Política ELEIÇÕES 2026
Área técnica do TSE diz que não encontrou publicações citadas por Flávio como falsas no canal 'Exército do Lula', mas aponta riscos eleitorais
Análise examinou conteúdos divulgados entre 2 e 11 de outubro, mas apontou riscos de disseminação em massa, linguagem polarizadora e dificuldade para recuperar mensagens apagadas
12/10/2026 15h00
Por: Felipe Vilar Fonte: Patos Online
Foto: reprodução

Um relatório da equipe técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não identificou, entre 2 e 11 de outubro, publicações no canal de WhatsApp “Exército do Lula” que reproduzissem as afirmações apontadas como falsas pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). O documento, elaborado por determinação do presidente da Corte, ministro Nunes Marques, também alertou para riscos relacionados ao alcance das mensagens e à mobilização coordenada de apoiadores.

Segundo o relatório, não foram localizadas novas publicações com os conteúdos questionados no processo. A análise, porém, ressalvou que alguns vídeos não foram transcritos em razão da urgência do trabalho, o que limita o alcance dessa conclusão.

A equipe técnica também registrou que parte das mensagens publicadas em setembro foi apagada a partir de 7 de outubro. A exclusão dificulta a reconstrução do histórico do canal e a análise integral do material que circulou anteriormente.

TSE alerta para alcance e linguagem das mensagens

Apesar de não encontrar, no período analisado, as afirmações questionadas pela campanha de Flávio Bolsonaro, o chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, Frederico Alvim, apontou preocupação com a possibilidade de disseminação em massa de conteúdos às vésperas do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Entre os fatores de risco mencionados estão o alcance potencial das publicações, o volume de encaminhamentos e as orientações coordenadas para mobilizar seguidores e ampliar a circulação das mensagens.

O relatório também chamou atenção para o uso recorrente de linguagem polarizadora, que, segundo a avaliação técnica, pode estimular uma lógica de confronto em um momento sensível do processo eleitoral.

Canal foi alvo de decisões divergentes no TSE

O canal “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), reúne mais de 3 milhões de inscritos e é utilizado para compartilhar vídeos, áudios, mensagens e orientações a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A disputa judicial começou após a campanha de Flávio Bolsonaro solicitar a suspensão do canal, sob a alegação de que o espaço divulgava informações falsas contra o candidato.

No domingo (11), Nunes Marques determinou a suspensão do canal. Horas depois, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, revogou a medida e autorizou o restabelecimento do funcionamento, por considerar insuficientes os elementos disponíveis para justificar uma restrição tão ampla. A decisão de Cueva é provisória, e o caso deverá ser analisado pelo plenário do TSE.

A decisão que restabeleceu o canal também proibiu a divulgação de conteúdos falsos já analisados pela Justiça Eleitoral, sob pena de nova suspensão.

Lula e Flávio reagiram ao caso

Lula classificou como “absurda” a decisão inicial de suspender o canal e afirmou que a campanha pediria esclarecimentos à Justiça Eleitoral. O presidente também declarou perceber decisões que considera tendenciosas contra sua candidatura.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou ser alvo de um canal de divulgação em massa de mentiras. A campanha do senador havia sustentado que o espaço reproduzia conteúdos falsos sobre temas relacionados ao candidato.

O relatório técnico passa a integrar os elementos que poderão subsidiar a análise do caso pela Justiça Eleitoral. A conclusão de que as afirmações questionadas não foram encontradas no período examinado não elimina a ressalva sobre as mensagens apagadas nem representa, por si só, uma decisão definitiva do plenário do TSE sobre a legalidade do canal.

Por Patos Online
Com informações do g1