A campanha do candidato ao Governo da Paraíba, Cícero Lucena (MDB), protocolou nesta quarta-feira (30) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o governador e candidato à reeleição, Lucas Ribeiro (PP), na qual aponta supostas práticas de compra de votos e abuso de poder político e econômico durante a campanha eleitoral.
De acordo com os advogados de Cícero, a campanha teria identificado uma plataforma eletrônica que, segundo a ação, seria utilizada para registrar informações obtidas durante visitas realizadas por colaboradores a eleitores.
A plataforma teria sido identificada no dia 6 de setembro e, conforme os argumentos apresentados na AIJE, reuniria dados sobre visitas, demandas apresentadas por moradores e informações relacionadas à intenção de voto e à rejeição dos candidatos da chapa governista que disputam os cargos de governador e senador.
Entre as demandas que teriam sido registradas no sistema estão pedidos relacionados a consultas médicas, exames, cirurgias, cestas básicas, botijões de gás, materiais de construção e empregos.
Segundo os dados apresentados pela campanha de Cícero, a plataforma teria catalogado 8.592 visitas, 1.721 demandas individualizadas, 723 pedidos e 6.942 revisitas.
O documento também aponta que o sistema reuniria informações de 1.596 colaboradores cadastrados, dos quais 1.339 estariam ativos. Ainda conforme a ação, os colaboradores estariam distribuídos em 17 grupos territoriais, com atuação em 97 bairros e 200 comunidades de João Pessoa, além dos municípios de Bayeux, Cabedelo e Santa Rita.
A campanha de Cícero afirma ainda que entre os cadastrados haveria servidores públicos estaduais que teriam participado das visitas.
Durante entrevista coletiva, o advogado Walter Agra, que representa a campanha de Cícero Lucena, afirmou que o sistema teria sido utilizado em diferentes etapas, começando pelo levantamento das necessidades apresentadas pelos eleitores e seguindo até o acompanhamento dos pedidos.
Segundo o advogado, após o levantamento das demandas, haveria um retorno aos eleitores para atendimento dos pedidos e, posteriormente, questionamentos sobre a intenção de voto dos beneficiários.
A campanha sustenta que esse conjunto de informações seria indicativo de uma suposta estrutura de compra de votos.
O endereço apontado na AIJE é qualificada83.com.br. Segundo Walter Agra, a plataforma teria sido retirada do ar depois que a denúncia veio a público, mas a equipe jurídica da campanha afirma ter preservado os dados que estavam disponíveis.
“Após a denúncia, a plataforma foi retirada do ar. Mas nós já baixamos tudo e encaminhamos ao Ministério Público Eleitoral”, afirmou o advogado.
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Questionado nesta quarta-feira sobre a ação, Lucas Ribeiro afirmou que ainda não havia tomado conhecimento do conteúdo da AIJE e classificou a denúncia como uma tentativa de ataque de adversários na reta final da campanha.
“É mais uma demonstração de que eles não têm o que falar. Eles estão desesperados, atacando de qualquer forma, de qualquer jeito”, declarou.
O candidato à reeleição também criticou a estratégia dos adversários e afirmou que, na avaliação dele, as manifestações públicas da campanha de Cícero estariam concentradas em críticas à sua candidatura, em vez da apresentação de propostas.
“Em nenhum momento fizeram uma coletiva para falar sobre propostas, falar sobre o futuro da Paraíba. Não, as coletivas deles são sempre voltadas para ataques”, afirmou.
Lucas Ribeiro disse ainda considerar sua campanha “limpa” e “propositiva” e afirmou que pretende continuar apresentando ações realizadas durante sua gestão e propostas para os próximos anos.
A ação apresentada pela campanha de Cícero Lucena ainda será analisada pela Justiça Eleitoral, que deverá avaliar os documentos e demais elementos apresentados, além das manifestações dos investigados e de outros envolvidos no processo.
A AIJE é um instrumento utilizado para apurar possíveis práticas que possam afetar a normalidade e a legitimidade das eleições. Neste caso, as acusações apresentadas pela campanha de Cícero ainda dependem de análise judicial e não representam, neste momento, uma conclusão de que houve compra de votos ou abuso de poder.
Por Patos Online