A Polícia Federal (PF) aponta que os investimentos do RioPrevidência no Banco Master não partiam de decisão técnicas, e sim do “alinhamento político” e da “relação pessoal“ entre o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e Daniel Vorcaro, que era dono da instituição financeira.
Além dos aportes bilionários feitos pelo fundo previdenciário dos servidores estaduais cariocas no Master, a PF aponta que a relação de “vínculo pessoal estreito” entre Castro e Vorcaro favoreceu a indicação de cargos-chaves para a diretoria do RioPrevidência.
De acordo com a PF, o RioPrevidência realizou aportes que somam mais de R$ 3,6 bilhões no Banco Master. Incluindo montantes aplicados em fundos e letras financeiras emitidas pela instituição de Daniel Vorcaro.
Apenas entre outubro de 2023 e outubro de 2025, período que a PF aponta a “aparente crise de liquidez” do Master, foram feitos mais de R$ 2,9 bilhões em aportes pelo Rio Previdência no banco.
“A motivação central dessas decisões não residiria em critérios técnicos regulares de investimento, mas em relação pessoal e indevida entre o controlador do Banco Master e autoridades com poder de mando sobre o RPPS. Dentro dessa linha investigativa, a PF aponta conversas indicando que determinados aportes dependeriam de ‘alinhamento político’ com o ex-governador do estado”, diz trecho da decisão.
Castro foi alvo de novo mandado de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (26/5) no âmbito da 8ª fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras no Banco Master.
O objetivo é investigar aplicações feitas pelo fundo previdenciário em letras financeiras emitidas pelo Master, que posteriormente entrou em colapso e foi liquidado pelo Banco Central.
Em trecho da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação desta terça, há uma série de apontamentos que indicam a relação de Castro com Vorcaro. Essa relação foi destrinchada pela Polícia Federal a partir de dados colhidos no celular do banqueiro, que está preso desde 4 de março.
Segundo a PF, o governador tinha “vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master“, que ficou caracterizado pelos investigadores a partir de encontros frequentes entre os dois, em ambientes privados e no exterior, que eram custeados pelo banqueiro.
Ainda de acordo com a corporação, os encontros tinham “elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do RioPrevidência“.
“Esse relacionamento teria viabilizado o alinhamento político necessário para a liberação dos investimentos, bem como a nomeação estratégica de dirigentes do RioPrevidência em cargos chave (Presidência, Diretoria de Investimentos e Gerência de Investimentos)”, diz a PF.
Tais indicações, segundo os investigadores, teria a intenção de assegurar que as decisões de credenciamento e de aplicação de recursos previdenciários fossem conduzidas em desconformidade com a política de investimentos e com as normas regulatórias, mas em consonância com os interesses do Banco Master.
A PF aponta ainda que, mesmo diante de alertas formais de órgãos de controle e pareceres técnicos desfavoráveis à aplicação do RioPrevidência em fundos do Master, os aportes continuaram sendo feitos.
Fonte: Metrópoles