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Estudioso da política internacional, padre Joãozinho analisa intervenção dos EUA na Venezuela e afirma que captura de Maduro “já era anunciada”
Em análise exclusiva ao Patos Online, estudioso de política internacional aponta isolamento diplomático, acusações de fraude e interesses econômicos como fatores centrais da ação americana
03/01/2026 17h30 Atualizada há 3 dias
Por: PATOS ONLINE Fonte: Patos Online
Fotos: reprodução/Casa Branca

O padre João Romão Filho, conhecido popularmente como Padre Joãozinho e estudioso da política internacional, afirmou que a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos “já era um desfecho anunciado”. Em análise enviada exclusivamente ao Patos Online, o religioso contextualizou a intervenção americana na Venezuela, relacionando o episódio a um longo processo de isolamento diplomático, pressões internacionais e interesses estratégicos, sobretudo ligados ao petróleo.

Segundo Padre Joãozinho, desde 2020 já existiam declarações e movimentações internacionais que apontavam para a possibilidade de prisão de Maduro. Ele destacou que havia reclamações não apenas do povo venezuelano, mas também de diversas autoridades mundiais, em razão de perseguições políticas e da grave crise interna enfrentada pelo país.

“O Nicolás Maduro já vivia sob um tipo de mandato de prisão expedido por tribunais, inclusive americanos. Isso restringiu completamente a sua circulação internacional”, explicou.

De acordo com o estudioso, Maduro passou a viajar apenas para países considerados aliados, como Rússia, China, Coreia do Norte e Nicarágua, evitando outros destinos por medo de ser capturado. O padre relembrou, inclusive, que o presidente venezuelano chegou a ir ao Brasil em um determinado momento, mas posteriormente passou a evitar o país por receio de uma eventual prisão.

Fraudes eleitorais e pressão externa

Na avaliação de Padre Joãozinho, outro fator decisivo foi a recusa de Maduro em dialogar com o presidente norte-americano Donald Trump, aliada às acusações de fraude eleitoral. Ele ressaltou que vários países, incluindo o Brasil à época, não reconheceram a vitória de Maduro, o que intensificou a pressão internacional.

“Houve conselhos de diversos chefes de Estado para que ele entregasse o governo e deixasse o país, mas ele preferiu manter sua postura”, afirmou.

Esse cenário, segundo o padre, levou ao avanço de investigações por parte de órgãos de inteligência dos Estados Unidos, como a CIA, além do interesse crescente de outros países na situação venezuelana.

Petróleo no centro da intervenção

Padre Joãozinho reforçou que, nos discursos recentes, Donald Trump deixou claro que um dos principais motivadores da intervenção foi a questão econômica. Segundo ele, o presidente americano afirmou que empresas norte-americanas, especialmente do setor petrolífero, foram expropriadas pelo governo venezuelano ao longo dos anos.

“A invasão deixou explícito que os Estados Unidos querem recuperar o petróleo. Trump disse que a renda seria distribuída ao povo venezuelano, mas que o país teria que quitar o que utilizou dos americanos”, pontuou.

Administração provisória e recado à América Latina

Outro ponto destacado na análise é a intenção dos Estados Unidos de estabelecer uma administração provisória na Venezuela. Segundo Padre Joãozinho, o plano seria formar um grupo para governar o país temporariamente, garantir segurança institucional e, só depois, devolver a administração aos próprios venezuelanos.

Por fim, o padre ressaltou que Trump foi direto ao afirmar que nenhum país da América Latina deveria ousar confrontar os Estados Unidos, deixando um recado claro sobre a postura americana na região.

“A captura de Maduro não foi um ato isolado. Ela é resultado de um processo longo, envolvendo democracia, soberania econômica e, principalmente, interesses estratégicos”, concluiu.

Veja a análise abaixo:

 
 
 
 
 
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