A Polícia Civil da Paraíba deflagrou, nas primeiras horas desta terça-feira (15), a Operação Bon Vivant, resultado de uma investigação que durou mais de um ano e teve como foco uma organização suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, comercialização ilegal de armas de fogo e lavagem de dinheiro.
A ação, coordenada pelo Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (DRACCO), ocorreu em Campina Grande e no Rio Grande do Norte e resultou na prisão de 27 pessoas. Também foram determinadas medidas de bloqueio de valores que chegam a R$ 144 milhões, além da apreensão de veículos de luxo, jet ski e outros bens.
Segundo o delegado Afrânio de Britto, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) de Campina Grande, a investigação identificou diferentes mecanismos utilizados pelo grupo para tentar lavar o dinheiro proveniente do tráfico.
“Essa lavagem era feita através de criptomoedas, através de cavalos de raça e também eles estavam querendo investir na carreira de um cantor para tentar lavar dinheiro no sucesso desse cantor, se ele viesse a ter”, explicou o delegado.
De acordo com Afrânio de Britto, a operação é resultado de uma apuração de mais de um ano voltada especificamente para pessoas apontadas como responsáveis pela lavagem dos recursos obtidos com o tráfico de drogas.
A estratégia investigativa, segundo o delegado, identificou uma estrutura que buscava retirar os recursos do circuito diretamente relacionado ao crime e inseri-los em diferentes atividades e investimentos.
Entre os mecanismos estavam operações envolvendo criptomoedas e cavalos de raça, além da tentativa de impulsionar financeiramente a carreira de um cantor. O grupo mantinha também negócios relacionados a vaquejadas.
A polícia não divulgou o nome do artista e, conforme as informações apresentadas durante a operação, o cantor não é apontado como integrante da organização. A investigação busca esclarecer de que forma os recursos seriam utilizados dentro da estratégia montada pelos suspeitos.
De acordo com as investigações, o grupo também utilizava o mercado de animais e o circuito de vaquejadas como parte da estratégia para movimentar recursos.
Os investigados adquiriam animais e participavam de leilões, realizando transações financeiras e mantendo contato com criadores, compradores e outros integrantes do setor. Conforme a Polícia Civil, essas relações ajudavam a ampliar a rede de contatos e abrir caminho para novas negociações.
Um dos integrantes mantinha ainda uma atividade comercial voltada à criação e venda de animais. Segundo os investigadores, o negócio estava inserido na estrutura utilizada pelo grupo para movimentar dinheiro e atuar no segmento.
A apuração também identificou três academias vinculadas aos investigados. Para a Polícia Civil, a utilização de diferentes empreendimentos indica que o grupo recorria a diversas atividades para movimentar os valores e dificultar a identificação de sua origem criminosa.
A estrutura investigada contava ainda com pessoas apontadas como “laranjas”, que seriam utilizadas para movimentar recursos ou registrar bens e empresas em seus nomes. Segundo a polícia, entre essas pessoas estavam as esposas de alguns dos investigados.
Um dos principais resultados da operação é a determinação judicial para o bloqueio de aproximadamente R$ 144 milhões vinculados aos investigados.
Para o delegado Afrânio, a medida representa uma das principais estratégias de combate ao crime organizado, ao atingir a estrutura financeira da organização.
“É uma operação muito grande onde, na verdade, se atinge o coração do crime organizado, que é a asfixia financeira”, afirmou.
Segundo ele, além das prisões, os investigados passam a sofrer o bloqueio e a perda de acesso aos recursos e bens alcançados pelas decisões judiciais.
“Não está sendo preso uma pessoa. Além de estar preso, ele está perdendo a questão financeira, ou seja, ele está se descapitalizando”, acrescentou.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos carros de luxo, jet ski e outros bens que serão submetidos à análise dentro da investigação.
Parte dos mandados foi cumprida nos bairros Aluízio Campos e José Pinheiro e em dois condomínios fechados de Campina Grande, aonde alguns dos alvos foram localizados.
Segundo Afrânio de Britto, um dos investigados, apontado pela polícia como líder do grupo, tentou escapar no momento em que os agentes chegaram ao imóvel.
Conforme o delegado, o homem tentou fugir pelos telhados das residências, mas acabou retornando para dentro do imóvel. Na sequência, ele teria se escondido embaixo de uma cama-baú, onde foi localizado pelos policiais.
A operação mobilizou equipes de diferentes unidades especializadas da Polícia Civil.
De acordo com Afrânio, participaram da operação equipes da DRE, Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Delegacia de Crimes contra o Patrimônio e de Desarmamento (Desarme), Grupo de Operações com Cães (GOC) e Grupo de Operações Especiais de Inteligência (GOI).
O delegado destacou a atuação integrada das unidades que integram a estrutura de combate ao crime organizado e à corrupção na Paraíba.
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A operação também cumpriu mandados em diferentes pontos de Campina Grande, incluindo os bairros José Pinheiro e Aluísio Campos, além de condomínios de alto padrão, e teve desdobramentos no Rio Grande do Norte.
Durante uma das ações, um dos alvos teria efetuado disparos contra os policiais, mas ninguém ficou ferido. No bairro José Pinheiro, uma máquina de prensa também foi apreendida. Segundo a investigação, o equipamento pode ter sido utilizado para prensar drogas em tabletes.
Ao todo, foram cumpridos 27 mandados de prisão, sendo que 15 deles tinham como alvo pessoas que já estavam presas.
A Polícia Civil continua analisando o material apreendido e os bens alcançados pelas medidas judiciais para aprofundar a investigação sobre a estrutura financeira e a atuação da organização.
Por Patos Online