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Governo Lula anuncia pacote para conter alta dos combustíveis
Medida alcança diesel, biodiesel, GLP e querosene de aviação. Fiscalização de adoção de medidas será reforçada
06/04/2026 23h30
Por: Felipe Vilar Fonte: Metrópoles
Foto: Washington Costa/MF

O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (6/4), um pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis. O conjunto inclui uma Medida Provisória, um projeto de lei e decretos. Os principais alvos são o diesel, gás de cozinha e o querosene de aviação (QAV), que passam por elevações significativas por causa da guerra no Oriente Médio.

Confira os detalhes do novo pacote do governo:

Diesel

Em relação ao óleo diesel, foi confirmada a subvenção de R$ 1,20 por litro de diesel rodoviário importado. A medida tem adesão de 25 unidades da federação, que vão bancar metade do valor. A união vai custear o restante.

A vigência da ação dura, pelo menos, até maio de 2026 e terá custo de R$ 4 bilhões, sendo R$ 2 bilhões para a União e R$ 2 bilhões para os estados e o Distrito Federal. Até o momento, 25 Unidades da Federação já confirmaram a disposição de participar do programa. Em 12 de março deste ano, já havia sido instituída a subvenção de R$ 0,32/litro.

O governo ainda anunciou mais uma subvenção sobre o diesel, no valor de R$ 0,80 por litro de diesel produzido no Brasil. A medida se soma à subvenção de 12 de março, que tem valor de R$ 0,32/litro, que, inclusive, já está em vigor. O valor estimado é de R$ 3 bilhões por mês. A duração, a princípio é de dois meses, mas pode haver prorrogação por mais dois meses.

O governo vai publicar ainda um decreto que zera os dois tributos federais PIS e Cofins sobre o biodiesel. A expectativa é gerar uma economia de R$ 0,02 por litro do combustível. Cada litro do diesel vendido nos postos tem 15% de biodiesel.

Querosene de aviação

Governo anunciou a isenção de impostos federais sobre o querosene de aviação (QAV), com o objetivo de reduzir custos e conter a alta das passagens aéreas.

No caso do querosene de aviação, o governo zerou as alíquotas de PIS e Cofins. A estimativa é de uma economia de R$ 0,07 por litro do combustível.

Além da desoneração, o pacote inclui duas linhas de crédito para o setor aéreo. Uma delas será financiada com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) e pode chegar a R$ 2,5 bilhões por empresa, com foco na reestruturação financeira. Os financiamentos serão operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou por instituições autorizadas.

A segunda linha terá R$ 1 bilhão disponível e será destinada ao capital de giro, com prazo de até seis meses. As condições ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com risco assumido pela União.

Outra medida prevista é o adiamento do pagamento de tarifas de navegação aérea. As cobranças referentes aos meses de abril, maio e junho deverão ser quitadas apenas em dezembro.

Gás de cozinha

A medida provisória editada pelo governo prevê ainda uma subvenção de R$ 850 sobre cada tonelada do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) importado — o popular “gás de cozinha” —, com valor total de R$ 330 milhões.

Com a mudança, o produto importado será comercializado ao mesmo preço daquele produzido no Brasil.

Pacote para reduzir alta nos combustíveis

Diesel

Setor aéreo

Gás de cozinha (GLP)

Aumento abusivo pode virar crime

No pacote de medidas anunciado nesta segunda, está ainda a proposta de tornar crime o aumento dos preços em momentos de “conflitos geopolíticos ou de calamidade”.

Conforme o governo, a MP agrava penalidades em situações de conflitos geopolíticos ou de calamidade nos casos de elevação abusiva de preço e recusa do fornecimento de combustíveis.

Além disso, um PL encaminhado em regime de urgência constitucional ao Congresso Nacional cria um novo tipo penal para coibir o aumento abusivo de preços, podendo implicar dois a cinco anos de prisão.

Fonte: Metrópoles