A farmacêutica Biomm, que até abril deste ano tinha como principal acionista um fundo ligado ao Banco Master, está sendo cobrada pelo Ministério da Saúde após atrasos na entrega de insulina destinada ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo registros públicos, mais de 1,57 milhão de doses ainda não foram entregues, mesmo com o contrato próximo do encerramento. O volume representa cerca de 20% do total previsto no acordo firmado em junho de 2025.
Diante da situação, o Ministério da Saúde notificou a empresa para prestar esclarecimentos. Em nota, a pasta informou que não há desabastecimento de insulina na rede pública e afirmou que acompanha rigorosamente a execução dos contratos.
O contrato foi firmado entre o Ministério da Saúde e a Fundação Ezequiel Dias (Funed), de Minas Gerais. A produção da insulina, no entanto, ocorre por meio de uma parceria entre a Biomm e o laboratório indiano Wockhardt.
A Biomm alegou que os atrasos ocorreram devido a problemas logísticos internacionais, relacionados aos conflitos na região do Golfo e às restrições globais no fornecimento de insulina. A farmacêutica informou ainda que os produtos restantes já estão prontos e aguardam liberações da Anvisa e trâmites de faturamento.
O contrato total prevê o fornecimento de mais de 8 milhões de doses, no valor de R$ 142,1 milhões. Até agora, segundo dados do governo federal, já foram apresentados cerca de R$ 114 milhões em notas fiscais referentes às entregas realizadas.
Além do atraso, a parceria também enfrentou entraves regulatórios. O laboratório indiano Wockhardt teve um pedido de alteração no processo de fabricação da insulina negado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após meses de análise.
O fornecimento de insulina ao SUS vem sendo tratado como tema sensível pelo governo federal, que tem recorrido a contratos emergenciais para evitar risco de desabastecimento no país.
Por Patos Online
Com informações do Metrópoles