Policial JUSTIÇA
Justiça torna delegado e agentes da Polícia Civil réus por suspeita de integrar organização criminosa na Paraíba
Decisão aceitou denúncia do Ministério Público contra oito investigados na Operação Perfidus; sete permanecem presos e uma mulher segue em prisão domiciliar
26/08/2026 12h30 Atualizada há 22 minutos
Por: Higor Oliveira Fonte: Patos Online com g1 PB
Foto: Reprodução/TV Globo

A Justiça da Paraíba aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e tornou réus oito investigados na Operação Perfidus, que apura a suspeita de envolvimento de policiais civis e integrantes do tráfico de drogas em uma organização criminosa.

Entre os réus estão o delegado Braz Morroni e os agentes da Polícia Civil Everton Aires e Eduardo Jorge. A decisão foi assinada nesta terça-feira (25) e marca o início formal da ação penal contra os denunciados.

Segundo a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), o grupo é suspeito de integrar uma organização criminosa armada que teria como uma das principais atividades a apropriação e o desvio de carregamentos de drogas pertencentes a facções rivais. Conforme a acusação, os entorpecentes seriam posteriormente reinseridos no comércio ilegal.

Os investigados também são acusados de lavagem de dinheiro, por meio da ocultação e dissimulação de valores supostamente obtidos com as atividades criminosas.

A investigação teve como alvo servidores lotados na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa, que, segundo o Ministério Público, teriam atuado em conjunto com integrantes do tráfico de drogas.

Prisões mantidas

A Justiça decidiu manter as prisões preventivas de Braz Morroni de Paiva Júnior, Everton Rychelyson da Silva Aires, Eduardo Jorge Ferreira do Egito, José Alexandrino de Lira Júnior, João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral e Paulo Ricardo Barbosa de Souza.

Segundo a decisão, foram considerados fatores como a gravidade dos crimes investigados, a suspeita de participação dos acusados em uma organização criminosa estruturada e o risco de interferência na investigação e na instrução do processo.

Já Vanessa Dantas Fernandes continuará cumprindo prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico.

Acusações serão analisadas durante o processo

De acordo com a decisão, a denúncia apresentada pelo Ministério Público descreve as circunstâncias dos crimes, individualiza a suposta participação de cada denunciado e apresenta elementos suficientes, nesta fase processual, para indicar a materialidade dos crimes e indícios de autoria.

Entre as acusações, o delegado Braz Morroni é apontado pelo Ministério Público como suposta liderança institucional do esquema. Everton Aires seria responsável pela articulação entre policiais e integrantes de facções criminosas.

Eduardo Jorge é acusado de participar de ações para retirar drogas de depósitos utilizando viaturas oficiais. Os demais réus também são apontados como supostos participantes de diferentes etapas do tráfico e da distribuição de entorpecentes.

As acusações ainda serão analisadas no decorrer da ação penal, assegurados aos réus o direito à ampla defesa e ao contraditório.

Próximos passos

Com o recebimento da denúncia, os oito réus deverão ser citados para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias. As defesas poderão apresentar documentos, indicar testemunhas e questionar aspectos da denúncia.

Após essa etapa, o processo seguirá para a fase de instrução, com a produção e análise de provas e depoimentos.

A decisão também autorizou o compartilhamento de provas da investigação com outros inquéritos policiais, procedimentos da Corregedoria-Geral da Polícia Civil e apurações conduzidas pelo Ministério Público.

Por Patos Online
Com informações do g1 PB