O gol de pênalti contra a Noruega foi muito provavelmente o último toque de Neymar não só em uma Copa do Mundo, mas também com a camisa da Seleção Brasileira. Em declaração rápida à Globo, no gramado do MetLife Stadium, o atacante indicou que não deve mais atuar pelo país após a derrota deste domingo (5).
"Tentei, tentei. Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui", disse o camisa 10, bastante abatido.
A história de Neymar, como ele próprio disse, começou justamente no palco desta noite. Em Nova Jersey, o então franzino atacante do Santos anotou o primeiro gol em um amistoso contra os Estados Unidos, numa vitória por 2 a 0 que abriu os trabalhos de Mano Menezes e também sua história com a camisa amarela.
Na época, Neymar usava a 11 e ainda atuava aberto pela esquerda, assim como atuava pelo clube. A tradicional 10 só viria anos depois, na conquista do único título pela Seleção principal: a Copa das Confederações de 2013.
No torneio disputado em solo brasileiro, o craque foi o grande nome de uma campanha com 100% de aproveitamento, que teve vitórias sobre Itália, Uruguai e sobretudo Espanha, amassada por 3 a 0 em um Maracanã lotado. Neymar saiu como o melhor jogador e vice-artilheiro do time, com quatro gols, apenas um abaixo de Fred.
A expectativa era imensa pelo que seria a primeira Copa da carreira de Neymar. Em 2014, o astro brilhou na estreia contra a Croácia, com dois gols, e voltou a marcar contra Camarões, ainda na fase de grupos. Mas uma joelhada de Zuniga, no confronto das quartas de final contra a Colômbia, encerrou seu sonho mais cedo. Da cama de um hospital, o atacante viu o Brasil levar 7 a 1 da Alemanha e sair aos prantos, como ele, do Mundial.
Neymar teve mais três chances de ganhar a Copa com o Brasil, mas falhou em todas elas, assim como o grupo. Prejudicado por lesões antes e durante os torneios, parou nas quartas de final em 2018, para a Bélgica, e em 2022, contra a Croácia, quando sequer teve a chance de cobrar um pênalti na disputa. Este ano, foi reserva em boa parte da campanha e atuou menos de 60 minutos, somando todas as partidas.
Caso este de fato tenha sido o fim, Neymar levará uma grande imagem de seu período com a camisa amarela: a conquista da medalha olímpica de 2016, então inédita para o futebol nacional e que o teve como 10 e capitão. Foi dos seus pés, em uma cobrança de pênalti, que saiu o gol que garantiu o ouro para o Brasil, contra a Alemanha, no Maracanã.
Dez anos depois, é em um pênalti que possivelmente a carreira do astro na Seleção Brasileira acabará. Neymar, sempre é bom lembrar, termina a trajetória com 80 gols em 130 jogos. É o maior artilheiro da era de jogos oficiais, acima dos 77 de Pelé. Só que o Rei, contando amistosos não-oficiais de sua época, terminou a carreira pela equipe nacional com 95 bolas nas redes. E três títulos mundiais.
Neymar perseguiu o quanto pode. Agora, não tem mais tempo.
Fonte: ESPN