Pacientes transplantados renais estão enfrentando dificuldades para manter o tratamento devido à falta do medicamento ciclosporina nas dosagens de 50 mg e 100 mg em unidades públicas de saúde na Paraíba. O problema, segundo relatos, já dura há meses e atinge cidades como Patos, Campina Grande e João Pessoa.
A ciclosporina é um imunossupressor essencial para pacientes transplantados, responsável por evitar a rejeição do órgão. Sem o medicamento, há risco direto à vida dos pacientes.
Uma das pessoas afetadas, residente em Passagem, relatou à reportagem que precisa tomar cerca de 60 comprimidos por mês, mas, sem acesso gratuito, é obrigada a recorrer à compra em farmácias comerciais, onde o custo pode chegar a aproximadamente R$ 763 mensais.
“Eu já estive entre a vida e a morte depois do transplante, tive infecção grave e consegui sobreviver. Agora corro o risco de perder tudo por falta de medicação. Isso é muito angustiante”, desabafou.
Além da dificuldade financeira, os pacientes também relatam entraves burocráticos. Segundo eles, não é possível acionar o Ministério Público por meio de ação judicial porque não recebem um documento formal de negativa do fornecimento, já que o medicamento consta como “em processo de compra”.
Ainda de acordo com os relatos, ao buscar apoio junto à gestão municipal, a orientação tem sido de que a responsabilidade pelo fornecimento é do Governo do Estado, o que tem deixado os pacientes sem solução imediata.
O gerente da 6ª Gerência Regional de Saúde, José Francisco, mais conhecido como Zeca, confirmou o desabastecimento e informou que a medicação está em processo de aquisição.
“Essa medicação está em falta e consta no sistema do Estado como em processo de compra. Existe um rito natural de licitação, que já foi iniciado há cerca de um a dois meses. Acreditamos que esteja na fase final”, explicou.
Ele destacou ainda que, assim que o medicamento chegar, todos os pacientes cadastrados serão comunicados para retirada imediata.
“Sabemos que é uma medicação essencial e de alto custo, fundamental para a qualidade de vida dos transplantados. Estamos empenhados para que a distribuição ocorra o mais rápido possível”, afirmou.
Enquanto aguardam a regularização do fornecimento, pacientes seguem apreensivos e cobram agilidade na conclusão do processo, diante do risco que a interrupção do tratamento pode representar.
Por Patos Online