Temos criticado frequentemente aqui as nomeações feitas na administração municipal para atender a interesses políticos/partidários. Por conta disso, um ouvinte me telefonou cobrando de mim uma opinião sobre as nomeações de comissionados e as contratações de servidores feitas pelo atual prefeito interino.

Todos os interinos, a partir de Bonifácio Rocha, têm reduzido sensivelmente tais nomeações e contratações. Mas é quase impossível acabar com elas totalmente. Primeiro, por que muitas delas são necessárias para o funcionamento da administração. Segundo por que é uma pratica danosa que, infelizmente faz parte da nossa cultura política.

Enquanto, um candidato gastar mais dinheiro para se eleger do que aquilo que vai receber como remuneração, ele vai procurar recuperar o prejuízo de alguma forma. Ou desviando as verbas que conseguir para seus redutos. Ou fazendo indicações de comissionados ou contratados que vão alimentar o seu prestigio político ou remunerar cabos eleitorais. Ou beneficiar parentes  e amigos que vão rachar com ele uma parte da remuneração que receberem, a famigerada “rachadinha”, existente em Câmaras, Assembleias e Congresso.

Enquanto não se puder erradicar esta cultura de levar vantagem, Executivos vão continuar reféns dos Legislativos. Harmônicos, mas sem a desejada independência.

E só quem pode mudar esta cultura é o eleitor, deixando de eleger os candidatos que compram o voto hoje para vender amanhã as suas posições e os seus votos na Casa Legislativa onde atuarem.

Enquanto isso, o máximo que prefeitos, governadores e presidentes têm a fazer é reduzirem as negociatas políticas ao mínimo possível. A invés de nomearam vinte ou trinta indicados por determinado vereador, nomearem apenas cinco ou seis, impondo como condição que eles tenham o mínimo preparo para a função para a qual estejam destinados.

O ideal é não atenderem às indicações interesseiras e não republicanas, mas, infelizmente, a cultura ainda existente exige um mínimo de “jogo de cintura” dos titulares do Executivo para com os vorazes representantes no Poder Legislativo. E o prefeito, governador e presidente que não tiver este ”jogo de cintura” termina tendo a sua administração inviabilizada.

Os mais velhos lembram-se de Collor, que além das maracutaias realizadas por amigos seus, caiu na besteira de tentar “bater de frente” com o Congresso e com os empresários. E o estadista Fernando Henrique Cardoso, um dos mais preparados presidentes deste país, teve que pagar caro para conseguir a aprovação do projeto de reeleição.

No caso mais próximo e atual, os nossos interinos têm toda a dificuldade em administrar por conta das cobranças dos vereadores, e Dinaldinho “engoliu muitos sapos” e ficou sob ameaça de impeachment, enquanto esteve no exercício do mandato, para manter uma base minimamente confiável.

Quem estiver no mandato de prefeito até dezembro de 2020 vai continuar sob ameaças, extorsões e chantagens, até que o eleitor resolva fazer uma “faxina” na nossa Câmara de Vereadores. Dando preferência àqueles candidatos a prefeito e vereador que mereçam um voto consciente e que não paguem com vantagens não republicanas por esse voto. Temos certeza de que teremos bons candidatos em 2020. Só esperamos que o eleitor abra os olhos e crie juízo.

Enquanto isso, vamos ficar de olho em como se comportam os nossos vereadores. Se o prefeito conseguir “tocar o barco” é por que houve um mínimo de dignidade de nossos representantes, contendo um pouco pelo menos sua ganância. Vamos pagar para ver. Temos certeza de que Ivanes sabe o caminho, vamos ver se os vereadores lhe dão a colaboração de que ele precisa. Alguns até agora tentam lhe impor dificuldades, vamos ver como os demais vão agir, daqui prá frente.

(LGLM)