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22 de fevereiro de 2017, 22:30

E AGORA?


O ano segue seu curso natural e o tempo passa sem percebermos. O renomado poeta romano Virgílio (70-19 a.C.) disse em sua obra – Geórgicas- escrita em latim: “Sed fugit interea fugit irreparabile tempus.” Cuja tradução é: “Mas ele foge, irreversivelmente, o tempo foge.”   Lembro-me da pesquisa de uma agência de consulta sobre a palavra que os brasileiros mais pronunciaram no ano de 2016. O resultado não poderia ser outro. A palavra foi “CRISE”.  Não se pode negar, é verdade, que o mundo passa por um momento delicado, de profunda reflexão. A começar por nossas próprias casas. Como se comportam nossos filhos? Tudo é precoce, não sabemos até aonde podemos ir com a tecnologia da informação, qual a idade para o uso do celular, das redes sociais, etc.

Será que ainda suportamos falar de economia, política, corrupção, violência, fome e outros desafios que provam nossa paciência?

O que fazer diante de uma crise? Sentar-se, chorar e se deprimir? Ou levantar a cabeça e enfrentá-la? O grande Educador Popular do Brasil, Paulo Freira, dizia: “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar. Porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperança é se levantar, esperança é ir atrás, esperança é construir, esperança é não desistir. Esperança é levar adiante, esperança é juntar-se aos outros para fazer de outro modo.” Eu também gosto desse verbo, de personalidade afirmativa, da raça dos transitivos diretos. No presente do indicativo o sujeito, na primeira pessoa do singular, diz: eu esperanço.

Ninguém quer passar por crise. Ela machuca, frustra projetos, atrasa o encaminhamento dos sonhos e investimentos. Porém, ela amadurece, desinstala o acomodado, aquele que pensa estar pronto e acabado fazendo-o pensar que ninguém está completamente pronto. Infeliz de quem nunca passou por uma crise, perdas, derrotas e pretensões adiadas, em nível individual e coletivo, como a situação econômica pela qual passamos.

É possível tirar resultados positivos da crise? Certa vez, o artista espanhol Elías García Martínez realizou uma pintura de Jesus Cristo “ECCE HOMO” (Eis o Homem) nos muros de uma Igreja na cidade de Zaragoça, interior da Espanha, na primeira década do século XX. Há alguns anos, uma senhora de 81 anos de idade se prontificou, por conta própria, para restaurar aquela pintura profundamente desfigurada e esquecida, porém, muito bonita. Aquela senhora fez uma restauração desastrosa. O rosto do Cristo não parecia o original. As pessoas da cidade ficaram transtornadas. De quem teria sido a culpa de tão grave descuido? A notícia desse fato pesaroso espalhou-se por 160 países e ganhou o título de pior restauração do mundo. Nessa crise toda, diante de tal lamento, alguém teve uma solução: colocar dois quadros pendurados na parede, isto é, um quadro da pintura original e outro, da tal restauração para atrair a curiosidade das pessoas e dizer que nem tudo estava perdido. Hoje, essa Igreja, até então desconhecida, recebe turistas do mundo inteiro só para escutarem, de perto, essa história.  Tudo a partir de uma crise.

Portanto, aprendamos com os antigos que diziam que não há mal que não traga o bem porque de hora em hora Deus melhora. Não devemos ter medo de olhar para os acontecimentos da vida e fazer uma conclusão que sirva de base para o dia de amanhã. Tudo passa, tudo finda.

Albertino de Sousa Barreiros é Padre Anglicano e Advogado


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