cárcere, onde se encontra detido, quando alguém lhe mostrou a cena ridícula, Cunha riu com os seus botões e se achou mais poderoso ainda preso do que fora das grades quando detinha em liberdade os seus poderes, o controle absoluto sobre os seus asseclas e o seu poder de ameaçar e destruir quem quer que fosse.

                      Os seus adversários estão mais apavorados do que nunca. Os que lhe ferraram, os que lhe traíram, que se cuidem.

                    Isso que aconteceu, embora ele não tivesse qualquer participação no caso, foi uma prova de que ele tem nas mãos uma bomba chiando para sacudir, contra os alicerces da República, no momento oportuno.

                      Se ele de fato falar o que sabe, inevitavelmente Temer cairá e cairá com a velocidade de um raio arrastando consigo uma corja inútil como uma fieira de traíras, encangados pelas orelhas.

                      E eu estou torcendo pra ver o baque.

                     Souza Irmão -  25-10-2016

 


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