A defesa do policial militar flagrado agredindo um jovem durante os festejos juninos no Parque do Povo, em Campina Grande, se manifestou oficialmente após a ampla repercussão do caso nas redes sociais. Em nota, o advogado criminalista Arthur da Silva Fernandes Cantalice afirmou que acompanha a apuração dos fatos com “absoluta serenidade e confiança nas instituições”.
O episódio aconteceu entre a noite da sexta-feira (5) e a madrugada do sábado (6), durante o São João de Campina Grande. Imagens que circulam nas redes sociais mostram um policial militar desferindo socos contra um jovem em meio a uma ocorrência no Parque do Povo.
Após a divulgação do vídeo, a Polícia Militar da Paraíba instaurou um procedimento administrativo disciplinar e determinou o afastamento cautelar do agente das atividades operacionais até a conclusão das investigações.
Na nota, a defesa destacou que o policial possui 11 anos de atuação na corporação, sendo cerca de nove anos no Batalhão de Choque, e que não possui registros de processos ou punições disciplinares que comprometam sua ficha funcional.
O advogado também ressaltou que os fatos não podem ser analisados apenas com base em vídeos divulgados nas redes sociais.
“Fatos de elevada repercussão não podem ser analisados exclusivamente a partir de recortes isolados, devendo ser objeto de apuração completa, técnica e imparcial pelos órgãos competentes”, afirma o documento.
Em nota oficial, a Polícia Militar informou que o caso será investigado pela Corregedoria-Geral da corporação, responsável por apurar as circunstâncias da ocorrência e verificar eventual responsabilidade funcional do policial envolvido.
A PM ressaltou ainda que as imagens divulgadas não refletem os padrões técnicos, legais e profissionais que orientam a atuação da instituição, reafirmando o compromisso com a legalidade, a disciplina, os direitos dos cidadãos e a prestação de um serviço de segurança pública responsável.
O jovem Johnny Palmeira, de 18 anos, que aparece nas imagens sendo agredido, relatou à TV Paraíba que não participou da confusão que teria motivado a intervenção policial.
Segundo ele, havia uma discussão no local, mas a situação já havia sido controlada quando o policial se aproximou.
“Tinha um povo, que eu não sei quem era, que acho que arrumou confusão e afastaram. Eu afastei o máximo que eu pude. Meus amigos ficaram atrás do povo. Só que a confusão já tinha acabado e a polícia veio lá de trás. Ele apontou para mim e falou ‘é você’. Ele já chegou batendo. Não deu tempo de eu fazer nada”, declarou.
Após a agressão, Johnny foi socorrido por amigas e encaminhado ao posto de atendimento dos bombeiros que atuavam no evento. Em seguida, recebeu atendimento no Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes.
De acordo com o jovem, ele sofreu ferimentos na boca, precisou levar oito pontos e teve um dente quebrado. Johnny relatou ainda que continua enfrentando dificuldades para se alimentar e falar normalmente.
A família informou que pretende ingressar com medidas judiciais contra o policial. Segundo a defesa da vítima, o caso poderá ter desdobramentos nas esferas administrativa, criminal e cível, a depender das conclusões das investigações e da gravidade das lesões sofridas.
As apurações seguem em andamento tanto na esfera administrativa da Polícia Militar quanto pelos demais órgãos competentes.
Por Patos Online