Política TRIBUNA LIVRE
Na Câmara, superintendente da STTrans rebate críticas, nega “indústria da multa” e defende fiscalização: “Os punidos são os maus condutores”
Durante pronunciamento na Câmara de Patos, Ítalo Torres negou “indústria da multa”, defendeu a atuação dos agentes e disse que o foco é garantir segurança e organização no trânsito.
05/08/2026 07h00 Atualizada há 13 minutos
Por: Felipe Vilar Fonte: Patos Online
Foto: Divulgação

O superintendente da Superintendência de Trânsito e Transportes de Patos (STTrans), Ítalo Torres, utilizou a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Patos, durante a sessão ordinária desta terça-feira (4), para esclarecer questionamentos sobre a atuação do órgão diante das recentes cobranças de vereadores e da população em relação ao aumento no número de multas aplicadas na cidade.

Em seu pronunciamento, o gestor rejeitou as acusações de que a STTrans estaria promovendo uma "indústria da multa" e ressaltou que o objetivo da fiscalização é preservar vidas e garantir a segurança viária.

"O trânsito não se trata de arrecadação, se trata de salvar vidas. Cada placa, cada limite de velocidade, cada faixa de pedestre e cada proibição de estacionar têm uma razão técnica para proteger as pessoas", afirmou.

Segundo Ítalo, deixar de autuar condutores que cometem infrações significaria descumprir um dever previsto na legislação de trânsito.

"Se eu deixo de aplicar uma penalidade quando a lei determina, estarei deixando de cumprir o dever que me foi imposto. Não existe espaço para decisões baseadas em simpatia, antipatia, amizade ou pressões políticas", declarou.

Competência para autuar

Outro ponto abordado pelo superintendente foi a alegação de que pessoas sem competência legal estariam aplicando multas. Ele negou a informação e garantiu que todos os procedimentos seguem rigorosamente o Código de Trânsito Brasileiro e as normas dos órgãos competentes.

Ítalo destacou ainda que qualquer motorista autuado tem assegurado o direito à ampla defesa, podendo apresentar defesa prévia e recorrer às instâncias administrativas, como a Junta Administrativa de Recursos de Infrações (JARI) e o Conselho Estadual de Trânsito (Cetran).

Infrações são diárias

Durante a apresentação, a STTrans exibiu imagens de infrações registradas em diferentes pontos da cidade. Entre elas, veículos estacionados em fila dupla, parados sobre faixas de pedestres, estacionamentos irregulares e motoristas trafegando na contramão.

Segundo o superintendente, essas ocorrências fazem parte da rotina de fiscalização e demonstram a necessidade da atuação dos agentes.

"Como vamos organizar o trânsito se não houver fiscalização? Em apenas cinco minutos de vídeo observamos inúmeras infrações. Isso acontece todos os dias em Patos", afirmou.

Educação antes da punição

Ítalo Torres ressaltou que a fiscalização é precedida por ações educativas desenvolvidas pela STTrans, como campanhas de conscientização voltadas para motoristas, motociclistas e pedestres.

Entre as iniciativas citadas estão as campanhas "Evite Multas" e "Respeite a Faixa", além de orientações sobre o uso correto do capacete, fechamento da jugular e utilização de calçados adequados por motociclistas.

"O primeiro trabalho sempre é educar. Quando isso não é suficiente, infelizmente precisamos aplicar a penalidade para organizar o trânsito", explicou.

Números e críticas

O superintendente também rebateu informações divulgadas recentemente sobre a quantidade de multas e os valores arrecadados pelo órgão.

Segundo ele, não procede a informação de que a STTrans tenha aplicado cinco mil multas no mês de julho ou arrecadado R$ 5 milhões.

"Disseram que tínhamos cinco mil multas e cinco milhões para arrecadar. Isso não é verdade. Se tivéssemos esses recursos, investiríamos ainda mais em sinalização e educação para o trânsito", comentou.

Defesa dos agentes

Na reta final do pronunciamento, Ítalo saiu em defesa dos agentes de trânsito, afirmando que os servidores frequentemente são alvo de agressões verbais e críticas durante o exercício da função.

Para ele, parte da população acaba responsabilizando a fiscalização pelas autuações, quando o verdadeiro problema está no comportamento de quem insiste em desrespeitar as leis de trânsito.

"Houve uma inversão de valores. As pessoas olham para a consequência, que é a multa, mas não observam a causa, que é o mau condutor. Os que estão sendo punidos são aqueles que colocam em risco a vida, a saúde e a integridade das outras pessoas", concluiu.

Veja o pronunciamento no vídeo abaixo:

 
 
 
 
 
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Por Patos Online