O Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos divulgou na noite desta segunda-feira (20) uma mensagem na qual diz ter pedido que o delegado da PF (Polícia Federal) Marcelo Ivo deixe o país após ter feito o monitoramento que levou à prisão de Alexandre Ramagem no país.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”, diz a mensagem, publicada na página do X do Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos.
No foreigner gets to game our immigration system to both circumvent formal extradition requests and extend political witch hunts into U.S. territory. Today, we have asked that the relevant Brazilian official depart our nation for attempting to do that.
— Bureau of Western Hemisphere Affairs (@WHAAsstSecty) April 20, 2026
Marcelo Ivo de Carvalho atua nos Estados Unidos desde 2023 como oficial de ligação com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas conhecido como ICE (sigla em inglês para United States Immigration and Customs Enforcement).
Ele foi peça-chave para fazer o monitoramento de Alexandre Ramagem no país pelo órgão na semana passada. O ex-deputado foi solto dois dias.
A CNN procurou a PF e aguarda retorno.
O ex-deputado bolsonarista Alexandre Ramagem foi preso na segunda-feira (13) pelo ICE (sigla em inglês para United States Immigration and Customs Enforcement), o Serviço de Imigração e Controle de Aduana dos Estados Unidos. Inicialmente, o ex-parlamentar foi abordado devido a uma infração de trânsito, porém o político está com a situação irregular no país.
O visto como turista de Ramagem expirou em março. Além disso, ele entrou nos EUA com o seu passaporte diplomático cancelado por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal).
Segundo apurou a CNN Brasil, Ramagem era monitorado por agências de inteligência desde novembro do ano passado. O monitoramento foi terrestre, houve busca pela placa do carro usado pelo ex-diretor da Abin na Flórida e reuniões do oficial de ligação da PF com autoridades estadunidenses.
A Polícia Federal investiga se Ramagem comprou um carro com passaporte cancelado e se foi esse o veículo usado por ele para buscar a esposa, Rebeca Ramagem, no aeroporto. Foi a partir daí que a PF descobriu seu paradeiro e passou a monitorá-lo em espécie de "campana", quando agentes disfarçados observam um investigado.
A PF não pode prender um brasileiro em outro país, mesmo que seja foragido da Justiça e se saiba o paradeiro. O procedimento é reunir informações e repassar para a polícia do país, nesse caso, dos Estados Unidos. Nas primeiras duas semanas de abril, policiais da Flórida intensificaram o apoio e as reuniões com a PF brasileira, por meio de um oficial de ligação.
Ramagem foi solto dois dias após ser preso pelo ICE. À CNN Brasil, o empresário e apresentador Paulo Figueiredo afirmou que a liberação ocorreu após três dias de esforços e que não foi necessário o pagamento de fiança para a soltura. “Foram três dias de muito trabalho, mas agora Ramagem já está em casa”, disse.
Na última quinta-feira (16), agentes da PF se reuniram com representantes do ICE em Orlando, na Flórida, para esclarecer os motivos da soltura do ex-deputado. O governo brasileiro não foi informado sobre as razões que levaram à saída de Ramagem da prisão.
O encontro foi marcado para que as autoridades brasileiras apresentassem documentos a serem inseridos no processo de Ramagem, que poderia ser alvo de deportação. O objetivo era reforçar o risco de fuga do ex-deputado.
De acordo com Figueiredo, o ex-deputado deve permanecer nos Estados Unidos até que o pedido de asilo, sob alegação de perseguição política, seja analisado pelas autoridades americanas.
No dia 11 de setembro do ano passado, a Primeira Turma do STF condenou Ramagem a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado, pela trama golpista junto com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Foram atribuídos a Alexandre Ramagem os crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e Golpe de Estado.
Durante o governo Bolsonaro, Ramagem era diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), teria utilizado o comando do órgão para monitorar opositores e produzir a disseminação de críticas contra as eleições.
O julgamento terminou em setembro do ano passado, mas até meados de novembro, ainda cabia recurso e o caso não transitava em julgado. Foi justamente neste período que o parlamentar deixou o país rumo aos Estados Unidos.
Fonte: CNN Brasil