O médico oncologista Dr. Silas Negrão Serra Júnior publicou uma carta de despedida aos pacientes, amigos e familiares com quem conviveu durante os dois anos e meio em que atuou no Hospital do Bem, em Patos, no Sertão da Paraíba.
Em sua mensagem, o médico relatou que a despedida aconteceu de maneira repentina, após uma incompatibilidade profissional com a nova empresa responsável pelo serviço. Segundo ele, a mudança não estava em seus planos e não houve tempo para conversar pessoalmente com muitos dos pacientes que acompanhava.
Durante o período em Patos, Dr. Silas destacou ter acompanhado histórias de pacientes desde a primeira consulta, participando de diferentes etapas dos tratamentos, decisões difíceis e momentos de esperança. Para ele, a relação construída ao longo dos atendimentos ultrapassou os limites do consultório.
“Alguns pacientes se tornaram amigos. Conheci suas famílias, suas preocupações e suas esperanças”, escreveu.
O oncologista também ressaltou o vínculo criado com as famílias e afirmou ter recebido dos pacientes confiança e carinho que marcaram sua passagem pelo Sertão. Na carta, Dr. Silas explicou que, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelos pacientes, encontrou na região demonstrações de fé, esperança e solidariedade.
Um dos pontos destacados pelo médico foi justamente a impossibilidade de realizar uma despedida presencial com seus pacientes. “Por isso, gostaria de ter me despedido pessoalmente”, afirmou.
Dr. Silas também reforçou sua visão sobre o exercício da Medicina, destacando que, mesmo quando a cura não é possível, o profissional deve oferecer cuidado, responsabilidade, respeito e humanidade. “A Medicina nem sempre pode oferecer a cura que desejamos, mas pode — e deve — oferecer trabalho responsável, cuidado, respeito e humanidade”, declarou.
Na mensagem, o médico também agradeceu ao Hospital do Bem pela oportunidade de trabalhar na instituição e participar da história de tantos pacientes. Entre as lembranças levadas consigo, Dr. Silas citou momentos simples vividos durante sua rotina profissional, como conversas, abraços, olhares e até os “queijinhos” que recebia de presente de alguns pacientes.
“São lembranças simples, mas que dizem muito sobre tudo o que vivi aqui”, escreveu.
O oncologista também fez questão de tranquilizar os pacientes quanto à continuidade dos tratamentos. Segundo ele, outro profissional assumirá o acompanhamento, e os pacientes devem manter suas consultas, exames e tratamentos conforme as orientações da equipe responsável.
“Peço que o recebam bem e lhe deem a mesma oportunidade e confiança que deram a mim”, afirmou.
Ao final da carta, Dr. Silas destacou o impacto que a experiência no Sertão teve em sua vida pessoal e profissional. “O Sertão me mostrou a força, a humanidade e a generosidade de seu povo. Poucas vezes encontrei uma relação tão próxima entre médico, paciente e família. Tudo o que recebi aqui seguirá comigo”, declarou.
Em uma das frases mais marcantes da despedida, o médico afirmou: “Hoje posso dizer que sou cidadão patoense e sertanejo — não de nascimento, mas de coração. Foi um privilégio estar com vocês”, concluiu.”