Brasil POLÊMICA
Após dizer que sátira tem limite e citar Zema como boneco homossexual, ministro Gilmar Mendes admite erro e pede desculpas
Decano pediu inclusão de Zema em inquérito após vídeo com fantoches. Em entrevista ao Metrópoles, o decano defendeu limites a sátiras
23/04/2026 23h00
Por: Felipe Vilar Fonte: Manoela Alcântara - Metrópoles
Foto: Andressa Anholete/STF

O ministro Gilmar Mendes afirmou que há limites para sátiras contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e citou Romeu Zema ao dizer que o ex-governador não aceitaria ser representado como um “boneco homossexual”.

Em entrevista ao Metrópoles, concedida às jornalistas Manoela Alcântara e Marília Ribeiro, na tarde desta quinta-feira (23/4), o decano explicou por que pediu a inclusão do ex-governador de Minas Gerais no Inquérito das Fake News, relatado por Alexandre de Moraes, e citou um exemplo que, segundo ele, Zema não aceitaria.

“Se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições… Imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? Se fizermos ele roubando dinheiro no Estado, será que não é ofensivo? É correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso? É isso que precisa ser avaliado”, disse Gilmar..

O decano pediu que Zema fosse incluído após um vídeo publicado pelo ex-governador nas redes sociais. A produção, divulgada no mês passado, mostra Gilmar e Dias Toffoli representados por fantoches.

O vídeo simula ainda diálogos entre os dois magistrados, que são retratados pelos bonecos.

Pedido

Em trecho do documento, Gilmar diz que Zema “vilipendia não apenas a honra e a imagem do Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa“.

O ministro ainda chama a produção de Zema de “deep-fake“, que se valeu de “sofisticada edição profissional”. Diz ainda que a publicação tem “claro intuito de vulnerar a higidez desta instituição da República, com objetivo de realizar promoção pessoal”.

Ministro admite erro

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconheceu ter errado ao atribuir a homossexualidade a um tipo de ofensa. À noite, pelo X, o ministro se retratou:

“Há uma indústria de difamação e de acusações caluniosas contra o Supremo. Vou enfrentá-la. E não tenho receio de reconhecer um erro. Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema. Desculpo-me pelo erro. E reitero o que está certo”, afirmou na rede social X.

Fonte: Manoela Alcântara/Metrópoles