Os exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) de João Pessoa não identificaram sinais aparentes de violência no corpo da idosa Milce Daniel Pessoa, de 72 anos, encontrada morta em uma área de mata no município de Bayeux após passar sete dias desaparecida.
A informação foi confirmada pelo diretor do IML, Flávio Fabres, em entrevista ao g1. Segundo ele, os exames também apresentaram resultado negativo para violência sexual e para presença de substâncias tóxicas que pudessem ter provocado a morte da idosa.
Apesar disso, a causa da morte ainda não foi oficialmente esclarecida. Conforme o diretor, exames complementares seguem em andamento e o laudo definitivo deve ser concluído dentro do prazo legal de 10 dias, podendo ser prorrogado caso necessário.
De acordo com Flávio Fabres, tanto a perícia realizada no local onde o corpo foi encontrado quanto a autópsia não identificaram elementos que apontem, até o momento, para uma morte violenta.
“O corpo estava em avançado estado de decomposição. Tanto a perícia criminal no local quanto a autópsia não evidenciaram sinais de violência”, afirmou.
O diretor explicou ainda que os exames negativos para violência sexual não descartam completamente a possibilidade de algum tipo de abuso, já que nem toda violência sexual deixa marcas físicas.
“São exames que ajudam a nortear a investigação, mas não descartam totalmente determinadas hipóteses”, esclareceu.
O perito do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB), Aldenir Lins, informou que os vestígios encontrados indicam que Milce Daniel possivelmente chegou com vida ao local onde foi encontrada morta.
Segundo ele, detalhes como a posição do corpo, as roupas e o fato de a sandália da vítima permanecer próxima sugerem que ela ainda estava viva ao chegar na área de mata.
Uma peça íntima da idosa também foi encontrada nas proximidades do corpo, mas, conforme a perícia, não há elementos suficientes para relacionar o fato a um possível abuso sexual.
“Não podemos fazer correlação direta com crime sexual”, destacou o perito.
O amigo e vizinho da vítima, Willis Cosmo, última pessoa conhecida a estar com a idosa antes do desaparecimento, foi ouvido novamente pela Polícia Civil e liberado.
Segundo o delegado Douglas García, responsável pela investigação, o homem segue colaborando com as autoridades e, até o momento, não figura como suspeito.
A polícia aguarda os resultados de exames periciais realizados no veículo utilizado pelo homem no dia do desaparecimento. Durante perícia no automóvel, foram encontrados fios de cabelo e fragmentos de tecido semelhantes à roupa usada pela idosa.
O material foi recolhido para análise de DNA.
Apesar de não ser considerado investigado formalmente, Willis teve depoimentos anteriores questionados pela Polícia Civil devido a divergências relacionadas aos horários informados no dia do desaparecimento.
Segundo o delegado Douglas García, o trajeto percorrido pelo homem entre o Hospital Metropolitano e a área de mata foi refeito e cronometrado pelos investigadores.
De acordo com a polícia, o tempo informado inicialmente por Willis não seria compatível com o percurso realizado.
“As informações causaram estranhamento e serão confrontadas com imagens de câmeras e outros depoimentos”, explicou o delegado.
Milce Daniel Pessoa desapareceu na manhã do dia 22 de abril após acompanhar o amigo em uma consulta médica no Hospital Metropolitano, entre Santa Rita e Bayeux.
Segundo familiares, o homem relatou que os dois seguiram até uma área de mata para colher mangas, após a idosa afirmar que estava com fome. Ele disse que, em determinado momento, perdeu a mulher de vista.
Após dias de buscas realizadas pelo Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e equipes com cães farejadores, o corpo da idosa foi encontrado no dia 29 de abril em uma região de mata.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que aguarda os resultados periciais para definir se houve morte natural, acidental ou criminosa.
Por Patos Online
Com informações do g1 PB