A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou, nesta terça-feira (30/6), que deixará a presidência do PL Mulher. Em nota, ela afirmou que tomou a decisão após conversar com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e comunicá-la ao presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto.
Segundo Michelle, o objetivo é se dedicar “integralmente” aos cuidados com o marido e com a filha.
A decisão é anunciada em meio a um período de desgaste político. Nos últimos dias, Michelle tornou público um desentendimento com o senador e enteado Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após afirmar que se sentiu desrespeitada durante uma conversa telefônica sobre articulações do partido no Ceará (entenda mais abaixo).
“Na condição de presidente do Partido Liberal Mulher, venho por meio desta informar que, após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar – integralmente – aos cuidados para com o meu marido e minha filha”, disse Michelle em nota.
Apesar da saída da presidência do PL Mulher, Michelle Bolsonaro ainda considera candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, conforme noticiou o Metrópoles, na coluna Grande Angular.
A crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro deixou de ser um conflito de bastidores e se tornou um dos maiores rachas públicos da família Bolsonaro e do PL.
Em vídeo publicado na semana passada, Michelle relatou que o desgaste teve origem no fim de 2025, durante discussões sobre estratégias eleitorais do PL, especialmente no Ceará. A ex-primeira-dama era contrária à aproximação de lideranças do partido com o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes. Flávio, por sua vez, defendia a articulação política e teria reagido de forma dura às críticas da madrasta.
Ela afirmou que foi “humilhada”, “maltratada” e “desrespeitada” pelo enteado durante uma ligação telefônica.
Segundo o relato, Flávio teria dito que ela deveria ficar afastada das decisões partidárias e que, por ter ingressado recentemente na política, não teria experiência suficiente para opinar sobre as articulações do partido. Michelle afirmou ainda que interpretou a conversa como um sinal de que seu apoio político não era valorizado.
Além da discussão, ela acusou aliados de Flávio de promoverem ataques contra sua imagem nas redes sociais e classificou a situação como uma “punhalada nas costas”.
Após a repercussão, Flávio divulgou uma nota afirmando que jamais teve a intenção de ofender Michelle. O senador disse que, caso ela tenha se sentido desrespeitada, pedia desculpas, ressaltando reconhecer sua importância tanto para o PL Mulher quanto para o cuidado com Jair Bolsonaro. Ele também afirmou que sua prioridade era preservar a união da família e reduzir os desgastes públicos.
Dias depois, durante agenda de pré-campanha, Flávio afirmou que o episódio era uma “página virada” e evitou alimentar novas polêmicas. Questionado se havia conversado novamente com Michelle, limitou-se a dizer que o assunto estava superado e que pretendia seguir em frente.
Fonte: Metrópoles