O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado do Ministério Público da Paraíba (Gaeco/MPPB) e a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil (Draco/PCPB) deflagraram na última quarta-feira (1º) uma operação para cumprir cinco mandados de busca e apreensão nos estados da Paraíba e Pernambuco, no âmbito de uma investigação que apura, em tese, os crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Segundo o Ministério Público, a investigação é um desdobramento de outro procedimento instaurado para apurar a exploração da imagem de crianças e adolescentes em publicações divulgadas por influenciadores digitais nas redes sociais.
As apurações apontam que os recursos financeiros movimentados pelos investigados seriam provenientes de atividades ligadas a jogos e apostas ilegais. Conforme a investigação, parte significativa dos valores, pagos semanalmente em dinheiro em espécie, teria origem na exploração de bancas do jogo do bicho, sendo utilizados mecanismos para ocultar e dissimular a origem ilícita desses recursos.
Os mandados foram cumpridos em João Pessoa e Campina Grande, na Paraíba, e em Recife, Pernambuco, atingindo residências e sedes de empresas supostamente vinculadas ao esquema investigado.
De acordo com o Ministério Público, a operação busca aprofundar a coleta de provas, identificar o fluxo financeiro dos recursos investigados e subsidiar o avanço das investigações, observando as garantias constitucionais e o devido processo legal.
Entre os principais alvos da operação está o empresário Jocélio Costa, proprietário da rede Bar do Cuscuz. Segundo a investigação, ele teria atuado como sócio oculto e investidor estratégico da empresa Fartura Premiações.
Os investigadores afirmam ter encontrado, em aparelhos eletrônicos apreendidos, conversas que indicariam que o empresário exigia que sua participação permanecesse em sigilo. A apuração também sustenta que a estrutura do Bar do Cuscuz teria sido utilizada para viabilizar a entrega de malotes de dinheiro destinados aos influenciadores Hytalo Santos e Israel Natã, conhecido como Euro, igualmente investigados.
A representação apresentada pelo Ministério Público descreve a existência de um suposto esquema de lavagem de capitais que utilizaria a marca Fartura Premiações e a estrutura denominada "Turma do HS" para conferir aparência de legalidade a recursos provenientes de atividades ilícitas. Conforme a investigação, os valores teriam origem, entre outros crimes antecedentes, na exploração da imagem e da sexualidade de adolescentes em ambiente digital.
Ao autorizar as medidas cautelares, a juíza Michelline Jatobá destacou que os elementos reunidos até o momento apontam indícios consistentes da atuação de uma organização criminosa estruturada, com divisão de funções voltada à prática de lavagem de dinheiro.
Além de Jocélio Costa, também foram alvos de mandados de busca e apreensão os influenciadores Hytalo Santos e Israel Natã, que cumprem prisão no Presídio do Roger; a empresa Bilhete Premiado, além de Cícero Fabiano e Nilson Silva.
Em nota, a defesa de Jocélio Costa informou que aguarda acesso integral aos autos da investigação para se manifestar sobre as acusações. Já a defesa de Hytalo Santos e Israel Vicente informou que os influenciadores "jamais se recusaram a colaborar com a Justiça e sempre estiveram à disposição das autoridades para demonstrar sua clara inocência, inclusive com os computadores apreendidos, que permaneceram acessíveis à Justiça em todo momento".
O Ministério Público da Paraíba e a Polícia Civil reafirmaram o compromisso com o combate ao crime organizado, à lavagem de dinheiro e às estruturas utilizadas para ocultar patrimônio proveniente de atividades ilícitas.
Por Patos Online
Com informações do MPPB e WSCOM