Destaque LEGADO NA MÚSICA
Seis anos sem Pinto do Acordeon: um dos mestres que eternizou o forró na cultura nordestina
No dia 21 de julho de 2020, a sanfona silenciou, mas o legado do mestre segue vivo na cultura nordestina.
21/07/2026 17h30 Atualizada há 3 horas
Por: Felipe Vilar Fonte: Patos Online
Foto: Reprodução/YouTube/MilagreStaLuziaSerie

Nesta terça-feira, 21 de julho, completam-se seis anos da morte de Francisco Ferreira Lima, o Pinto do Acordeon, um dos maiores representantes da música nordestina e da cultura popular paraibana. Embora sua sanfona tenha silenciado em 2020, sua obra continua ecoando nos palcos, nas festas juninas e no coração de quem aprendeu a amar o forró autêntico através de suas composições.

Pinto do Acordeon faleceu aos 72 anos, em um hospital de São Paulo, onde estava internado desde janeiro daquele ano para tratamento de um câncer. O corpo foi velado em João Pessoa e sepultado em Patos, no Sertão da Paraíba, terra que o acolheu e onde recebeu as últimas homenagens de familiares, amigos e admiradores.

Relembre abaixo uma reportagem feita pelo Patos Online à epoca:

Natural de Conceição, no Alto Sertão paraibano, Pinto construiu uma trajetória marcada pela simplicidade, talento e amor às raízes nordestinas. Foi ao lado da trupe de Luiz Gonzaga, o eterno Rei do Baião, que começou a ganhar projeção nacional, levando a sonoridade da sanfona e a poesia do sertão para os quatro cantos do Brasil.

Ao longo da carreira, gravou cerca de 20 álbuns entre LPs e CDs. Entre tantos sucessos, "Neném Mulher" tornou-se um verdadeiro clássico do forró, atravessando gerações e permanecendo viva no repertório de artistas e nas festas populares. Também deixou sua marca em obras como Arte Culinária, Por Amor Ao Forró, As Filhas da Viúva, O Rei do Forró Sou Eu, Projeto Divino, Eco Nordeste, Vem Viver Essa Paixão e muitos outros trabalhos que ajudaram a preservar a identidade cultural do Nordeste.

Mesmo enfrentando sérios problemas de saúde nos últimos anos de vida, incluindo a amputação de parte de uma perna em decorrência de complicações da diabetes, Pinto jamais deixou de representar a força e a resistência do povo sertanejo.

O reconhecimento por sua contribuição à cultura veio ainda em vida. Em julho de 2019, poucos dias antes de sua partida, sua obra foi declarada Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado da Paraíba, uma homenagem que eternizou oficialmente sua importância para a história da música paraibana. Naquele mesmo ano, também recebeu o título de Mestre das Artes Canhoto da Paraíba, concedido pelo Governo do Estado por meio do Registro no Livro de Mestres das Artes (REMA), destinado a personalidades que dedicaram décadas à preservação das tradições culturais.

Talvez nenhuma frase resuma tão bem a essência de Pinto do Acordeon quanto aquela dita por ele na série O Milagre de Santa Luzia, apresentada por Dominguinhos:

"O artista não vai morrer nunca, ele se imortaliza."

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Seis anos depois de sua partida, essas palavras continuam fazendo sentido. Pinto do Acordeon permanece vivo em cada sanfona que anuncia o início de um arrasta-pé, em cada verso que celebra o sertão, em cada casal que dança um forró pé de serra e em cada nordestino que reconhece na música uma forma de contar sua própria história.

Mais do que um cantor, compositor ou sanfoneiro, Pinto do Acordeon tornou-se um símbolo da cultura nordestina. Seu legado atravessa o tempo e inspira novas gerações de músicos a manterem viva a tradição do autêntico forró.

Neste 21 de julho, a Paraíba relembra um de seus maiores artistas, enquanto sua sanfona, mesmo em silêncio, continua tocando na memória de um povo que jamais esquecerá o mestre que transformou a alma do sertão em música.

Por Felipe Vilar - Patos Online