A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou sobre o caso envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e defendeu que a análise sobre uma eventual falta grave seja feita somente após a conclusão das investigações em andamento.
O parecer foi assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) após o ministro Alexandre de Moraes levantar a possibilidade de descumprimento das condições da prisão domiciliar por parte de Bolsonaro em razão da posse de uma arma de fogo.
Segundo Gonet, o caso ainda está em fase inicial de apuração e, neste momento, não existem elementos suficientes para caracterizar uma infração disciplinar ou o descumprimento das medidas impostas pela Justiça.
Para o chefe da PGR, a configuração de uma falta grave exige uma análise mais ampla dos fatos, considerando não apenas a previsão legal, mas também os impactos da conduta e seus reflexos na execução da pena. Diante disso, ele sugeriu que o STF aguarde o encerramento das investigações para uma avaliação definitiva sobre o episódio.
A manifestação ocorre justamente no dia em que Bolsonaro completa 90 dias de prisão domiciliar, prazo inicialmente estabelecido pelo STF para o tratamento de problemas de saúde. A decisão sobre a manutenção ou não do benefício deverá ser tomada por Alexandre de Moraes após a análise do parecer da Procuradoria.
A discussão teve início após a apreensão de uma pistola durante uma abordagem da Polícia Militar do Distrito Federal, realizada no último dia 15 de junho, em Taguatinga.
A arma estava com um sargento do Exército ligado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que informou aos policiais que o armamento pertencia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Posteriormente, Bolsonaro confirmou à Polícia Civil do Distrito Federal que a arma era de sua propriedade. Segundo relato prestado em depoimento, ele afirmou que mantinha a posse do armamento e justificou a necessidade de proteção dentro de casa.
Diante da situação, Moraes destacou que a Lei de Execução Penal considera falta grave a posse indevida de instrumento capaz de causar lesão física durante o cumprimento de pena.
O ministro também lembrou que a legislação prevê punições que podem incluir a revogação da prisão domiciliar, regressão de regime, perda de benefícios e outras sanções disciplinares.
Os advogados de Bolsonaro afirmam que a arma apresentava defeito mecânico e havia sido entregue a um integrante de sua equipe de segurança para reparo.
Segundo a defesa, o armamento estava sem condições de uso porque o percussor havia sido retirado anteriormente por agentes responsáveis pela segurança do ex-presidente. Os advogados também apresentaram documentação que comprovaria a autorização legal para a posse da pistola.
Enquanto isso, a Polícia Civil do Distrito Federal segue investigando as circunstâncias da posse e da circulação da arma, informações que deverão subsidiar futuras decisões do STF sobre o caso.
Por Patos Online
Com informações do Metrópoles