O presidente da Associação dos Forrozeiros da Paraíba, Alexandre Pé de Serra, defendeu uma maior valorização dos artistas nordestinos durante os festejos juninos e criticou a disparidade entre os altos cachês pagos a atrações nacionais e os valores destinados aos representantes do autêntico forró. Em entrevista à equipe de jornalismo da Rádio Espinharas FM, ele afirmou que o debate sobre os gastos públicos com eventos é necessário, mas deve ocorrer de forma justa e sem critérios seletivos.
Alexandre citou como exemplo a situação envolvendo o cantor Flávio José, que decidiu não participar de determinados eventos após a solicitação para redução de seu cachê. Segundo ele, cada artista tem o direito de definir o valor de seu trabalho, levando em consideração sua trajetória, estrutura e custos para manter os espetáculos. Para o presidente da entidade, é estranho que artistas ligados às tradições nordestinas sejam frequentemente questionados, enquanto cachês milionários de outros gêneros musicais recebem menos críticas.
Durante a entrevista, Alexandre destacou que o São João é uma das maiores manifestações culturais do Nordeste e que sua essência está diretamente ligada ao forró. Ele lembrou que o gênero foi construído ao longo de décadas por sanfoneiros, zabumbeiros, triangulistas e cantadores que dedicaram suas vidas à preservação da identidade cultural nordestina.
O presidente da Associação dos Forrozeiros afirmou que, ano após ano, se repete o cenário de grandes investimentos em artistas sertanejos e atrações nacionais, enquanto muitos artistas da terra lutam por espaço nas programações e recebem cachês considerados incompatíveis com sua importância cultural. Para ele, essa realidade contribui para o enfraquecimento das tradições juninas.
Alexandre também ressaltou que valorizar os artistas locais não deve ser visto como um favor, mas como um investimento na cultura, na economia criativa e na identidade do povo nordestino. Segundo ele, o São João perde parte de sua essência quando os verdadeiros representantes do forró são colocados em segundo plano dentro de eventos que nasceram justamente da cultura popular.
Ao concluir sua fala, Alexandre Pé de Serra fez um apelo aos gestores públicos, patrocinadores e à sociedade para que reflitam sobre a importância da valorização dos artistas da terra. “Não existe festa junina sem cultura popular, e não existe cultura popular forte sem a valorização dos seus verdadeiros protagonistas. Respeite os artistas da terra, respeite o forró e respeite a nossa história”, declarou.
Loading...