Educação IF Sertão
Diretor do IFPB Patos destaca viabilidade e importância histórica do Instituto Federal do Sertão Paraibano
José Ronaldo Lima afirma que projeto nasce com base legal e orçamentária, defende transição responsável e nega articulação para assumir reitoria
07/01/2026 08h00 Atualizada há 2 dias
Por: Felipe Vilar Fonte: Patos Online
Ronaldo Lima, diretor do IFPB Patos (Foto: Reprodução)

Em entrevista ao programa Olho Vivo, da Rede Diário do Sertão, nesta terça-feira (6), o diretor do IFPB campus Patos, José Ronaldo Lima, destacou os diferenciais e a importância histórica do projeto de criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano (IFSPB), que terá a reitoria sediada no município de Patos. Segundo ele, a iniciativa representa um marco para a educação no interior da Paraíba e possui grandes chances de se concretizar.

De acordo com o gestor, um dos principais pontos que tornam o projeto viável é o fato de ele ter sido concebido diretamente pelo Poder Executivo Federal, já com previsão orçamentária assegurada. O Projeto de Lei foi encaminhado ao Congresso Nacional pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e prevê a criação de um novo instituto com foco na interiorização do ensino técnico e superior.

“É um projeto que nasce com base legal e financeira. Isso faz com que ele tenha grandes chances de se concretizar”, afirmou Ronaldo Lima.

Reitoria no Sertão

Para o diretor, a instalação da reitoria em Patos representa um avanço inédito para a região. “Hoje, nós temos a reitoria da UFPB em João Pessoa, da UFCG em Campina Grande e da UEPB. O IF Sertão da Paraíba será a primeira reitoria de fato instalada no Sertão”, ressaltou.

Ronaldo Lima destacou, porém, que o projeto não deve ser visto como uma iniciativa restrita a Patos. “O Sertão somos todos nós. Patos, Sousa, Cajazeiras, Catolé do Rocha, Princesa Isabel, Itaporanga, Santa Luzia e outros municípios precisam abraçar essa oportunidade”, frisou.

Transição e diálogo

O diretor também informou que o tema já foi discutido no Colégio de Dirigentes do IFPB, onde houve quase unanimidade de apoio à proposta. No entanto, ele ressaltou que o momento exige cautela, sobretudo no processo de transição institucional.

“Uma instituição educacional é feita, antes de tudo, por pessoas. Precisamos garantir que servidores e estudantes tenham seus direitos preservados”, pontuou.

Segundo Ronaldo Lima, grupos de trabalho começam a ser formados para tratar de questões como gestão de pessoas, reorganização orçamentária e participação da comunidade acadêmica na construção do novo instituto. O colégio de discentes também deverá ser incluído nas discussões.

“O Sertão sabe da importância que essa instituição vai trazer para o desenvolvimento educacional e tecnológico da região. Mas precisamos agir com calma, serenidade e planejamento, para que ninguém seja prejudicado”, completou, defendendo ainda o diálogo com lideranças políticas, o Ministério da Educação (MEC) e a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec).

Avanço político e investimentos

Nessa segunda-feira (5), o governador João Azevêdo celebrou o avanço do projeto e classificou a criação do IFSPB como uma conquista histórica, destacando a articulação política liderada pelo deputado federal Hugo Motta (Republicanos).

O Governo Federal estima um investimento inicial de cerca de R$ 10 milhões, com recursos do Novo PAC. A proposta prevê que, inicialmente, sete campi atualmente vinculados ao IFPB passem a integrar o novo instituto: Cajazeiras, Catolé do Rocha, Itaporanga, Patos, Princesa Isabel, Santa Luzia e Sousa.

A expectativa é que o IFSPB amplie a oferta de cursos alinhados às vocações econômicas do Sertão e consolide Patos como um polo regional de desenvolvimento educacional e tecnológico.

Especulações sobre reitoria

Durante a entrevista, Ronaldo Lima também esclareceu especulações sobre uma possível indicação antecipada para a Reitoria do futuro IF Sertão e sobre um eventual alinhamento político nesse sentido.

“Em nenhum momento houve conversa ou acerto dizendo que, criado o IF Sertão, o diretor de Patos será o reitor. Até porque o IF Sertão ainda não existe”, afirmou.

Ele reforçou que sua atuação está voltada exclusivamente para a contribuição técnica e institucional do projeto. “Sou professor do IFPB e estarei à disposição para contribuir com o IF Sertão, seja como professor ou em qualquer outra função. Nunca houve qualquer conversa sobre indicação automática”, destacou.

Por fim, Ronaldo Lima defendeu que a construção do novo instituto seja coletiva, participativa e alinhada às diretrizes do MEC, respeitando a comunidade acadêmica. “O que pudermos trabalhar juntos, com diálogo e responsabilidade, faremos para que esse projeto nasça alinhado com as aspirações de quem hoje faz o IFPB e de quem vai fazer o IF Sertão”, concluiu.

Por Patos Online
Com informações do Diário do Sertão