Brasil CASAS BAHIA
Com dívida de R$ 17 bilhões, Casas Bahia pagou propina milionária em SP, revela colunista do Metrópoles
Ministério Público de São Paulo afirmou que o grupo Casas Bahia pagou R$ 2,98 milhões de propina para obter vantagens em créditos de ICMS
06/09/2026 18h30
Por: Higor Oliveira Fonte: Metrópoles
Prédio da Casas Bahia em Patos Foto: Marcos Oliveira/Patos Online

Em meio ao pedido de recuperação judicial das Casas Bahia, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou operação que demonstra o pagamento de R$ 2,98 milhões originados pela varejista a auditores fiscais da Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP).

O objetivo do suborno era obter vantagens no ressarcimento de ICMS. Ao todo, o esquema pode ter transferido mais de R$ 1 bilhão em propinas e favorecido dezenas de empresas. Executivos e donos da Fast Shop e da Ultrafarma chegaram a ser presos no mesmo caso.

No pedido de recuperação judicial, o grupo Casas Bahia declarou dívida de R$ 17 bilhões.

Para o advogado Luis Fernando Guerrero, especialista em recuperações judiciais, o principal problema da acusação do MPSP é a “crise de confiança” que pode abater sobre a empresa.

“Pode haver uma crise de confiança porque a empresa já passa por dificuldade, já negocia com credores, e agora surge essa situação que pode abalar, de algum modo, a confiança no mercado. Então, isso pode gerar algum impacto”, avalia o advogado.

Por outro lado, Guerrero afirma que a investigação ainda está em fase inicial e até que se comprove, judicialmente, eventual responsabilidade de agentes e administradores do grupo Casas Bahia pode demorar entre três e cinco anos.

“Do ponto de vista da recuperação, propriamente, não tem um impacto direto”, resume. “O grande desafio agora é enfrentar mais essa situação e cumprir os termos do plano de recuperação a ser proposto e aprovado pelos credores. Passar essa confiança vai ser a ação-chave”, prospecta Guerrero.

A varejista informou que criou comissão para investigar o caso e pontuou que segue à disposição das autoridades competentes.

“O Grupo Casas Bahia informa que, em março de 2026, criou um Comitê Independente de Investigação para acompanhar e apurar todos os pontos relacionados ao caso. Enquanto os trabalhos deste Comitê seguem em andamento, a companhia se mantém à disposição das autoridades competentes para colaborar com as apurações e reforça que repudia qualquer ato ilícito, conduta antiética ou prática que viole a legislação.”

Fonte: Metrópoles