comentários  

28 de janeiro de 2017, 23:56

NÓS, OS HUMANOS!


Uma das maiores feridas da humanidade no decorrer dos tempos foi a manifestação individual e coletiva do ódio. Sempre existiu uma pergunta inquietante: Por que decretamos o extermínio do nosso semelhante que não recebeu da mãe vida a mesma cor que nós?  Que não faz parte da nossa raça, do nosso sangue ou do nosso grupo social? É bem verdade que, quando olhamos para alguém, o inconsciente emite, em segundos, conceito bem definido que se confrontará com nossa personalidade e, imediatamente, julgamos como nos relacionaremos com aquela pessoa. Quem sabe, vai depender se ela também torce pelo nosso time de futebol, se comunga de nossa ideologia política, da nossa religião, etc.  Quantas vezes nos expressamos: “Não suporto essa pessoa!” É verdade que não somos obrigados a aceitar todo mundo em nossos corações. Às vezes faz-se necessário nos afastarmos de alguém. A vida coloca muitas pessoas em nosso caminho. Cabe-nos dizer quem fica e quem sai. Isso é normal. Entretanto, aquele que é convidado a sair precisa continuar sua história. O que não pode acontecer é o plano de ódio e intolerância que ferirá a integridade do outro. Esse sentimento, tão presente no comportamento humano, leva muitas pessoas a sofrerem. Quem já foi discriminado sabe o quanto esse ato machuca o coração.

Quando refletimos sobre esses conflitos nos lembramos que os animais irracionais também são assim. Demarcam território, matam seus rivais e não se respeitam mutuamente. Escutamos gritos de “morte aos nordestinos”, sabemos de decretos loucos construindo muros para dividir povos, vemos o homem e a mulher do campo valerem menos em dignidade que o homem e a mulher da cidade, há homicídios e atentados de múltipla natureza a mulheres, mata-se a pessoa homoafetiva ou a agride moral e fisicamente, as conquistas e os direitos do trabalho são roubados, entre tantos outros atos de selvageria e culto ao mal, tudo isso nos leva a perguntar se o mundo está melhor. Apesar disso, há o que se comemorar, sobretudo pelas conquistas dos avanços científicos, tecnológicos, políticos e sociais dos últimos cem anos que vão desde a descoberta do analgésico no afã de diminuir o sintoma da dor física passando pelo domínio das redes sociais, situação segundo a qual nos tornamos agentes de nossa própria comunicação. Como é formidável viver nesse século.

A evolução civilizatória humana é um esforço contínuo. Quem chegou a um estágio capaz de respeitar o outro certamente alcançou o primeiro patamar civilizatório. Está apto para conviver em paz.

Portanto, há sinais de esperança e não desistiremos de nós. Nunca será tarde para repensarmos nossas opções e aprendermos com as misérias cometidas. As marcas e manchas que carregamos em nossa história individual e coletiva devem servir para empreendermos propósitos novos, capacitam-nos para refazermos conceitos e preconceitos. Eis o fascínio pelo ser humano.


Publicidade
Publicidade

Comentários

O utilizador reconhece e aceita que o PATOSONLINE.COM, apesar de atento ao conteúdo editorial deste espaço, não exerce nem pode exercer controle sobre todas as mensagens. O PATOSONLINE não se responsabiliza pelo conteúdo de mensagens publicadas no mural ou comentários de postagens.