A Polícia Civil da Paraíba e o Ministério Público da Paraíba (MPPB) deflagraram, nas primeiras horas desta terça-feira (2), a Operação Perfidus, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, corrupção e outros crimes correlatos. O grupo, segundo as investigações, possuía atuação estruturada e contava com a participação de agentes públicos.
Durante a operação, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão em diferentes localidades. Também foram determinadas medidas patrimoniais que resultaram no bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões, com o objetivo de interromper o fluxo financeiro das atividades ilícitas e assegurar eventual reparação dos danos causados.
Entre os presos está o delegado da Polícia Civil Braz Morrone, que atua na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa. Com mais de duas décadas de atuação na segurança pública, Morrone já passou por diversas unidades policiais, incluindo a Delegacia de Repressão a Entorpecentes. Além dele, dois agentes de investigação também foram detidos, são eles: Everton Rychelyson da Silva Aires, o “Bomba”; e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”.
Além dos policiais civis, também foram presos:
A operação foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), pela Unidade de Inteligência Policial (UNINTELPOL) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).
De acordo com as investigações, integrantes da organização recebiam informações privilegiadas sobre imóveis e veículos utilizados por traficantes para armazenar e transportar drogas. A partir desses dados, realizavam ações clandestinas utilizando a condição funcional e a aparência de legalidade proporcionada pelo exercício da atividade policial.
As apurações apontam ainda que parte dos entorpecentes apreendidos era desviada e posteriormente comercializada ilegalmente, inclusive dentro do sistema prisional. Os lucros obtidos com a atividade criminosa seriam repartidos entre agentes públicos e demais integrantes do grupo.
Outro ponto investigado é a suposta manipulação de procedimentos policiais para conferir aparência de legalidade às ações criminosas e dificultar a descoberta do esquema. Também foram identificados indícios de retirada clandestina de drogas armazenadas em unidades policiais, oriundas de apreensões oficialmente registradas.
As investigações revelaram ainda o repasse sistemático de informações sigilosas sobre operações policiais a integrantes do tráfico de drogas, permitindo a fuga de suspeitos, a frustração de ações repressivas e a continuidade das atividades criminosas.
Segundo os órgãos responsáveis, a Operação Perfidus reforça o compromisso da Polícia Civil da Paraíba e do Ministério Público com a defesa da integridade das instituições públicas e o combate qualificado ao crime organizado. As investigações seguem em andamento para aprofundar os fatos e responsabilizar todos os envolvidos.
O nome da operação faz referência à palavra latina Perfidus, que significa “traidor” ou “desleal”, em alusão à conduta atribuída aos investigados que, conforme as apurações, teriam utilizado estruturas e prerrogativas do Estado para favorecer atividades criminosas.
Por Patos Online