Política ELEIÇÕES 2026
Lula diz que celibato e falta de espaço para mulheres fazem Igreja Católica crescer menos que evangélicos; declaração repercute
Durante encontro com lideranças evangélicas no Palácio do Planalto, presidente também afirmou que “vai precisar muito das igrejas” no próximo ano e defendeu política de cuidados para idosos
19/09/2026 21h00
Por: Felipe Vilar Fonte: Patos Online
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na quarta-feira (16), que a manutenção do celibato e as restrições à participação feminina em cargos de liderança seriam fatores que contribuem para o menor crescimento da Igreja Católica em comparação com as igrejas evangélicas.

A declaração ocorreu durante um encontro com lideranças protestantes brasileiras e norte-americanas no Palácio do Planalto. Segundo Lula, as igrejas evangélicas teriam como vantagem a maior participação das mulheres em posições de liderança.

Ao comentar o tema, Lula afirmou que já havia conversado sobre o assunto com o papa Francisco e defendeu mudanças nas regras da Igreja Católica, citando especificamente o celibato e a possibilidade de mulheres ocuparem funções como padres e bispos.

"Eu conheço o trabalho da Igreja Católica. Falei pro papa Francisco, 'enquanto a Igreja Católica não acabar com celibato e permitir que mulheres possam ser bispos, padres, a gente vai ver Igreja Católica passando dificuldade'. Esta é uma vantagem que a igreja evangélica tem. Mulheres são tratadas em igualdade de condições. Isso faz com que tenha crescido tanto no Brasil", opinou o petista.

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Declaração repercute entre católicos nas redes sociais

A fala do presidente provocou reações críticas nas redes sociais por parte de católicos, que questionaram a avaliação feita por Lula sobre a Igreja Católica e seus princípios.

Entre os comentários publicados, há manifestações que apontam que o posicionamento do presidente contraria ensinamentos e tradições mantidos pela Igreja ao longo de sua história, especialmente em relação ao celibato sacerdotal e à ordenação de mulheres.

A Igreja Católica mantém o celibato como disciplina para o sacerdócio no rito latino, embora existam exceções e diferentes disciplinas em algumas circunstâncias e ritos. Quanto à ordenação sacerdotal, a Igreja sustenta que o sacerdócio ministerial é reservado aos homens.

As críticas também fazem referência a posicionamentos adotados por diferentes papas ao longo das últimas décadas sobre esses temas. As reações, contudo, não representam necessariamente a posição de todos os católicos.

Censo mostra mudança no perfil religioso

Os dados mais recentes do Censo Demográfico mostram uma redução da proporção de brasileiros que se declaram católicos e crescimento do percentual de evangélicos.

Segundo o IBGE, 56,7% da população brasileira com 10 anos ou mais se declarou católica em 2022, ante 65% em 2010. Já o percentual de evangélicos passou de 21,7% para 26,9% no mesmo período.

O levantamento indica que a proporção de católicos atingiu o menor percentual da série histórica do Censo, enquanto a participação dos evangélicos alcançou o maior patamar registrado pelo instituto.

Os números, porém, descrevem a mudança no perfil religioso da população, mas não estabelecem que o celibato ou a participação feminina sejam as causas da variação apontada por Lula.

“Vamos precisar muito das igrejas”, diz Lula

Durante o encontro, o presidente também afirmou que o governo deverá contar com a participação das igrejas no desenvolvimento de uma política voltada à população idosa.

Lula disse que pretende criar uma política de cuidados que não fique restrita a pessoas doentes, mas também alcance idosos que vivem sozinhos ou em situação de isolamento.

Segundo o presidente, a proposta busca criar espaços para que essas pessoas possam participar de atividades de lazer e convivência, como passeios, sessões de cinema, natação e dança. Lula também fez uma brincadeira ao mencionar relacionamentos na terceira idade.

Jorge Messias se emociona durante encontro

Também participou da reunião o advogado-geral da União, Jorge Messias, que é evangélico. Durante sua fala, ele declarou orgulho de servir ao país sob a liderança de Lula e fez uma manifestação de caráter religioso.

Messias também relatou uma conversa com a jornalista e ativista Nilza Valéria Zacarias, uma das coordenadoras da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, fazendo referência às dificuldades enfrentadas por cristãos identificados com a esquerda.

O encontro reuniu lideranças evangélicas brasileiras e norte-americanas no Palácio do Planalto e ocorreu em meio à aproximação do presidente com segmentos do eleitorado evangélico.

Por Patos Online
Com SBT News