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Relatório do Congresso dos EUA cita radiotelescópio no Sertão da Paraíba e levanta suspeitas sobre suposta base militar chinesa
O laboratório é fruto de parceria firmada em 2025 entre instituições chinesas e universidades brasileiras, como a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
02/03/2026 16h00 Atualizada há 2 horas
Por: Matheus Oliveira Fonte: Patos Online
Foto: reprodução

Um relatório divulgado na última quinta-feira (26) por um grupo do Congresso dos Estados Unidos dedicado ao monitoramento da China menciona o Brasil como possível sede de instalações com potencial uso estratégico chinês e cita, entre os casos, o Radiotelescópio Bingo, em construção na Serra do Urubu, no Sertão da Paraíba.

O documento aponta que o Laboratório Conjunto China-Brasil de Tecnologia em Radioastronomia, instalado na região, poderia integrar uma suposta rede de interesse estratégico chinês no exterior. Segundo o texto, o centro estaria “profundamente integrado” ao sistema de defesa da China, levantando a hipótese de eventual uso dual — civil e militar.

O laboratório é fruto de parceria firmada em 2025 entre instituições chinesas e universidades brasileiras, como a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O acordo envolve o Instituto de Pesquisa em Comunicações da Rede de Ciência e Tecnologia Elétrica da China.

No relatório, os norte-americanos destacam que o laboratório tem como objetivo o desenvolvimento de tecnologia avançada para apoiar observações astronômicas e exploração do espaço profundo, além de promover cooperação científica internacional e transformar inovação científica em aplicações tecnológicas mais amplas.

Projeto científico

O Radiotelescópio BINGO é um projeto voltado ao estudo da cosmologia e da astrofísica, com foco na investigação de sinais remanescentes da formação do universo logo após o Big Bang. A iniciativa é liderada pela Universidade de São Paulo (USP) e conta com apoio da UFCG, do INPE, da FAPESQ-PB e da FINEP, além de colaboração internacional envolvendo China, Reino Unido, França, África do Sul, Suíça e Alemanha.

A escolha da região de Aguiar, no Sertão paraibano, se deve à baixa interferência de sinais de rádio, condição considerada ideal para a captação de ondas cósmicas. O Governo da Paraíba também executa a pavimentação do acesso à Serra do Urubu, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento regional e fomentar o chamado turismo científico.

Governo aguarda Itamaraty

Após a repercussão do relatório, o Governo da Paraíba informou, nesta segunda-feira (2), que aguarda um posicionamento oficial do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty).

Ao Portal MaisPB, o secretário estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior, Claudio Furtado, afirmou que o tema envolve acordos multilaterais firmados pelo Brasil, o que exige manifestação do governo federal antes de qualquer posicionamento mais detalhado.

Até o momento, o Itamaraty não divulgou nota oficial sobre o conteúdo do relatório.

Documento também cita Bahia

Além da Paraíba, o relatório menciona uma instalação em Salvador, na Bahia, ligada à empresa brasileira Ayla Space, que mantém parceria com a companhia chinesa Beijing Tianlian Space Technology Co. Ltd. No documento, a estrutura é chamada de “Tucano Ground Station” e teria como objetivo a análise de dados de satélites de observação da Terra.

O Brasil é citado ao menos quinze vezes no relatório norte-americano, que analisa a presença tecnológica e científica chinesa em países da América Latina.

O caso reacende o debate sobre cooperação internacional em ciência e tecnologia e seus possíveis desdobramentos geopolíticos, enquanto autoridades brasileiras aguardam esclarecimentos formais por parte do governo federal.

Por Patos Online
Com informações do ClickPB e MaisPB